Os “olavettes” vs “petismo” – iluminismo tupiniquim

No modo culto e acadêmico herdamos o pensamento francês e por herança, herdamos também o iluminismo e seu filho gerado pelo filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) o positivismo

No modo culto e acadêmico herdamos o pensamento francês e por herança, herdamos também o iluminismo e seu filho gerado pelo filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) o positivismo. A prova que somos uma nação positivista é a frase famosa da bandeira nacional “ordem e progresso” que é o pilar do positivismo, pois a ordem se faz nas leis e a igualdade econômica se faz dentro do progresso cientifico e racional logico. Mas lendo um texto de Adorno sobre o iluminismo – Conceito do Iluminismo – mostra que o iluminismo herda também alguns mitos que eram antigamente, eram explicações cientificas para se entender algo que não se entendia. Mas o iluminismo criou outros mitos que não deixam o ser humano como um ser que evolui e como ser que evolui deve se esclarecer em sua busca ao conhecimento. Dai nasceu a filosofia e sua busca a uma realidade verdadeira.

Os mitos ainda “assombram” o pensamento humano porque não queremos enxergar que aquilo que não entendemos é o que tememos e isso se faz com o esclarecimento. Como se faz esse esclarecimento? A historia é nossa aliada para entender nossa cultura e entendendo nossa cultura, com todos os seus viés, podemos entender e até descordar de algumas posições dessa mesma cultura. Não sabemos da nossa historia porque não nos interessamos dessa historia, porque se criou um pensamento que o estudo é “chato”, que a filosofia não trás nada ao nosso povo e que não faz nem melhores e não acabam com a fome. O povo que pensa, que tem um olhar critico de tudo que está acontecendo, é um povo que pode crescer e fazer o país crescer e não, acreditar que tudo “cairá do céu”, porque nada cairá do céu e nós temos que enxergar isso. A filosofia não é banalizar aquilo que já se sabe como ponto de um problema, mas ousar mostrar um olhar mais amplo dentro desse mesmo problema. Ousar saber!

Então, como a maioria não quer pensar ou fazer por si mesmo pela acomodação da situação confortável que se encontram, sera muito melhor inventar mitos e “deuses” que nos salvarão da destruição final. Para isso temos que construir um inimigo para combater que muitas vezes, esse mesmo inimigo é imaginário e quando imaginamos um inimigo – muitas vezes são entidades que são criadas para convencer o outro que nossas teses estão certas e que devemos combater esse “inimigo” senão irá acabar com o que acreditamos ser certo – é que estamos com medo daquilo que não entendemos e nem queremos ter o “trabalho” de entender. Quem pode explicar da onde vem o mito que o “Foro de São Paulo” que é uma reunião da esquerda latino americana – muitas pessoas de fora também comparecem – é uma reunião de dominação da mesma América Latina? Quem explica por que o marxismo é uma filosofia fracassada sem ler uma linha da obra de Karl Marx? Claro que não sou marxista.

O problema é que quando você não conhece aquilo que está combatendo e isso está até no livro A Arte da Guerra, abre brechas muito definidas para “charlatões” venderem “formulas magicas” para resolver isso. Mais ou menos o que acontecia com o sofistas do tempo de Platão, como acontece com os escritores de “autoajuda”, inventam um meio mais fácil para resolver uma coisa ou uma situação, que as próprias pessoas deveriam resolver. As resoluções são rápidas e fáceis? Não. Eu descofio das pessoas que querem as coisas fáceis e rápidas, porque eles não querem trabalhar para terem uma vida melhor e de maior possibilidade de exito, assim sendo, segue esses mesmos “charlatões”. Tenho comigo, dês do meu primeiro livro de filosofia que li, que o amor a sabedoria implica muito mais em dizer se aquilo ou não existe, se aquilo ou não é a verdade, se aquilo ou não é evidencias que viemos de um elo com os primatas. Existe algo em especial no ser humano e é a única coisa que ele difere dos outros animais o meio de raciocinar e perceber o ambiente em sua volta e ao mesmo tempo, mudar esse ambiente conforme aquilo que lhe faz ter conforto. Podemos mudar realidades, podemos mudar governos e podemos mudar nossa própria vida, mas para isso, devemos ser pessoas esclarecidas daquilo que queremos mudar.

Então, se sabemos que o capitalismo só sobrevive se consumimos o que ele produz (se eu não trabalhar e não ganhar um salario eu não compro), por que devo acreditar que o mesmo capitalismo me domina explorando meu trabalho e ter medo disso? Não estou vendendo o meu serviço? Aqui temos uma cultura do coronelismo que cuidavam dos engenhos de cana de açúcar, que ele mandava e nós tínhamos de obedecer. Mas sera que ainda eles podem nos dar chicotadas? Será que não temos o poder da escolha de trabalhar lá ou não? O perigo de filosofias como a comunista é acreditar que não temos escolhas e somos levados a acreditar que não podemos nem protestar o ter voz por nós mesmos, ao mesmo tempo, entender que o Foro de São Paulo existe dês do ex-presidente Fernando Collor e que a 20 anos discute sem chegar a um caminho definido, quanto menos, tomar de assalto a América Latina e transformar em uma nova URSS. Assim nessa discussão maniqueísta que o bem e o mal deve existir, surge um astrólogo que se cunhou de filósofo e se diz detector da defesa do perigo comunista (mesmo depois da queda do muro de Berlim e o fim da URSS) e o “petismo” que vem da filosofia do PT (Partido dos Trabalhadores) que prega a igualdade das minorias “marginalizadas” e tem um viés trabalhista (varguismo), e não socialista.

