Os pontos cegos do Brasil

No Brasil algumas situações se demonstram embaçadas e obscuras, a luz do fim do túnel está bruxuleando por falta de pagamento

O Brasil acompanhou, no ano de 2006, uma das maiores tragédias da aviação civil: um boeing da empresa Gol chocou-se em pleno ar, com um jato Legacy. 154 mortos e muitas ilações: falha técnica, humana ou ambas. Um dos problemas apontados foi o de que, no céu da Amazônia existe um ‘ponto cego’ e os radares seriam incapazes de detectar quaisquer aeronaves, saber sua localização, para aonde iam, de onde vinham.

Quase nove anos depois percebe-se que não são somente as aeronaves brasileiras que pervagam num ponto cego sobre as matas verdes da Amazônia. Na atual conjuntura econômica, a grande nave Brasil, passa por uma das maiores incertezas dos últimos anos. Não sabemos para aonde vamos e aonde iremos chegar. Os radares dos poderes não conseguiram ainda detectar o cerne do problema. Alguns apontam a corrupção, outros a ingerência e outros mais afoitos, boicote.

Dias atrás, o nosso Vice-Presidente, com a voz embargada, instava a todos – governo e oposição – a se unirem em um só lado, e juntos combaterem a “crise política que está se ensaiando e a econômica que precisa ser ajustada”. Industriais e empresários atenderam aos apelos. Manifestaram apoio. Industriais, empresários e administradores e uma boa parte da população brasileira sabem que existem determinadas situações que eles pouco podem fazer. Ameaças externas às empresas, como crises econômicas, é uma delas. É esperar a nuvem negra passar.

Os maiores prejudicados em uma recessão são os trabalhadores assalariados. Ficam perdidos como cego em tiroteio. Diante do desemprego não sabem para aonde ir. Se batem à porta dos empresários e se sujeitam ao corroído salário, ou se buscam a informalidade. Muitos já estão praticando a ambos. Se em terra de cego quem tem um olho é rei, imagina que tem os dois, diz uma canção.

Os políticos preocupam-se muito mais em ‘fazer política’, do que outra coisa qualquer. Raramente encontramos - perdido no espaço- um que se salve. Que tenha preocupação em mudar o status quo, sem extrair disso alguma vantagem. Uma boa parte deles se faz de cego, finge que nada vê. São os piores. É ficar com os radares ligados.Com os olhos bem abertos, vinte e quatro horas.

Estudar, informar-se e trabalhar. Essa é a trilogia do brasileiro em tempos de crise. Ademais, precisam enxergar melhor quando escolher seus representantes. São ações que podem evitar uma queda abrupta. O futuro é uma incógnita e, como diria Carlos Drumond de Andrade: Um novo claro Brasil surge, indeciso, da pólvora. Meu Deus, tomai conta de nós.

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