Orientador Profissional: uma profissão em transição

Por Elias Celso Galvêas

Orientar para a incerteza, para o futuro, para a urgência do presente é o que propomos como alternativa desse momento. No entanto, como fazê-lo se constitui, talvez, no segundo grande desafio, uma vez que o primeiro é a proposta.

INTRODUÇÃO
No Brasil, a disciplina Orientação Vocacional foi originada em 1962, a partir da regulamentação oficial dos cursos de Psicologia. Posteriormente, passou a fazer parte, como habilitação, do currículo do curso de Pedagogia, inserida na área de Orientação Vocacional.

Contudo, a prática desta disciplina vinha se desenvolvendo, há bastante tempo, dentro de organizações públicas, como parte dos processos de seleção para o trabalho. A Orientação Vocacional, portanto, encontra-se historicamente vinculada às finalidades do desempenho do trabalho humano, tendo se constituído, gradualmente, como uma área de saber a serviço do universo laboral. Firmou-se no Brasil, a partir de 1924, através do trabalho de seleção e orientação dos alunos matriculados no curso de mecânica do Liceu de Artes e Ofícios, sob a coordenação e direção do professor Roberto Mange.

Mas foi somente em 1942 que a já não tão nova Disciplina Orientação Vocacional associou-se à área da Educação, mediante a Reforma Capanema que, por sua vez, foi capaz de conferir consubstancialidade legal ao conteúdo desta disciplina.

Nesse ínterim, a Orientação Vocacional passou por importantes transformações, tais como: a adoção de seu conteúdo e metodologia pela Estrada de Ferro Sorocaba (1930), sob a responsabilidade de Ítalo Bologna e (novamente) professor Roberto Mange; pela fundação, em 1931, em São Paulo, por Lourenço Filho e Noemi Rudolfel, do Serviço Público de Orientação Vocacional; o início do funcionamento, em 1937, do Gabinete de Psicotécnica, sob a responsabilidade de Roberto Mange e Osvaldo Barros; até a vinculação, em 1942, da área de Orientação Vocacional à área da Educação.

Portanto, torna-se importante salientar que práticas de OV têm sido usadas, em nosso país, desde o ano de 1924. No entanto, devido à rapidez presenciada nos dias de hoje - do desenvolvimento dos processos sociais e tecnológicos, pode-se constatar que a evolução dos conhecimentos na área da Orientação Vocacional encontra-se em descompasso em relação às reais necessidades do atual mundo do trabalho, constituindo-se, portanto, num conjunto de saberes insuficiente para lidar com os novos problemas humanos referentes a esta área.

Em assim sendo, neste ambiente de profundas e rápidas mudanças, os problemas acumulam-se, tornando-se, com o tempo, cada vez mais complexos, assim como o panorama do mundo do trabalho. A formação de orientadores profissionais no Brasil vem se constituindo num processo evolutivo importante e, ao mesmo tempo, lento. (...).

Como conseqüência, o desempenho da Orientação Profissional (OP) se dá, por um lado, de forma profunda, integrando a totalidade de aspectos a serem tratados na busca da escolha profissional; e, por outro, de forma superficial ou fragmentada, em que partes de uma orientação são vistas como um todo ou, o que se torna mais grave, pela distorção do fazer do OP: restringindo-se apenas a informações parciais, a opiniões carregadas de valores pessoais, à simples aplicação de inventários de interesses (...). ____________________________________________________________Marilú Diez

Lisboa Infelizmente, nosso país possui a imprudente tradição de administrar crises, ou seja, ignorando qualquer espécie de planejamento periódico de medidas preventivas, decisões efetivas importantes só são tomadas quando a situação já é crítica ou caótica, onde, naturalmente, os problemas já são bastante evidentes. E é com esta mesma mentalidade irresponsável que insistimos em acreditar na sorte para formar futuros profissionais para a competitiva arena do atual mercado de trabalho. Paralelamente, ao meio de toda esta confusão, nossos processos educacionais tateiam no escuro, tentando permanentemente encontrar melhores formas de se adaptar às bruscas e rápidas transformações impostas pela atual conjuntura globalizante, camaleônica, incerta e imprevisível, que caracteriza o mercado de trabalho do mundo pós-moderno.

Em nosso país, onde infelizmente o ensino equivale a um conjunto de meras terapias ocupacionais (pois quanse não se educa o indivíduo para exercer uma vida produtiva e ter diploma não é garantia de emprego), raras são as instituições educacionais que mantêm, em seus currículos, programas sérios que objetivem orientar e sensibilizar os alunos sobre a importância da escolha de suas futuras profissões.

Por este motivo, a aplicação acadêmica relativa à Orientação Vocacional principalmente em nível de ensino médio costuma acontecer de forma fragmentada, sem compromisso com diretrizes educacionais que garantam uma continuidade capaz de desenvolver nos alunos a capacidade de enfrentar escolhas, ou conhecer com maior profundidade tudo aquilo que o atual mercado de trabalho pode oferecer.

Portanto, no cenário conturbado e caótico acima descrito, ainda nos resta a seguinte (e importante) indagação: qual o verdadeiro papel do Orientador Vocacional?

Nas sociedades contemporâneas do cenário global e pós-moderno, podemos observar algumas características ou mudanças de paradigma que afetam, por sua vez, diretamente o atual mercado de trabalho, moldando, portanto, as novas funções e atuação do Orientador Vocacional. As características são as seguintes:

1. a existência de novos ou reforçados graus generalizados de: fragmentação, pluralismo e individualismo;
2. vida política, sócio-econômica e cultural extremamente influenciada pelos fatos que ocorrem em nível global;
3. partidos políticos cedendo espaço para novos movimentos sociais, muitas vezes não governamentais, baseados em sexo, etnia, localização, etc.
4. antigas identidades coletivas de classe dissolvendo-se em formas mais pluralizadas; culturas minoritárias, em vez de identidades nacionais;
5. promoção de política das diferenças; a identidade não é unitária nem essencial, mas fluída e mutável; e
6. associação do local com o global, ocorrendo a desindustrialização de muitas regiões e uma reindustrialização baseada em tecnologia de ponta; empresas e pessoas deixando as grandes cidades, preferindo estabelecerem-se em áreas suburbanas ou ex-urbanas.

Resumidamente, estamos vivenciando um momento ímpar de transição histórica, onde, num primeiro momento, parece que, devido ao excesso de laissez-faire característico dos períodos anteriores, perdemos o rumo dos mecanismos que regem o mercado de trabalho, bem como a identidade dos profissionais que nele deveriam estar atuando.

Na verdade, nosso país ainda se encontra apegado a antigos paradigmas e modelos, no meio de um mundo turbulento, imprevisível e globalizado que, por sua vez, exige de todos os jogadores maior flexibilidade e rápida capacidade de transformação.

Em outras palavras, encontramo-nos na seguinte situação: não sabemos como será o futuro, ao mesmo tempo em que não temos mais como nos utilizar de experiências e diretrizes passadas para nos orientar no presente pois elas não estão sendo mais adequadas aos novos modelos que se apresentam.

Ainda segundo Marilu Diez Lisboa, "O orientador de nossos dias não pode prescindir do conhecimento profundo dos processos mundiais no âmbito econômico, político e social. Sem esse conhecimento como base não poderá orientar para o mundo do trabalho nem ajudar seus orientandos a encontrarem efetivamente seus caminhos. Estamos vivendo nesse momento como numa situação em que as pessoas desconhecem o lugar onde estão e necessitam nele sobreviver".

Precisamos, portanto, de novos profissionais que sejam aptos a desvendar os novos desafios que se apresentam no mundo globalizado. Torna-se imprescindível aos atuais Orientadores Profissionais uma formação geral, integral, trans e interdisciplinar, capaz de conferir a este profissional uma visão - holística, dinâmica, flexível e panorâmica - de tudo o que acontece no atual e turbulento mercado de trabalho local, regional e global. Enfim, o atual profissional de OP precisa ser um profundo conhecedor e estudioso da realidade na qual atualmente estamos inseridos, fazendo-se, paralelamente, de sujeito e observador de uma mesma realidade.

Desta forma, o novo perfil do Orientador Profissional parece estar gradativamente se delineando no horizonte. Além da extrema imprevisibilidade - marcada por periódicas ondas de recessão e desemprego -, o atual mercado de trabalho encontra-se extremamente exigente, requisitando, cada vez mais, trabalhadores polivalentes, mais especializados, e com visão interdisciplinar dos processos, em todos os sentidos .

Hoje em dia, ser simplesmente alfabetizado não basta: o exigente mercado de trabalho moderno exige igualmente conhecimentos - que não seja, tão superficiais - sobre comunicação, línguas estrangeiras, e informática.

Porém, infelizmente, vivemos em um país onde nem o ensino ou o professor são realmente valorizados e levados a sério, fato que, por sua vez, contribui para o generalizado desinteresse profissional por parte da classe docente. Parece que investir em educação é uma medida incapaz de despertar interesses políticos genuínos, posto que, por ser uma medida dispensiosa, e cujos resultados são colhidos em longo prazo, não trás, aos nossos políticos, reconhecimento ou votos imediatos.

Mas, por outro lado, o problema da educação, em época de eleição, transforma-se rapidamente em bandeira política para toda a sorte políticos demagogos. Nesta situação, é triste constatar que dificilmente conseguiremos sanar o problema do desemprego e atingir as configurações de um país de 1º mundo, pois estamos permanentemente contando com um sistema educacional caduco e ineficaz, incapaz sequer de diminuir os índices de analfabetismo em sua totalidade.