Quando escrevi o texto anterior (“olavettes” - os revoltados “adultescentes”), não imaginaria que houvesse tanto fanatismo dentro da doutrina e filosofia do astrólogo Olavo de Carvalho. O problema não é aquilo que ele tenta explicar – como que o combustível fóssil é uma mentira e que estamos rumando para uma especie de cataclismo comunista entre outras balelas – como sendo algo de um pensamento majestoso, o problema é acreditarem que tudo que escreve é verdade absoluta e como disse Nietzsche, não existe verdades absolutas e nem fatos eternos. Como disse Heráclito de Efesos a uns dois mil e quinhentos anos atrás, não podemos pisar na mesma água de um rio duas vezes, ou seja, as culturas evoluem e devem evoluir sempre para o respeito e harmonia dentro de uma sociedade democrática. Como sempre disse, a democracia não deve discutir e acatar só ao lado que se acha os detectores do bem e da justiça – que acaba dando margem a pensamentos religiosos fanáticos que nada ajudam uma nação – mas essas alas devem discuti ideias para predominar aquilo que é certo e deve ser feito. Embora ache que a democracia em si é um regime injusto dês da sua fundação grega, mas é o regime menos pior neste momento e no estado que o mundo se encontra.

Por outro lado o “petismo” é populista e tem sempre um discurso que o povo gosta de ouvir e não o que é verdade – como todo governo que pretende ser o “salvador” da pátria, um idealismo cínico – e não quer dizer que todos estão livres para fazer suas escolhas e sua vida não depende do Estado, mas o Estado depende de nós. O discurso populista é o discurso de um Estado que não quer só ser o regulador da economia e da infraestrutura, ele quer comandar o cidadão em sua própria escolha e não quer dar o cidadão o conhecimento necessário. O populismo é uma especie de ditadura branca, mas não chega a ser uma ditadura propriamente, e sim, usa de argumentos que o povo espera – porque a educação já vem embutida esse tipo de pensamento que o rico quer que o pobre ficar pobre, mas que se o pobre ficar pobre ele também não fica rico – que se faça justiça e que tudo aquilo que se quer ter, possa ser “comprado” por ele. Mas tudo isso não passa de mera ilusão, porque o Estado vai continuar ser o Estado e sempre vai explorar a visão que o culpado é sempre quem vende e não quem regulariza. Mas cuidado, vários desses governos passam a imagem da ideologia dominante para terem mais poder e assim, a maioria apoiá-los.

O que mais restringe o país a um desenvolvimento verdadeiro é o conservadorismo que leva seu contraponto, o populismo que prega uma falsa modernização, assim, alimentando o coronelismo tanto desfundido aqui. O conservadorismo confunde corrupção com instituições que amarram ainda mais o progresso do país – sendo algumas dessas instituições exploram as crenças popularem e pregam palavras como se fosse de Cristo, mas não são dele – que alimentam instituições que ganham dinheiro com a exploração e a ignorância popular a 500 anos e que não querem abrir mão do poder para ter mudanças. As instituições que ainda estão na politica do Brasil, é as mesmas que nasceram com a exploração portuguesa e são as mesmas que derrubaram a maior parte das nossas arvores e pegaram nossos tesouros, mas que transveste em sistemas “justos” e que exploram aquilo que a população tem de sagrado, que a população tem de único. O que mais consola é que essas mesmas instituições são as mais corruptas exatamente para não haverem mudanças e para não mudar, as instituições que entram como mudança são compradas e não conseguem essas mudanças, dilacerando o que a humanidade tem de melhor, a capacidade de criar meios para criar ambientes melhores e mais prósperos.

O astrólogo assim como o petismo, são reféns de algo maior dentro do nosso país e que tem dilacerado nossas próprias instituições soberanas, como algo cultural do egoismo em forma de indignação. A vaidade em primeira instancia dentro da incapacidade da critica – da própria ideia e das ideias de canais de comunicações comandadas pelas instituições que não aceitam mudanças – e a incapacidade de entender que somos mais um dentro da multidões, que acham que se agradar essas instituições (conservadoras?), vão ter algo em troca, algo que será seu, mas dentro dessas instituições, nada é dos mais “humildes”. Com esse egoismo e com essa vaidade, nossa cultura destruiu religiões e destruiu teorias econômicas e politicas em nome de nada, apenas para seu próprio conforto. Mudaram os ensinamentos espirituais – como do apostolo Pedro, de Lutero e Calvino e até mesmo, Allan Kardec – para caberem na suas vãs esperanças, um “messias” salvador que facilmente é transferido tanto pelo astrólogo ou pelo militar salvador, ou pelo petismo que promete acabar com a miséria, mas que não consegue esconder sua insuficiência diante da cultura dominante nas outras instituições governamentais. Os únicos a mudarem tudo isso somos nós mesmos e mais nada, pois nós temos o poder de mudar nas urnas, nas nossas escolhas para nossas vidas e poder que temos que exigir seriedade e mudanças para melhor. O resto? O resto é só “metafisica da libertação”.

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