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Os empregos sumiram

E não voltarão. Essa é a triste notícia: o fim dos empregos formais, de carteira assinada, começou há mais de uma década.

OS EMPREGOS SUMIRAM

Eder Luiz Bolson - autor de Tchau, Patrão! (Editora SENAC)


E não voltarão. Essa é a triste notícia: o fim dos empregos formais, de carteira assinada, começou há mais de uma década. As instituições criadas pela revolução industrial para tomar conta de cada etapa da vida das pessoas - do berço ao túmulo - já não funcionam como antes. As mudanças estão ocorrendo na velocidade do pensamento. Estão cada vez mais raros: empresas sólidas (vide o leite derramado pela Parmalat), empregos formais, segurança no emprego, carreiras progressivas, aposentadorias e fundos de pensão garantidos.

Emprego formal para todos tornou-se um sonho impossível por uma série de razões, entre elas: migração do campo para as cidades, mais mulheres no mercado de trabalho, globalização, desnacionalização, privatizações, pirataria, contrabando, desenvolvimento tecnológico e legislação trabalhista ultrapassada. Esses eventos relativamente recentes, atuando isoladamente ou de forma combinada, têm liquidado todas as tentativas ou políticas que objetivam a volta do, agora utópico, pleno emprego.

Segundo o DIEESE, no Brasil é preciso criar 1,6 milhões de empregos por ano apenas para atender o crescimento da população economicamente ativa. São mais de 34 milhões de jovens entre 15 e 24 anos de idade esperando por uma oportunidade. O triste e preocupante é que não existe perspectiva real para proporcionar empregos formais para a juventude, ao mesmo tempo em que aumentam os índices de exclusão social e violência.

A diminuição das vagas formais tem levado os desempregados a tentarem empreender por conta própria, constituindo micro-empresas informais (não registradas), caseiras ou de garagem. As ocupações informais também surgiram aos milhares: sacoleiras, ambulantes, motoboys, lavadores e vigias de carros, jardineiros e consultores de empresas.

A legislação trabalhista brasileira foi formulada na década de 1940. Ela precisa ser reformulada para atender uma era onde a famosa carteira azul vai desaparecer, uma era em que sempre haverá muito trabalho, mas não existirão mais empregos. Não existirão mais patrões nem empregados. Serão clientes pagando pelos serviços a serem fornecidos por um associado ou parceiro. O primeiro passo será facilitar a criação de empresas individuais as eupresas. Isso tudo está previsto no projeto da Lei Geral da Pequena Empresa que está sendo encaminhando para o congresso. Só nos resta torcer para que os senhores congressistas não transformem esse excelente projeto em mais um monstrengo ou numa nova lei do tipo colcha de retalhos.

Felizmente existem cabeças pensantes sintonizadas no novo cenário de fim dos empregos formais. Está ocorrendo no Brasil uma revolução silenciosa chamada empreendedorismo que consiste no ensino de atitudes empreendedoras e modernas ferramentas para planejar negócios. Falta só os governantes entenderem que haverá trabalho para todos, se eles não sufocarem as pequenas empresas e os novos empreendedores com juros altos, burocracia, impostos e leis trabalhistas arcaicas.

Eder Luiz Bolson - www.tchaupatrao.com.br




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