Os homens públicos não vieram de Marte

Considerar essa baderna institucional como um quadro irreversível talvez seja um pouco precipitado, e até mesmo um ato radical. A única certeza que nos resta é que somente seres humanos melhores poderão fazer do mundo um lugar melhor para se viver

Confesso que essa espécie de desprezo generalizado pela política oriundo de uma significativa parcela da população muito me preocupa. Gera um desconforto, uma tristeza, que por ora é algo totalmente compreensível quando analisamos o atual quadro sociopolítico brasileiro.

A credibilidade do sistema fora aniquilada por completo, como nunca antes visto na história desse país. Muita especulação para pouca execução. Muita politicagem para pouca governabilidade. E tal defasagem tem estimulado o surgimento de vários personagens “super-heróis” no decorrer da denominada década perdida.

Alguns servidores públicos, por exemplo, têm ganhado um certo prestígio midiático, transformando-os em possíveis salvadores da pátria, pelo simples fato de cumprirem com suas respectivas competências outorgadas pela constituição federal.

A política praticada no Brasil é algo explicitamente irresponsável, por ambas as partes. A começar que não existe “lado”, uma vez que o contexto ideológico está extinto há tempos. Em outras palavras, a única ideologia predominante nos mais de trinta partidos políticos em atividade no país são os projetos duradouros de poder.

Estávamos há mais de 20 anos assistindo sem reação alguma essa dicotomia inconsistente no longo prazo durante o revezamento do "trono" nacional. Dormíamos em berço esplêndido. E despertar seguido de um coro de impeachment, cuja fundamentação é totalmente vaga até o presente momento, não nos tirará dessa lama.

A carência de nossa República por oxigênio extrapola a questão de uma terceira via. Vai bem mais além. O Brasil, e consequentemente seu quadro político, clamam por novos ares. E quando me refiro ao conjunto da obra como um todo, e não somente aos nossos representantes legitimamente eleitos para tal função, viso destacar a relevância da revisão de hábitos e conceitos que nós, cidadãos, deveremos pactuar caso realmente almejemos uma terra promissora para o futuro de nossos herdeiros.

Concordo que atribuir tudo aquilo que afronta o progresso à classe política é bastante cômodo. Mas não podemos nos esquecer, em hipótese alguma, que os homens públicos não vieram de Marte. São nossos "conterrâneos" acima de quaisquer circunstâncias, o que dobra nossa responsabilidade e parcela de culpa perante a atual situação em que o país se encontra.

Considerar essa baderna institucional como um quadro irreversível talvez seja um pouco precipitado, e até mesmo um ato radical. A única certeza que nos resta é que somente seres humanos melhores poderão fazer do mundo um lugar melhor para se viver.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento