As constantes mudanças de cenários, a instabilidade do mercado econômico e financeiro, assim como o crescente aumento de informações dentro do processo empresarial, levaram as organizações, a partir das últimas décadas, a um planejamento de suas ações.

O Orçamento Empresarial é uma das ferramentas que corrobora de forma ampla para que a empresa busque a sua sobrevivência no mercado, visto que nele, se projetam as receitas de vendas, os custos e as despesas operacionais e com investimentos.

Uma vez que o orçamento traz projeções de resultados esperados, o mesmo pode conter erros que podem influenciar diretamente no planejamento empresarial como um todo. Em cenários mais hostis, com economia instável ou em empresas que estejam em processo de transição de gestão ou de processos, o risco do orçamento projetado não se concretizar torna-se ainda mais presente.

A busca pela proximidade entre as duas pontas do orçamento, ou seja, o projetado e o concretizado, pode ser um grande diferencial entre as empresas no que tange à competividade. Essa ferramenta chamada Orçamento Empresarial deverá ser construída dentro dos parâmetros e condições que propiciem seu sucesso, e assim, consequentemente, o sucesso da empresa.

Vários são os tipos de orçamentos que podem ser implantados nas empresas, porém cada um tem sua peculiaridade e conveniência.

Em um ambiente pouco conhecido ou em processo de adaptação, o orçamento baseado somente em histórico, chamado Orçamento Base Histórica ou Incremental pode ser cômodo, rápido e de baixo custo para sua elaboração, mas não envolve diretamente a equipe de trabalho que buscará a concretização do orçamento.

Os processos orçamentários podem ter início de cima para baixo (top down), quando a alta administração elabora o orçamento para que os níveis inferiores o cumpram; ou ainda de baixo para cima (bottom up) que é quando os executivos dos níveis mais baixos da empresa participam efetivamente da elaboração do orçamento.

A administração empresarial, cada dia mais adota uma gestão participativa, que abre espaço para os diferentes pontos de vista de quem executa as tarefas, e por isso, os métodos de orçamento que envolvem seus colaboradores de baixo para cima tendem a ter efeitos positivos quanto a motivação das equipes executoras do planejamento orçamentário.

Sardinha (2008) diz que o sistema orçamentário somente logrará sucesso se os envolvidos em operá-lo tiverem participação ativa na elaboração das metas a serem atingidas.

Além da não participação efetiva da equipe, o Orçamento Base Histórica, quando operacionalizado em momento de transição, priva a nova gestão de se envolver com toda a equipe e, concomitantemente, de conhecer mais a fundo o negócio e processos da empresa. Os executivos não poderão dar suas contribuições e nem transmitir a cultura organizacional para a nova administração.

Já, o Orçamento Contínuo, ou Moving Budget, como também é conhecido, é adequado para empresas com produtos com ciclo de vida muito curto ou processos que exigem rapidez nas mudanças. Os adeptos desta ferramenta de gestão acreditam que planos realistas podem ser feitos continuamente por força das circunstancias e por considerar que as informações contidas neste orçamento são as mais verdadeiras e atuais até o momento.

Este sistema é prático e fácil de implementar e gerenciar, requer menos tempo de elaboração, assegura verdadeira responsabilidade, prediz o futuro monetário e resulta em um orçamento mais preciso que as aproximações dos orçamentos tradicionais.

O Orçamento Base Zero é uma outra abordagem de planejamento que se distingue dos outros embasamentos teóricos. Sua elaboração parte do princípio de que todos os gastos precisam ser claramente especificados e aprovados individualmente fornecendo assim uma alocação eficiente dos recursos direcionados aos objetivos de cada departamento.

Para sua elaboração é necessário o envolvimento dos gestores a fim de explanar tudo que será realizado em seus departamentos e que acarretará em geração de gastos, não havendo necessidade de se espelharem em períodos já ocorridos.

Desta forma, segundo Carlos Alexandre Sá (2014), o OBZ (Orçamento Base Zero) é formulado com o consenso e participação dos níveis hierárquicos inferiores da empresa trazendo motivação para que todos caminhem para o cumprimento dos objetivos propostos.

Contudo, devido a construção de um OBZ ser tão minuciosa e depender de muitos envolvidos pode ser demorado e oneroso para a empresa, sendo necessário maior atenção e acompanhamento de seu controle. Sua implantação não precisa ser feita para toda a empresa no mesmo momento, podendo iniciar em um departamento de cada vez, porém é importante ter cuidado para que os departamentos ainda não envolvidos gerem gastos excessivos prevendo a futura implantação. Ou seja, aumentem seus custos para que quando da implantação tenham folga no orçamento.

Na prática, podemos observar que para empresas de pequeno porte o OBZ pode ser elaborado por seus administradores, já em empresas de grande porte normalmente é necessário a contratação de consultorias para auxiliá-los. Contudo a dificuldade está em companhias de médio porte que não apresentam estrutura para orçamento e também tenham dificuldade financeira para contratação de terceiros para a execução do projeto.

Neste último caso se faz interessante a aplicação do OBZ apenas em alguns departamentos, os mais críticos, e para os demais departamentos aplica-se outro método de orçamento.

Já, no que concerne em implantar o Orçamento Flexível, uma variável importe é que as informações devem ser confiáveis, além de estarem devidamente separadas entre custos fixos e variáveis. O orçamento flexível auxilia o gestor na descoberta de sua capacidade de produção e calcular os custos de cada atividade. Caso a empresa não tenha esses custos de forma clara, esse tipo de orçamento pode não ser tão propício, gerando projeções errôneas e consequentemente, afetando o fluxo de caixa projetado.

Resumindo, o orçamento não é uma receita pronta e sim uma adequação aos objetivos de cada empresa.

Cada metologia traz vantagens e desvantagens para sua implementação e caberá ao gestor analisar o mais adequado para a organização.

Por fim, cada tipo de orçamento pode colaborar ou não num período de transição e somente a ponderação e análise poderão levar a empresa ao escopo do orçamento que é a concretização do lucro almejado e da viabilização precisa do fluxo de caixa projetado.