Para economistas, queda maior da Selic fica para janeiro

O Banco Central conseguiu convencer os analistas de que vai manter o conservadorismo na definição dos juros básicos da economia. Com isso, o mercado financeiro está certo de que a taxa Selic sofrerá um corte de 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira. No entanto, os analistas acreditam que uma redução mais forte dos juros básicos deve acontecer em janeiro. O motivo é que a partir de 2006, as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) passam a ser realizadas a cada 45 dias, e não mais a cada mês. Para acompanhar um calendário mais espaçado e evitar que o crescimento da economia continue sendo considerado pífio, o Banco Central teria de aumentar a dose dos cortes. O economista Pedro Paulo Bartolomei da Silveira, economista da Global Invest, calcula que se o Copom começar a reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto a partir de janeiro, o país chegará a meados de 2006 com uma taxa real em torno de 11%, um patamar ainda elevado. Por conta disso, ele acredita que o aumento no ritmo dos cortes é inevitável, principalmente com a alteração do calendário. - A redução líquida da taxa ainda será muito pequena e os efeitos na economia são defasados em dois trimestres. A economia vai crescer em torno de 3,5% no ano que vem, um crescimento pífio - diz. Quase todos os economistas apostam na manutenção do conservadorismo em dezembro, já que o próprio Banco Central deixou claro que não irá abandonar ritmo. A justificativa é que, apesar da queda de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, a economia dá sinais de recuperação no último trimestre do ano, com dados de crescimento da produção industrial. Há até mesmo questionamento sobre a metodologia de cálculo do PIB. - Não há muito o que justificar. Dado seu perfil, o Banco Central tende a continuar dosando a política monetária com um caráter conservador. E ele continua mais concentrado na expectativa do mercado do que em dados passados - afirma Marcelo Assalin, diretor de investimentos da Sul América Investimentos, para justificar o fato de que provavelmente o BC irá minimizar a queda do PIB no terceiro trimestre. De acordo com Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, é mesmo mais provável que um afrouxamento da política monetária aconteça mesmo a partir de janeiro. Ele descarta um aumento agora por dois motivos. Um deles é a sinalização de recuperação da produção industrial em outubro. Outro fator é não ceder a pressões de críticos que não dispõem do mesmo conhecimento técnico dos diretores do BC. - É uma questão de ego. O BC não vai ceder a pressões - disse o economista. Para Campos Neto, é de se imaginar que os aumentos na dose de cortes da taxa Selic comecem a partir do próximo mês. A questão central é mesmo a mudança no calendário. Isso porque, se os cortes continuarem em 0,50 ponto, o ritmo de redução da taxa Selic sofrerá uma redução em relação ao momento atual.

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