Online Grocery: os diferentes modelos na separação de pedidos de alimentos

Você já parou para pensar no quão complexa pode ser uma operação de venda envolvendo alimentos?

O e-commerce vêm se destacando ano após ano com seu forte crescimento e poder de alcance. Em 2014 o e-commerce de bens de consumo faturou 35,8 milhões de reais, ou seja, um crescimento de 24% em relação a 2013, segundo aponta o 31º relatório Webshoppers.

Com um mercado mais maduro e em constante crescimento no Brasil, eis que surgem novas oportunidades de atuação, entre elas o setor alimentar. Produtos frescos, resfriados e congelados compõem a complexidade desta operação, e com eles problemas atrelados a armazenagem, logística e manuseio são inevitáveis.

Nota-se, que o tema ainda é embrionário no Brasil e as informações sobre o assunto ainda são pouco difundidas. Sendo assim, este artigo tem como objetivo desmitificar o e-commerce de alimentos no que se refere a separação de pedidos.

Separação de Pedidos

A separação de pedidos é apenas uma das grandes decisões que a empresa deve definir na hora de montar o seu plano de negócios. A decisão está atrelada primordialmente ao investimento inicial e posteriormente ao ganho de escala da operação.

Sabe-se que hoje o Online Grocery pode operar com três diferentes modelos de picking - leia-se picking como a ação de coletar itens no momento da separação do pedido – são eles: picking em loja compartilhada, picking em operação terceira e picking no centro de distribuição/dark store.

Picking em loja compartilhada

A operação compartilhada consiste na atuação de uma operação de e-commerce, neste caso alimentar, dentro da mesma estrutura de uma loja física.

Toda a parte de picking é realizada por um funcionário da operação que faz a coleta manualmente na prateleira da loja física (item a item).

Os pontos positivos neste modelo são o baixo investimento inicial, uma vez que utiliza as estruturas de uma loja física e ainda há a facilidade em implementar e expandir o modelo para outras lojas do grupo.

Os pontos negativos neste modelo são o baixo ganho de escala, uma vez que a loja possui o fator limitante de espaço e não há possibilidade de automatização do processo. Há ainda o problema com o gerenciamento de estoque, que deve ser realizado com rigor para evitar ruptura na loja física e no e-commerce e evitar eventuais problemas atrelados a quebra.

Obs. Nota-se que neste modelo a quebra é rateada entre a loja física e o e-commerce de acordo com o faturamento mensal de ambos.

Temos como exemplo atualmente o Pão de Açúcar e o Mambo, que operam neste modelo.

Picking em operação Terceira

O modelo de picking em operação terceira está atrelado primordialmente a uma plataforma que consolida, através do XML, todas as informações de produtos, preços e estoque dos varejistas e oferece a opção para que o cliente final realize as suas compras através da plataforma em qualquer uma das lojas parceiras.

Quando algum cliente realiza um pedido através deste modelo, a plataforma se encarrega de enviar a ordem de compra para um de seus Personal Shoppers, que realiza as compras na loja solicitada e entrega direto ao cliente final. Trocando em miúdos, seria uma espécie de Uber no mundo das compras.

O ponto positivo deste modelo é, sem dúvida, o baixo risco da operação, uma vez que a empresa não é detentora do estoque e muito menos possui vínculos empregatícios com os Personal Shoppers.

O principal ponto negativo deste modelo é o baixo valor agregado entregue ao cliente final, uma vez que não possui uma frota especifica para acondicionar os produtos, não possui embalagem diferenciada e costuma ser ligeiramente mais caro (as empresas trabalham com mark-up de até 20%).

Temos como exemplo atualmente o site Carrinho em Casa, no Brasil, e o Instacart.com nos EUA.

Picking no Centro de Distribuição ou Dark Store

O modelo de picking no centro de distribuição ou dark store é mais simples de ser compreendido, uma vez que se aproxima mais de um modelo tradicional de não alimentos.

Vale destacar que o centro de distribuição e a dark store são modelos distintos, mas que trazem a mesma ideia central.

Dark Store

A Dark Store consiste na criação de uma estrutura dedicada exclusivamente a operação online. A estrutura é muito similar a uma loja física, porém fechada ao público externo, o que garante um aumento na produtividade e facilidade de desenhar o layout da operação de acordo com a necessidade do negócio. Exemplo: Criação de uma gôndola com produtos mais vendidos.

O ponto positivo desta operação é a possibilidade de trabalhar com o modelo de click-and-collect (uma espécie de drive thru) e há ainda o benefício do estoque ser totalmente dedicado a operação online.

Nota-se, que este modelo é um passo anterior ao centro de distribuição, deixando a desejar, entre outras coisas, a automação dos processos.

Temos como exemplo a Tesco.com, que já se beneficiou da dark store para desenvolver o seu negócio.

Centro de Distribuição

Com um alto investindo para ser construído o centro de distribuição foca na automatização da maioria dos processos, como até mesmo o picking, e garante uma escalabilidade muito maior para a operação. Grandes redes como Tesco e Ocado já utilizam o modelo em suas operações.

Recentemente o ex-diretor de Online Grocery do GPA, Eduardo Adrião, anunciou a substituição do picking em loja compartilhada para o modelo de Centro de Distribuição. Segundo ele, o CD terá um novo sistema de picking gerado por grupo de produtos e não mais por pedidos, otimizando assim a produtividade da operação. A ideia do grupo é expandir futuramente o modelo para as regiões Nordeste e Centro-Oeste.

Enfim, nota-se que o modelo de separação de compras deve ser escolhido de acordo com a estratégia da companhia e budget disponível para investimento.

Acredita-se ainda, que o modelo menos indicado para iniciar uma operação hoje no Brasil seja o compartilhamento de loja, devido a falta de escalabilidade da operação, problemas operacionais, entre outros.

Segue abaixo um vídeo que demonstra um pouco do trabalho realizado pela Ocado, uma grande companhia no Reino Unido:

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