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Para refletirmos sobre nossa vida tecnológica
Para refletirmos sobre nossa vida tecnológica

Para refletirmos sobre nossa vida tecnológica

Hoje, pelo fato dos preços terem se tornado mais acessíveis, a tecnologia popularizou-se, e por isso trocamos de equipamentos com uma frequência absurda

Começo esse texto pela definição de tecnologia: “Aplicação dos conhecimentos científicos à produção em geral”, ou seja, a tecnologia não se restringe a cabos, fios e componentes eletrônicos, mas sim é um abrangente conjunto de saberes, cuja função é satisfazer as necessidades humanas.

No histórico da tecnologia, os equipamentos já foram ao extremo da redução física, e agora estamos no processo inverso, pois alguns celulares e computadores estão cada vez maiores em comparação há alguns anos.

Atualmente percebe-se que há um descontrole tecnológico, e por isso precisamos cautelar o uso desenfreado das tecnologias. Não estou somente apontando os erros alheios, pois às vezes eu também enxergo-me perdida nessa revolução tecnológica, e por isso precisamos aprender a prezar mais pela qualidade do que pela quantidade. Realmente, a tecnologia necessita ser desenvolvida cada vez mais, sendo que todos esses avanços devem ser publicizados. No entanto, precisamos mensurar as consequências da desarmonia causada pelo uso desmedido da high-tech e consequentemente resgatarmos o equilíbrio perdido. Por isso, nós é que temos de humanizar a tecnologia e não permitir que essas técnicas nos automatizem.

Hoje, pelo fato dos preços terem se tornado mais acessíveis, a tecnologia popularizou-se, e por isso trocamos de equipamentos com uma frequência absurda, somente pelo fato de outros lançamentos diários, às vezes, nem tão mais avançados quanto o que já possuímos. Então quer dizer, que só porque um ser humano está ficando velho e sem memória, ele ficou obsoleto? Temos de ter muito cuidado, pois a forma que lidamos com a tecnologia, pode ser um reflexo de nossas atitudes! Alertemo-nos, principalmente porque o meio ambiente está gritando por espaços limpos e ar puro! Porém, sou obrigada a concordar, que usar um computador por 10 anos, pode trazer vários prejuízos, como por exemplo, perder relatórios e documentos, visualizar imagens de maneira lenta, demorar para acessar a internet e não conseguir realizar multitarefas sem que o equipamento trave... realmente é o limite do atraso. Entretanto a tecnologia de upgrade está à disposição para que milhares de carcaças de materiais não sejam despejadas na natureza.

Na minha infância quando assistia ao desenho animado “Os Jetsons” (1962), toda aquela tecnologia de videoconferência, passarela rolante e empregada robotizada parecia-me algo extremamente inalcançável, até porque foi somente na década de 70 que as empresas começaram a produzir computadores para uso pessoal, sendo que o auge dessa produção aconteceu apenas nos anos 80. Já na minha fase adulta quando assisti ao filme “Minority report” (2002) pensei que aquela tecnologia de comandar ações no computador somente através do toque dos dedos na tela era uma fantasia futurista da ficção científica, mas que teoricamente seria possível no próximo século. Entretanto, em 2005 esse sistema foi desenvolvido e nomeado de Android e a partir de 2011 tornou-se essencial em tablets e celulares, ou seja, em menos de uma década criou-se algo que parecia impossível. É difícil prever o limite da tecnologia, entretanto uma questão é concreta: essa limitação existe e não precisamos ir muito longe para descobrirmos! A robótica é uma área em que se enxerga claramente essa fronteira, pois robôs são muito “inteligentes” tecnicamente, todavia ainda não se conseguiu agregar sentimentos a essas máquinas, além de também não se ter alcançado o objetivo de fazer com que esses bonecos automáticos realizem naturalmente o paradoxal simples e complexo movimento do andar humano sem aquelas bruscas travadinhas típicas de objetos robotizados.

Hoje em dia é comum ver pessoas teclando repetidamente em seus equipamentos com os olhos fissurados na telinha. Parece que quando praticamos simples ações, como por exemplo, pegar um papel e uma caneta para anotar algo, somos fuzilados por olhares que implicitamente questionam: “Ainda se faz isso?”.

Não sou resistente às novas tecnologias, somente acho que é necessária uma maior moderação. Por exemplo, pode até parecer um absurdo revelar que apesar de nossa vida internáutica existir há mais de duas décadas, somente no ano passado tentei fazer minha primeira compra pelainternet... mas exitei... e por isso me senti mais segura efetivando a aquisição por telefone, pois eu necessitava da tranquilidade de falar com um atendente confirmando todas as informações; já no atual ano superei as expectativas e realizei a compra integralmente feita de forma on-line. O objetivo em ambos os casos de adquirir um produto, foi alcançado, porém de maneiras diferentes. Outra exemplificação é que faço minha contabilidade pessoal em uma agenda de papel com canetas coloridas, lápis, borracha, régua, calculadora e outros acessórios, pois assim consigo entender e acima de tudo... GOSTO de fazer dessa forma; porém compreendo que organizar as finanças de uma empresa dessa maneira, é inviável.

