Café com ADM
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OS EFEITOS DA CULTURA DA FACILIDADE.

Em quem confiar ? Que promessas têm sido feitas a você? Sucesso rápido, ascensão econômica, política e social, tudo isso em curto prazo, São estas as propostas que muitos fazem e muitos procuram, mas cuidado com os efeitos que virão, cada um reagirá de uma forma. Muitas vezes, nossos comportamentos acompanham o que dita a moda, parece que não podemos ser diferentes, senão não seremos aceitos, assim é ditada a velocidade no mundo dos negócios, porém no interior de nossas vidas encontramos um mundo diferente. Executivos e executivas, bem sucedidos e solitários em busca de entender o que aconteceu e o que está acontecendo com seu mundo, um mundo que nunca ninguém respeitou, nem eles mesmos, por que não sabiam que seriam cobrados mais tarde. O tempo passou, cada vez mais sucesso, cada vez mais rápido e o que fazer com resultados que chegam quando não se está preparado para lidar com eles? Como desenvolver-se por inteiro se nos é necessário usar toda nossa energia canalizada para resolver problemas na vida profissional, que necessitam de agilidade e que tanto nos seduzem, com seus resultados? Tudo o mais fica para depois e depois estamos sempre cansados e não temos tempo, para a vida, para os amigos, para a família, para cuidar da saúde. Começamos a criar jeitos mais fáceis para dar conta de tudo e então nos vemos gastando mais dinheiro e precisando ganhar mais. Amar de verdade, doar-se para vida e para as pessoas, conviver, conquistar custa tempo, o dinheiro traz facilidades passageiras, por que quanto mais consumimos mais carentes ficamos, então mais teremos que consumir, e mais gastar e mais ganhar. Bem vindo ao mundo capitalista, uma prisão luxuosa e confortável temporariamente. O que acontece não é tão complicado, desde que o ser humano existe, sente uma forte atração por tudo que lhe é oferecido de forma fácil, princípio do prazer é muito melhor que o princípio da realidade. Encurtar o caminho da batalha trás vitórias, prêmios e títulos mais cedo e isto é visto com bons olhos, inclusive pela nossa sociedade com valores capitalistas de consumo e de conveniência barata e marcas caras. Esta semana pude ler uma reportagem sobre meninas de programas, prostitutas de classe média, universitárias, que deixaram de lado o desejo apenas de querer um diploma e lutar por um lugar no mercado de trabalho, para também agora buscarem seus sonhos de consumo, grifes famosas e caras, consumo de alto tecnologia, conforto e facilidade de forma rápida, o que ganham em um dia demorariam semanas ou meses para ganhar, então por que não o fazer? Sentem livres, muitos pais apóiam, o mundo dos que podem comprar é fascinante. Acontece que o remédio da facilidade não traz na bula os efeitos colaterais que as pessoas sofrem: o que fazer com tanto, se o que se tem as vezes é nada, diante das necessidades de se sentir amado, respeitado, querido, admirado e limpo, honesto, verdadeiro. Um mundo que cria monstros interiores, que diz para pessoas normais que devem ser anormais, fazer muito mais que poderiam naquele momento ou que agüentariam fazer, que cada vez mais destrói sonhos e fantasias inocentes, uma cultura do medo. Medo que surge na forma de ser rejeitado, medo de não ser tão bom, medo de não agradar o suficiente. Corpos e carreiras mais que perfeitos, esculpidos de forma rápida, momentos mágicos, bombas de efeito lentamente destrutivos, disfarçadamente maravilhosos e mortais. Uma cultura que transforma pessoas em seres humanos frágeis, com baixo nível de frustração e tolerância, com uma auto-estima comprometida e artificial, prestes a ser derrubada por mais um consumidor de al poder aquisitivo. Não que a vida tenha que ser dura sempre, mas que também não seja fácil sempre, por que o processo de amadurecimento de cada um vale seu tempo, cada um tem o seu, e deve ser vivido, pois nesta fase é que se colhe os entendimentos, as lembranças, as decisões sábias, e isso é que satisfaz. É preciso ser dito, é preciso repetir, quantas vezes forem necessárias, que a vida tem seu tempo próprio e que não se deve acelerar as doses ao viver, pois alguns ouvirão, e aí poderemos começar a dar novos rostos a essa humanidade tão sem face própria, tão omissa e tão oculta. Como professora sou convidada várias vezes a ser facilitadora do aprendizado, e vejo que não existe facilidade ou dificuldade, se não for desejada a forma de uma ou outra por quem aprende, pois nestes poucos cinco anos de ensino superior pude notar que não existe professor facilitador, pois se formos pensar que o aprendizado não é oferecido pronto e sim em forma de convite ao aluno a descobrir, inventar, transformar e ele próprio aprender, esta proposta torna-se a primeira dificuldade, que se vencida é aí que vai haver o crescimento. Uma proposta diferente da que se faz então. Nós é quem escolhemos se queremos aprender de forma mais simples ou passar pelas dificuldades, nós é quem escolhemos se queremos o dez estudando ou com cola, sim aquela cola que é digitada no computador, para ficar mais fácil de ler, para ficar mais de passar para vários amigos e até ganhar dinheiro com isso, sim aquela cola que na hora que você precisa não está junto de suas decisões equivocadas e perversas, com efeitos claramente visíveis nos dias de hoje, com tamanhas negligências em todas as áreas, em nome de uma palavra que já se deformou : o desenvolvimento. Eu acredito que para tudo há seu tempo, e aquilo que é construído rápido demais corre-se o risco de não resistir a fortes ventos, e nosso mundo tem mudado todos os instantes, por isso é que nossas bases devem ser construídas de forma firme e gradativa, por mérito e não facilidades convenientes. As pessoas não conseguem mais ouvir um não, desanimam, desistem de seus sonhos, ficam deprimidas ou persecutórias, e de quem é a culpa? Certamente estaremos arrumando facilmente alguém para colocar, mas o espelho que não é fácil de ser enfrentado nos dirá para que lado olhar. Lembre-se: o que vêm fácil, vai fácil e tem seu preço. Não existe nada como algo que é conquistado com esforço e dedicação, mérito, pois o respeito que construímos nos fortalece para os momentos mais difíceis, que com certeza virão.
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