Os novos objetivos globais. E eu com isso?
Os novos objetivos globais. E eu com isso?

Os novos objetivos globais. E eu com isso?

As Nações Unidas divulgaram os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável, uma agenda que serve de plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade. Veja o que você e eu temos a ver com isso

Após três anos de discussão, mais de 150 líderes globais presentes à Cúpula das Nações Unidas sobe o Desenvolvimento Sustentável, ocorrida há quinze dias, em Nova York, aprovou por consenso, o documento "Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável".

O relatório, que vale a pena ser lido, sintetiza e propõe um conjunto de metas para solucionar os principais desafios globais que a humanidade irá enfrentar nos próximos 15 anos e serve como um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade. Essa Agenda busca fortalecer a paz universal com mais liberdade, e reconhece que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global ao desenvolvimento sustentável.

Com o objetivo de adotar uma nova visão para o bem-estar futuro de toda a humanidade e colocar o mundo numa trajetória mais segura, igualitária e sustentável, a Agenda apresenta 17 objetivos ousados, mas atingíveis, e 169 metas que visam acabar com a pobreza, lutar contra a desigualdade, combater a mudança climática e construir sociedades pacíficas até o ano 2030.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) levam em conta o legado dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, lançados em 2000, e procuram obter avanços nas metas que ainda não foram alcançadas. Estes objetivos são integrados e indivisíveis e mesclam, de forma equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.

Esta é uma Agenda de alcance e significância sem precedentes. Aceita por todos os países e aplicável a todos, leva em conta as diferentes realidades nacionais, as capacidades e os níveis de desenvolvimento, respeitando as políticas e prioridades nacionais. São objetivos e metas universais que se aplicam ao mundo todo, tanto aos países desenvolvidos quanto aos em desenvolvimento.

O relatório dos ODS também trata dos meios de implementação e concretização, desafio que abrange a gestão sistêmica dos problemas e a inclusão de todos os atores sociais. Esta implementação representa um grande desafio para a humanidade e deverá envolver, no espírito da Agenda 2030, medidas ousadas e transformadoras que se necessitam urgentemente para pôr o mundo em um caminho resiliente e sustentável, no qual tenhamos uma participação ativa de todos, incluindo governos, sociedade civil, setor privado, academia e Nações Unidas.

Os ODS, embora de natureza global e universalmente aplicáveis, dialogam com as políticas e ações nos âmbitos regional e local. As empresas, por exemplo, podem utilizá-los como diretrizes para suas estratégias de sustentabilidade empresarial no âmbito de seu negócio, desenvolvendo ações específicas e práticas de negócio que contribuam para o atingimento dos objetivos globais.

Vale salientar que muitas organizações públicas e privadas optaram pelas 8 metas de desenvolvimento do milênio como plataforma de sua política de sustentabilidade. Progressos foram feitos na maioria dos países como, por exemplo, a erradicação da pobreza e melhoria do acesso à educação. No Brasil, muitas empresas participaram ativamente do Programa Fome Zero. O número de pobres que vivem no mundo com menos de US$ 1,25 por dia diminuiu de 1,9 bilhões em 1990 para 1,3 bilhões em 2008. Muitos países em desenvolvimento viram declínio da pobreza, mas em termos absolutos a redução foi esmagadoramente concentrada na China.

Provavelmente, muitas empresas irão incorporar os ODS como estratégia de sustentabilidade empresarial, o que poderá acelerar sua consecução. Os negócios e as organizações empresariais, além dos governos e sociedade civil, devem ter um papel intensivo e destacado no alcance destes objetivos, contribuindo na proposição de soluções, principalmente por meio da tecnologia, inovação e conhecimento, e na aceleração desse processo de transformação, por meio de seu know-how gerencial e capacidade financeira. As empresas e os mercados, mais do que qualquer segmento, têm instrumentos poderosos para promover essa mudança como, por exemplo, no caso do aquecimento global, o uso de novas fontes de energia renovável e o mercado de carbono que inclui o comércio de emissões e mecanismos de desenvolvimento limpo.

Os objetivos gerais convocam todos os segmentos a trabalharem por um mundo livre da pobreza, fome, doença e privação, onde toda a vida pode prosperar. Um mundo livre do medo e da violência. Um mundo com o acesso equitativo e universal à educação de qualidade em todos os níveis, aos cuidados de saúde e proteção social, onde o bem-estar físico, mental e social são assegurados.

Um mundo de respeito universal aos direitos humanos e à dignidade humana, ao Estado de Direito, à justiça, à igualdade e à não discriminação; ao respeito pela raça, etnia e diversidade cultural; e à igualdade de oportunidades que permita a plena satisfação do potencial humano e que contribua para a prosperidade compartilhada. Um mundo que investe em suas crianças e no qual cada criança cresce livre da violência e da exploração. Um mundo justo, equitativo, tolerante, aberto e socialmente inclusivo em que sejam atendidas as necessidades das pessoas mais vulneráveis.

