Os partidos e os Estados

O sistema da escolha dos governantes através de eleição e voto tem se mostrado susceptível a interferências e manipulações por meio dos partidos ou dos grupos de poder econômico. O risco tem sido o advento de regime totalitário

Muitos povos tiveram a liberdade política conquistada somente após o término da Segunda Guerra Mundial. O Brasil teve o privilégio de conquistar a independência política em 1822, mas herdou o fatídico peso da dívida de Portugal para com a Inglaterra. Com a independência, nascia um país bem dotado pela natureza, mas sem recursos financeiros e com a elite econômica voltada para a agricultura e para a exploração do ouro e de outras preciosidades, tudo direcionado para o exterior, sem preocupações com a educação e preparo da população cuja maioria era constituída de mão de obra escrava.

No correr do século 19, a educação permaneceu estagnada, o que mais tarde se revelaria como uma das raízes do atraso e do baixo padrão de vida. Alguma mudança surgiu com a chegada de imigrantes procedentes da Europa, mas mesmo assim faltava uma visão compartilhada de melhor futuro para o Brasil e para o mundo.

O país se desenvolveu sem uma diretriz coerente; havia apenas a frase pouco expressiva: “o país do futuro”, mas não havia planos consistentes, nem metas definidas a serem alcançadas. No resto do mundo não foi muito diferente, com exceção do povo norte-americano que tinha uma visão promissora com foco na liberdade, igualdade de oportunidades e elevado padrão de vida.

Os abusos especulativos que levaram o mundo ao caos econômico e financeiro em 1929 acarretaram maior interferência do Estado. A Europa, destroçada pelas guerras, enveredou pelo caminho do bem-estar social. O socialismo soviético degringolou, e a China, embora sendo um país comunista de partido único, buscou um caminho alternativo reconhecendo a importância do lucro na geração de riqueza.

O sistema da escolha dos governantes através de eleição e voto tem se mostrado susceptível a interferências e manipulações por meio dos partidos ou dos grupos de poder econômico. O risco tem sido o advento de regime totalitário, fazendo com que o Estado caia nas mãos de grupos que vão se perpetuando no poder, pois a ânsia por esse tipo de governo sempre esteve presente nas aspirações das elites dominantes.

Com a globalização econômica, as atividades produtivas são realocadas nas regiões onde o fator mão de obra seja abundante, adaptável ao trabalho repetitivo e de menor custo. No mundo todo há uma escassez de empregos, principalmente aqueles de melhores salários. Há risco de que alguns países como o Brasil voltem para sua dependência colonial, isto é, da agricultura e dos minérios, reduzindo as oportunidades para a população e gerando mais desigualdades.

Surgiram medidas tendentes a ir fragilizando o Estado, o que tem seu sentido, pois este não é para se imiscuir na atividade econômica, mas sim para buscar as melhores condições de vida, e acompanhar o cumprimento das normas estabelecidas. No entanto, vai se desenhando no cenário político a possibilidade do desaparecimento do Estado e o surgimento de um comando central com foco nas finanças, impondo tudo de cima para baixo com o risco de sufocar as individualidades e fortalecer a robotização da espécie humana através de um comportamento padronizado, distanciado de sua essência espiritual.

O instinto egoísta de maximizar os ganhos com um mínimo de riscos, apontado pelo economista britânico Adam Smith (1723-1790) em A riqueza das nações, publicado em 1776, tende a se exacerbar, ampliando a miséria. Esse egoísmo é ditado pelo raciocínio cerebral subordinado ao tempo e espaço, restringindo a visão espiritual que é mais ampla e que imprime o comportamento solidário. Os seres humanos precisam de motivação construtiva para desenvolver sua individualidade. Os povos não devem perder a sua característica com a padronização, mas devem ter uma visão compartilhada de melhor futuro, com governo descentralizado.

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