Os filhos da revolução

Eu sempre quis ser empreendedor. Eu sempre quis ter a minha própria empresa para mandar no meu próprio futuro

Eu sempre quis ser empreendedor. Eu sempre quis ter a minha própria empresa para mandar no meu próprio futuro.

Eu não tenho respeito algum pelo mundo corporativo. Eu não tenho saco para ser funcionário de ninguém. Eu nunca tive paciência para receber ordens via vídeo conferência de algum panaca localizado no outro lado do planeta.

Eu sempre quis ser empreendedor para realizar os meus próprios sonhos e mudar o mundo.

Eu sempre quis ser empreendedor porque não existe chance de ficar milionário trabalhando para os outros. Como empreendedor eu tenho uma chance.

Mas agora, eu quero ser empreendedor por uma razão completamente diferente de todas essas. Uma razão que é de longe muito mais importante para mim do que todas essas razões juntas.

Eu quero ser empreendedor porque eu quero trabalhar junto com os meus filhos.

Eu quero ter a minha própria empresa para que os meus filhos possam trabalhar ao meu lado, para que eu possa vê-los todos os dias, das oito as oito, de segunda a sexta-feira.

Eu não quero ser pai de final de semana. Eu não quero ser aquele tipo de pai que recebe ligação de filho apenas quando ele precisa de dinheiro. Eu não quero ser um pai que não entende bulufas sobre o que o filho faz.

Eu quero ver os meus filhos todos os dias. Eu quero trabalhar com eles. Todos os dias.

A minha filha de sete anos e o meu filho de três anos já sabem o que é a BIZREVOLUTION.

Eles sabem que o pai deles tem uma empresa. Eles sabem que existe um escritório, eles sabem o que é dinheiro e que é muito difícil ganhar dinheiro. Eles sabem o que são clientes e que é muito difícil ganhar clientes. Eles sabem que a única maneira de ganhar dinheiro nessa vida é trabalhar duro, colocar a cabeça para pensar, e o coração para amar.

Eles sabem que eu quero que eles trabalhem comigo. Eles sabem que existe algo esperando por eles quando crescerem.

Dez anos atrás, um empreendedor que eu admiro muito me chamou para dar alguns pitacos no marketing da sua empresa.

Naquele momento ele já contava com mais de 250 funcionários e um histórico de tremendo sucesso. Ainda assim, sempre inquieto, ele queria a minha opinião sobre como fazer mais, como avançar mais rápido, como se posicionar no mercado.

Depois de um passeio de mais de duas horas por todas as instalações da empresa, terminamos no andar da diretoria.

Nesse momento eu percebo um moleque com os seus dezoito anos de idade ocupando sozinho a maior das salas dedicadas a diretoria.

O empreendedor, percebendo que o moleque chamou a minha atenção, vira para mim e fala, "Ricardo, eu quero que você me ajude a revolucionar essa empresa. Eu quero que você me ajude a mudar muitas coisas, mas uma coisa você não pode fazer: me pedir para mandar o meu filho embora. Independente do que vamos fazer, ele vai ficar ali. Ele vai trabalhar comigo. Eu sei que ele não sabe nada de nada, eu sei que ele é muito jovem, arrogante, ingênuo, mas eu quero ele ali. Eu quero ele do meu lado para que eu possa ensinar a ele tudo que eu sei. Eu quero ele do meu lado para que eu possa vê-lo crescer e tocar essa empresa para frente".

Ao ouvir aquilo, dez anos atrás, o meu lado "resultados a todo custo & senso de urgência agora" pirou.

A minha primeira reação foi: "Nunca conseguiremos profissionalizar essa empresa. Nunca conseguiremos chegar a algum lugar decente se o próprio dono da empresa acredita que alguns dos departamentos mais importantes da empresa devem se reportar a um moleque que até pouco tempo atrás usava fralda. Nunca conseguiremos maximizar os lucros".

Foi ai que caiu a ficha. "Por que precisamos maximizar os lucros?".

A empresa já tinha um lucro absurdo. Por que precisamos ganhar R$ 3,4 milhões se já ganhamos R$ 3 milhões de lucro por mês? Por que precisamos maximizar os lucros se a empresa já tem mais de 50 milhões de reais guardados no banco e nenhuma dívida?

Qual é o preço dessa maximização de lucros? A minimização dos conceitos de humanidade, amizade e família dentro das empresas?

Não, obrigado.

Hoje aquele moleque de 18 anos virou um mega empreendedor de 28 anos de idade que toca a empresa que o pai criou com uma pegada cinco vezes mais moderna e mais ágil sem perder a cultura familiar que existe entre todos os atuais 350 funcionários da empresa.

O dia em que o mundo dos negócios abandonar os conceitos de família, o mundo dos negócios vai terminar. O dia em que apenas a "maximização dos lucros" for a motor de tudo, o mundo dos negócios vai para o saco.

Família é tudo. Família de funcionários, família de clientes, família de fornecedores, família de parceiros.

Família.

O mundo não precisa de escolas, o mundo precisa de famílias.

Ponto.

Trate os seus filhos como clientes, e os seus clientes como filhos.

Ponto.

Coloque todos os conceitos de família no centro da cultura da sua empresa e não deixe que a maximização dos lucros estrague o almoço de domingo com a família.

Ponto.

Amanhã nasce o meu terceiro filho, Gabriel, o anjo, o rebelde, o conciliador.

Desde o dia zero, eu vou falar para ele as mesmas coisas que eu venho falando para os meus outros filhos: eu quero que você trabalhe comigo, eu quero ver você dentro da BIZREVOLUTION, eu quero trabalhar com você, eu quero mudar o mundo ao seu lado!

Como bom marketeiro que eu sou, eu tenho certeza que eu conseguirei convencer pelo menos dois dos meus três filhos a trabalhar comigo na BIZ.

Agora, se daqui 15 anos, um deles virar para mim e falar, "Pai, eu quero trabalhar com você. MAS esse negócio de cursos, livros, consultoria da BIZ não está com nada. Eu trabalho com você com uma condição: eu quero transformar a BIZREVOLUTION em uma lavanderia. Pode ser?"

Cara, se isso acontecer, eu vou ser o primeiro a botar fogo na BIZREVOLUTION. Eu vou ser o primeiro a queimar os livros, e destruir tudo que construi. Eu vou ser o primeiro a apertar o botão "deletar" e apagar o site inteiro que eu construi por mais de 30 anos.

Eu não quero que os meus filhos vivam o meu sonho.

Eu quero viver ao lado dos meus filhos para vê-los construir os seus próprios sonhos.

Eu quero apenas ter a oportunidade de presenciar uma reunião onde eles comandam e inspiram com ética, coragem e inovação dezenas de pessoas.

Eu quero estar ali, e aplaudí-los de pé, quando depois de muito esforço, eles conseguirem construir suas próprias marcas.

Eu quero ser estagiário na lavanderia do meu filho!

Amanhã nasce o meu terceiro filho, e a garantia que a revolução não vai terminar comigo.

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