Com um grande esforço de mobilização das prefeituras, das organizações da sociedade civil, das empresas na efetivação de um compromisso local, cada comunidade deverá traçar seu planejamento local onde essas metas farão parte do dia a dia de cada cidade e aí terão sua consecução prática e se tornarão realidade. Cada comunidade terá suas próprias prioridades conforme as lacunas e estágio de desenvolvimento sustentável.

E quanto a nós, cidadãos, qual é nossa responsabilidade e nosso papel no âmbito dessa Agenda?

A economista Hazel Henderson, autora do livro “Cidadania Planetária” explica que “qualquer pessoa pode ser um cidadão planetário. Isso significa que a pessoa pode tomar responsabilidade por sua família, pelo meio ambiente e trabalhar para fazer a coisa certa em cada área da sua vida. Todos fazemos parte da grande família e habitamos a mesma pequena espaçonave chamada Terra”. É essa a imagem que, segundo Hazel, deve nortear as nossas ações. "Isso pode significar reciclar, economizar energia, plantar, cuidar das crianças, ser um bom cidadão em todos os níveis e não apenas no nível planetário." A construção de uma cultura de paz e não-violência passa por uma mudança de postura, principalmente dos meios de comunicação de massa.

Para Pierre Lévy é ser consumidor do mundo, das novas tecnologias, é estar atualizado com as novas tecnologias, é ter fome de conhecimento e é, ao mesmo tempo, ser um indivíduo que busca compreender a necessidade das autonomias individuais, interligadas às participações comunitárias e à consciência de pertencer à espécie humana. “Somos regentes do planeta, administradores da vida e predadores do que administramos”. Quanto mais um ser está conectado, atualizado com as novas conexões, mais é vasto seu campo de interação, sua experiência torna-se rica e seu aprendizado é imenso, tornando seu desempenho imensurável diante do mundo e dos outros indivíduos.

De acordo com o Instituto Paulo Freire, o conceito de cidadania planetária tem a ver com consciência e implica em uma reorientação de visão do indivíduo. O desafio é fazê-lo entender que participa de uma comunidade local e global ao mesmo tempo. Dessa forma, entendemos que participamos de um planeta vivo, que tem uma história, e ao compartilhar do mesmo espaço e mesmo destino, vivemos a Terra com harmonia.

Portanto, é dever de cada cidadão estar consciente dos desafios globais, buscar a promoção do bem comum na sua comunidade e utilizar os recursos locais de maneira sustentável, garantindo a prosperidade, equidade e bem-estar das futuras gerações.

Infelizmente algumas metas do milênio não foram suficientes para superar as profundas desigualdades existentes entre países e no interior dos países, que até aumentaram em muitos casos. Segundo os especialistas, algumas dimensões do desenvolvimento foram subestimadas até agora, como a evolução demográfica e o avanço da urbanização. No último quarto de século a população mundial cresceu em mais de dois bilhões de pessoas. São 78 milhões de pessoas a mais por ano na população mundial, em sua maioria em países mais pobres.

Outra questão da dinâmica populacional é o envelhecimento da população. Até 2050 um terço da população dos países desenvolvidos deve ter mais de 60 anos. A migração internacional, sobretudo o recente movimento de refugiados na Europa, e o avanço da urbanização também aumentam as pressões sobre os recursos naturais, como padrões de consumo de alimentos. A questão da paz e segurança também cresceram em importância com o avanço do terrorismo.

A seguir elencamos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Veja mais sobre as metas e os detalhes no relatório da ONU:

  1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas em todos os lugares;
  2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição;
  3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos;
  4. Garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade;
  5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;
  6. Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água;
  7. Garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável;
  8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável;
  9. Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva;
  10. Reduzir a desigualdade entre os países e dentro deles;
  11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes;
  12. Assegurar padrões de consumo e produção sustentável;
  13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima;
  14. Conservar e promover o uso sustentável dos oceanos;
  15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável das florestas;
  16. Promover sociedade pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável;
  17. Fortalecer os mecanismos de implementação e revitalizar a parcela global.

Deixamos-lhe uma reflexão: Como você pode se engajar efetivamente no cumprimento desses objetivos? E sua empresa, que programas e práticas ela pode instituir no âmbito de sua atuação e junto a seus públicos interessados?

Para o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, conseguir melhorias tão dramáticas em 15 anos será um feito e tanto. Embora os avanços desde 2000, como a diminuição da pobreza em todo mundo, ainda há muito a fazer, especialmente para atingirmos os mais marginalizados e vulneráveis e para entrarmos na rota do desenvolvimento sustentável. “A nova agenda e as novas metas significam um compromisso de não deixar ninguém para trás. Elas são dedicadas à geração do milênio e aos seus avós, a moradores das cidades e do campo, empregadores e empregados, países desenvolvidos e em desenvolvimento. “As Nações Unidas e eu esperamos trabalhar com pessoas do mundo inteiro para trazer essas metas à vida e para transformar nosso mundo. Esse é o plano; essa é a promessa; mãos à obra!”

Veja o vídeo:

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