O filme de animação “Wall E” relata explicitamente um atual vício de grande parte da população em aparelhos e equipamentos eletrônicos e de como pode ser nosso futuro se esse descontrole continuar, tanto em relação à questão do lixo eletrônico quanto ao vício de grande parte da população em seus aparelhos eletrônicos, onde na atualidade tudo é realizado exclusivamente pelo computador, resultando em: caligrafias cada vez piores; crianças com dificuldades ainda maiores para aprender a escrever; população cada dia mais obesa; por extremo sedentarismo conversamos com o colega na sala ao lado através de mensagens eletrônicas; filhos digitam mensagens para os pais, mas não conseguem conviver harmoniosamente com eles. A tecnologia aproxima os que estão distantes, e só afasta os que estão próximos para quem permitir que isso aconteça. O limite quem impõe, somos nós!

Apesar da maturidade na vida adulta, exagera-se no uso dos recursos tecnológicos de forma consciente. Entretanto para a criança, a tecnologia é apresentada como a oitava maravilha do mundo, e então já na infância o uso dessas ferramentas tecnológicas perde o limite, e esse descontrole se arrasta pela adolescência até a juventude. Por isso, enquanto mãe, educadora e cidadã, minha grande preocupação é com a nossa futura geração, pois crianças e jovens manejam novas tecnologias com uma facilidade impressionante, contudo não conseguem brincar e nem dialogar espontaneamente. No entanto essa realidade pode ser mudada. Utilizando novamente um exemplo pessoal, cito que minha pequena filha, aos 2 anos de idade, só de ver o pai manuseando o celular, já conseguia tirar fotos e visualizá-las mexendo seus pequenos dedinhos na tela do aparelho. Porém, na rotina da sua infância, não faltam leitura de gibis e livros, pintura com tinta e pincel, passeios ao parque e brincadeiras de roda. É tudo uma questão de ponderação.

O que ainda me causa grandes indagações são os cursos de Graduação on-line, pois eu não consigo entender como se cursa uma Faculdade através do computador. Ainda se for um curso de extensão onde o aluno já teve experiências acadêmicas anteriores com aulas presenciais, tudo bem... mas um primeiro curso de nível universitário via internet que te prepara para uma profissão... é difícil de compreender como tudo acontece de maneira virtual. E a interação entre aluno e professor? E a convivência diária com os colegas? Como será a foto do grupo ao final do curso... o aluno e o computador? Como que o aluno vai aprender ser tolerante à opinião de outras pessoas sem debates presenciais frequentes sobre os assuntos do curso? Como que desenvolverá a criticidade com os fatos? Não sou contra o ensino à distância, até pelo fato que já fiz dois cursos de aperfeiçoamento on-line, e sendo sincera, em comparação às duas graduações e uma especialização presenciais que cursei, senti que há uma grande “distância” de qualidade entre o real e o virtual. Estou de acordo que é um recurso que auxilia muitas pessoas, as quais teriam dificuldade em estudar, como por exemplo, questões de mobilidade física ou cujo trabalho exige viagens constantes... ou até mesmo uma especialidade de curso que é oferecida somente no exterior, justificativas as quais são as únicas aceitas nos processos seletivos das empresas, quando o candidato à vaga formou-se em uma graduação on-line. Entretanto esses e outros obstáculos não devem ser confundidos com comodidade, que é justamente o que está acontecendo, pois chegamos a um ponto que qualquer empecilho, o qual à vezes se reduz a um simples acontecimento, é motivo para a realização de um curso on-line. Na verdade acredito que o foco da questão que mais me preocupa é a banalização da escolha feita principalmente pela juventude por essa opção virtual, pois normalmente esses jovens que decidiram por essa preferência querem poupar tempo e locomoção, mas esquecem que perdem a essência do contato humano. Pelo menos estudos e pesquisas sobre o perfil da maioria dos alunos de curso on-line deixaram-me mais tranquilizada: média de 30 a 35 anos, já concluíram uma graduação e estão empregados. Docentes e outros profissionais envolvidos com “Educação à distância”, ainda complementam que por causa da faixa etária e por já estarem no mercado de trabalho, é um público mais disciplinado e mais dedicado. Novamente recorro à indústria cinematográfica que é uma grande visionária: será que estamos chegando à era do filme “O demolidor” (1993), onde não acontece mais nenhum contato físico entre os seres humanos? E mais uma vez retomo que é simplesmente uma questão de comedimento, ou seja, de saber aplicar um recurso tecnológico onde realmente é necessário... e não supérfluo, senão, qual será o próximo passo: da creche ao ensino médio on-line?

Há algum tempo, não se tinha nem metade dos recursos tecnológicos que temos hoje, e sempre conseguimos viver muito bem. Por que hoje em dia ficamos transtornados quando esquecemos o celular em casa num simples passeio à padaria? Já perceberam como ficamos desnorteados quando acaba a energia elétrica? Principalmente no trabalho é agonizante, pois parece que não resta mais nada manualmente a ser feito. Contudo, acredito que a grande problemática desse descontrole no uso da tecnologia, está na interpretação da Língua Portuguesa, pois o recurso virtual é um MEIO e não uma FINALIDADE, sendo que atualmente não estamos mais exercendo essa correlação entre teoria e prática.

A grande justificativa para esse avanço acelerado é que a tecnologia é extremamente eficaz. Pois então, eu questiono essa alegação inabalável. Através de experiências próprias e de colegas, citarei como exemplo acontecimentos envolvendo uma ferramenta tecnológica que atualmente é símbolo de modernidade: a super touch screen. Quando não se está usando o celular e este simplesmente está guardado no bolso ou na bolsa, conforme alguns movimentos que se faz, objetos tocam a tela cuja ação é interpretada como um comando, e de repente o equipamento está realizando uma ligação para habitualmente o último número discado ou o primeiro número da memória da agenda; ou então qualquer toque nessas telas hipersensíveis faz com que inesperadamente se apague anotações importantes do bloco de notas. E isso é eficiência? Por isso que o avanço tecnológico não é sinônimo de garantia integral de qualquer inconveniente. No antigo sistema analógico de telefonia celular, não se corria o risco de acontecer essas situações citadas acima nos nossos gigantes celulares, com suas grandes teclas saltadas protegidas por um flip; em compensação, nesses antigos equipamentos carinhosamente chamados de “tijolões” não tínhamos nem metade dos recursos avançados que os modernos celulares nos disponibilizam atualmente. E esses perigos não se restringem à telefonia, mas sim estendem-se aos computadores onde nossos documentos são perdidos, truncados e danificados, porém nesses casos a responsabilidade do problema é compartilhada com o ser humano, que muitas vezes falhou na manutenção. Por isso, quando citamos a tecnologia, não devemos focar somente nos equipamentos, pois juntamente aos investimentos em máquinas, temos de investir também no recurso humano, o qual sem treinamento e motivação, não conseguirá desenvolver tecnologia funcional e muito menos manuseá-la correta e eficientemente.

Outra questão que merece destaque é que o virtual esconde fatos do real. Primeiramente quero citar as figuras editadíssimas através de umsoftware para correção de imagens: mulheres e homens lindos sem nenhuma ruga ou marca de expressão... tudo perfeito para o virtual, todavia impossível para pessoas reais. Em segundo lugar, ainda falando sobre essa comparação de verdades e mentiras, acredito que todos conheçam a febre contagiante da “felicidade total” nas redes sociais. Já perceberam que a maior parte dos participantes das redes sociais só declara seus sucessos? Uma pesquisa da “Universidade de Stanford” na Califórnia comprovou que é o fenômeno de superestimar a própria alegria somente para malograr o semelhante! Concordo que temos de ter um olhar positivo sobre a vida, no entanto é impossível ser feliz o tempo todo! As declarações sobre tristeza e frustrações são raras, e normalmente são escritas por pessoas emocionalmente estáveis e sem problemas em assumir dificuldades perante os outros. Precisamos ter cuidado com essas irrealidades nas redes, pois às vezes cria-se um personagem virtual que não existe na vida real!

Ao longo deste texto, é possível perceber que a tecnologia é antagonista, pois é cheia de “poréns”, ou seja, utiliza-se de muitas conjunções adversativas para fundamentar seus pontos negativos e em contrapartida positivos. Por isso, concluo que a grande problemática não é tecnologia em si, mas sim a maneira como ela está sendo utilizada.

Eu entendo que a tecnologia é imprescindível, porém precisamos compreender que sem alguns valores éticos e morais, o avanço tecnológico não proporcionará benefício nenhum, pois vidas só serão poupadas se os equipamentos hospitalares forem manuseados com fé, o sucesso só será alcançado se o trabalho for feito com amor, as contas só estarão corretas se os números forem digitados com honestidade e o mundo só se desenvolverá se houver união.

Concordo que a tecnologia traz progresso, salva vidas, possibilita a comunicação e proporciona outros milhares de benefícios... e não estou criticando-a. Reforço que minha grande preocupação é com o desnível entre o mundo latente e o efetivo, e por isso meu ideal com esse texto é somente um alerta para resgatarmos o equilíbrio entre o real e o virtual, pois nada melhor que um afago aconchegante, um abraço emocionante, um beijo fascinante e uma palavra confortante... tudo feito pessoalmente “olhos nos olhos”. O virtual é facilitador, mas o presencial é insubstituível! Pense nisso!

Pérola Barranco Brito - Agosto de 2012

(Copyright© 2012. Direitos autorais em Português, Inglês e Espanhol, estão reservados à autora, conforme registro ISBN 576.633 / livro 1.101 / folha 206)

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