E o pior: quando toda uma estrutura de ensino passa a ser incapaz de garantir renda e emprego aos indivíduos, é sinal de que temos uma situação extremamente séria a ser resolvida, e tal situação certamente possui suas raízes na estrutura do sistema educacional. Ademais, nas atuais sociedades ocidentais, apesar do rápido desenvolvimento tecnológico, tem-se constatado, já há algum tempo, uma excessiva preocupação com o capital e o lucro de grandes instituições transnacionais (muitas vezes mais poderosas do que grandes países), preocupação esta sempre acompanhada de políticas ultra-liberais que se destacam por apresentarem, invariavelmente, uma visão excessivamente técnica que acaba por provocar a crescente e gradativa desvalorização e empobrecimento do ser humano.

Resumidamente, estamos vivenciando uma profunda mudança de paradigmas, capaz de fazer com que os fatores de produção, capital, homem e trabalho gerem produtos (ou resultados) cada vez mais injustos, fragmentadores e desumanizantes. Segundo a própria Marilu Diez Lisboa: Mais do que isso, agora estamos vivendo o que poderíamos chamar de mudança de paradigma quanto ao trabalho na sociedade que, em nome de necessários desdobramentos de processos econômico-sociais, configura-se como uma evolução em avanços tecnológicos sem que, absolutamente, se considere o ser humano parte da sociedade.

Utilizando a tese do Neolítico Moral de Gianetti da Fonseca (1994), vemos que o próprio progresso material é diretamente proporcional ao declínio moral ou à erosão da ética na sociedade. Quanto ao questionamento do atual papel do Orientador Profissional nas sociedades contemporâneas, onde os problemas supracitados atingem seu clímax, pode-se dizer que a práxis fundamental que norteará a atuação do profissional de OP perpassa basicamente por: ajudar o orientando a se ver como sujeito ativo de sua própria trajetória, comprometido com seus ideais, objetivos de vida e trabalho, contextualizado numa realidade mutante, problemática e imprevisível como a nossa - e com a qual ele precisará aprender a lidar o quanto antes.

Prova de que escolhas da profissão, quando possíveis, estão desprovidas de qualquer compromisso com a sociedade em nosso país está nos comportamentos que testemunhamos toda vez que abrimos um jornal ou de qualquer outra forma que os noticiários cheguem a nós: corrupção, erros graves, falta de ética, (...). Assim, é também um compromisso da OP o atingimento mais abrangente do indivíduo, ajudando-o a abrir a consciência para o seu futuro - e, muito mais amplo do que possa parecer, para o seu papel profissional. ___________________________________________________Marilu Diez Lisboa

Em busca de estatísticas perfeitas e números convincentes, a mentalidade burocrata e tecnicista - que ainda persiste em predominar em nossas sociedades não se cansa de realizar programas que os próprios técnicos sabem que são insólitos, paliativos e ineficazes; mas que, por outro lado, os permitem manipular números e apresentar resultados tecnicamente coerentes e aceitáveis, sempre atacando as crises de maneira ineficiente e superficial (pois a real preocupação está voltada para os fechamentos numéricos esperados). Quando muito, conseguem solucionar os problemas de maneira parcial e insatisfatória. Com toda esta baboseira numérica e parafernálias mecanicistas, entorpecidos pelas teorias complexas e cálculos complicados, estes burocratas do velho milênio se refugiam nas suas planilhas de Excel, e parecem, invariavelmente, estar indiferentes ao que realmente acontece em torno deles e, ocupados em maquiar a verdadeira realidade com seus números precisos, raramente param para refletir o quão catastrófica, em termos microeconômicos e sociais, está sendo sua atuação.

Tentando aplicar uma visão mais humanista à atual conjuntura, creio ser inconcebível atuar como Orientador Profissional (OP) sem que se trabalhe, paralelamente, uma conscientização mais ampla entre jovens e adultos, objetivando, principalmente, a sensibilização dos mesmos no que diz respeito a tudo que de fato ocorre em nossas sociedades, ou seja, conferir aos indivíduos uma visão que abarque, de maneira interdisciplinar, as mais variadas dimensões: econômica, política, social, educacional, etc. Com isto, ao conferir ao OP uma formação geral, flexível, interdisciplinar, eclética e polivalente, estaremos contribuindo para a construção de uma mentalidade (ou formas de pensar) mais crítica, eclética e polivalente, onde o conjunto de saberes provenientes de inúmeras outras disciplinas - História, Filosofia, Educação, Psicologia, Sociologia, Economia, etc. -, seriam capazes de constituir um corpo de conhecimento instrumental que, por sua vez, permitiria - o profissional de OP - pensar com mais profundidade, segurança, autoridade e consistência, sobre as questões - gerais e específicas - do mundo globalizado contemporâneo. E este trabalho de contingência e convergência de saberes não será, de maneira alguma, uma tarefa de fácil elaboração para a Educação, tampouco para os profissionais de OP. Ainda de acordo com Marilu Diez Lisboa, De alienação, já temos suficiente por conta do próprio sistema capitalista que coisifica o ser humano, tornando-o uma mercadoria a serviço de quem domina os meios de produção e o domínio social. O trabalho, como ação humana, está diretamente comprometido com o que ocorre na sociedade em seus vários âmbitos, reforçando ou rompendo o sistema. Reforça é o mais comum, uma vez que romper implica em mudanças de grande complexidade. Tendemos a repetir, a reproduzir o que nos é dado, sem nos apercebermos do quanto o indivíduo participa da contração da sua e da história da sociedade. Portanto, o campo de atuação do OP não deve se restringir apenas em auxiliar o orientando na descoberta de uma ocupação que satisfaça seus desejos pessoais, tampouco se resume na simples inserção do indivíduo no mercado de trabalho: trata-se, por outro lado, de direcionar o orientando a fim de que o mesmo possa tentar escolher e desempenhar seu papel profissional de maneira crítica, tentando gradativamente adquirir, com o tempo, uma visão global, ampla e profunda sobre a conjuntura imediato (e mediata) do contexto histórico e social no qual se encontra inserido. Com isto, espera-se que - implantada esta nova mentalidade - o orientando tente paralelamente construir uma trajetória profissional flexível, mais segura, e suficientemente capaz de promover permanentemente a conciliação e o equilíbrio entre os verdadeiros valores humanos e as reais e imediatas necessidades de nossas sociedades da qual fazemos parte.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

"(...) Sabemos que o orientador profissional é, na verdade, um mediador. Portanto, seu fazer implica relação entre sujeitos, o que inclui pontos sensíveis como estabelecimento de confiança, efetivo preparo científico e técnico e comportamento ético no seu sentido mais amplo e profundo para com o orientando, as instituições e a sociedade". ______________________________________________________Marilu Diez Lisboa

Como considerações finais, seria bom lembrar a importância de se elaborar, com maior clareza, formas mais sistematizadas no que diz respeito à constituição da formação do orientador profissional, considerando, é claro, não só o novo ambiente no qual ele atuará, mas também levando em consideração a adaptação do profissional ao novo perfil exigido dele pelo contexto em que vive, adaptando-os continuamente às novas demandas do complexo mercado de trabalho contemporâneo. Pode-se dizer, inclusive, que o perfil do novo orientador profissional - e sua conseqüente formação já estão sendo gradativamente delineados, encontrando-se ainda em franco processo de construção, onde se tenta, permanentemente, adequar a práxis do orientador profissional, bem como o atual corpo de conhecimento peculiar à área, às rápidas transformações sociopolíticas e econômicas que ocorrem freneticamente nos contextos dos âmbitos: local, regional e global. Para recapitular e sintetizar o conjunto de idéias aqui apresentado, Marilu Diez Lisboa propõem alguns pontos que sintetizam a questão do fazer e da práxis do orientador.

Os pontos são os seguintes:
1. a constituição da identidade do orientador, que deverá pressupor o conhecimento, a capacidade de análise, e a apropriação de sua trajetória como indivíduo, cidadão, profissional e orientador, levando sempre em consideração o seu próprio processo de escolha profissional;
2. a sua própria percepção objetiva - desde a formação de sua identidade pessoal -, que imprime significado àquilo que o orientando pensa ser trabalho, bem como a observância contínua de seus modelos de identificação ou outros significativos;
3. a adequada apropriação da questão profissional em seu contexto familiar como parte de um grupo social e cultural, ressaltando suas peculiaridade com base na totalidade do mundo do trabalho passado, presente e futuro;
4. reconhecer-se como ser social e ideológico, em constante busca de uma maior compreensão de sua própria formação ético-valorativa, observável na estruturação, não apenas centrada na sua escolha profissional, mas igualmente como determinante de seu agir profissional;
5. buscar uma maior compreensão do mundo do trabalho presente e futuro, fazendo uso do exercício de sua visão crítica e prospectiva em relação ao significado da profissão como compromisso com a sociedade;
6. reconhecer, sempre que possível, as suas limitações como especialista em determinada área de conhecimento, buscando continuamente o aprofundamento de suas competências e habilidades, relativas ao seu campo de atuação, ao mesmo tempo em que procura - em outras áreas do saber humano um conjunto de complementos capazes de integrar as diferentes áreas do conhecimentos de maneira eclética e interdisciplinar agregando, com isto, real valor ao trabalho realizado.

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Referência Bibliográfica
Diez Lisboa, Marilu, A formação de Orientadores Profissionais: um compromisso social multiplicador (páginas 11-22).
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