Olha quem está falando

Profissionais de sucesso não são motivados por paixões e isso implica compreendermos que o marketing está intimamente ligado a convencer o consumidor a optar pelos nossos produtos e serviços, em vez de optar pelo concorrente. Quem disse que para provarmos que estamos certos, precisamos começar provando que o outro está errado?

Ao abrir o meu Facebook percebi que estava colorido. Olhei para as fotos dos colegas e pensei: Adorei, vou colorir a minha foto também. Modismo? Sei lá, não me importo. Gosto da frase de Antoine Lavoisier que diz: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Acredito que através das ideias alheias conseguimos encontrar estimulo para fazer florescer as nossas próprias ideias. No entanto, antes de colorir o meu face, fui buscar compreender o motivo de todas aquelas fotos estarem coloridas.

Compreendi que o objetivo é bem maior que enfeitar o Facebook. Comparei a uma grande final de futebol, onde dois times se enfrentam, cada torcedor individualmente torce pelo seu, mas para animar o time e dar-lhe motivação, criam-se as torcidas organizadas.

Nessas torcidas o grupo é altamente dividido pelas bandeiras e também camisetas. Mas é claro que muitos nem sabem o porquê estão ali, na entrada do estádio, compram a camiseta mais bonita, e nem percebem que a decisão de vestir uma camiseta, automaticamente a faz optar por um lado. É o que podemos chamar de partidarismo que nada mais é do que o ato de tomar partido de algo ou de alguém.

Mas como somos livres, e vivemos em uma democracia, todos nós temos o direito de fazer as nossas próprias escolhas e tomar as nossas próprias decisões, certo? Sim, desde que estejamos também preparados para sofrermos as consequências das nossas atitudes, principalmente quando a motivação é simplesmente concordar ou discordar de alguém. Não entendeu? O filme de hoje é: Olha quem está falando.

Será que é correto um empresário, um profissional entrar nesta onda de partidarismo? Penso que o versículo seguinte traduz claramente: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” (1 Coríntios 6:12). Sendo assim, tudo é permitido, mas nem tudo é conveniente. É conveniente um profissional expor sua concepção pessoal para os clientes? Principalmente quando sabemos que se trata de algo totalmente individual e variável, funcionando de acordo a formação, a cultura, a vivência e o caráter de cada um?

Religião, opção sexual, política e futebol, são assuntos polêmicos, que sempre resultam na velha e boa discussão do que é certo e do que é errado, provocando discórdias e colocando em risco a ética da empresa e do profissional. Credibilidade não é algo que se ganha da noite para o dia; as nossas escolhas e decisões é que constroem a nossa história e dão vida à empresa. Infelizmente condutas antiéticas, práticas desleais e até conflitos de interesse interferem negativamente na vida profissional de cada individuo e algumas atitudes geram prejuízos e colocam em risco à carreira do profissional. Muitas vezes o partidarismo prejudica os negócios e a carreira, pois sempre vem acompanhado de exclusão. Como?

1. Ao decidimos atuar em determinado segmento ou público, exploramos exatamente as suas necessidades particulares que estão sendo pouco exploradas, e é lá que atuamos. Isso facilita para o cliente, que ao buscar o produto ou serviço, sabe exatamente onde procurar. Mas existem algumas áreas de atuações que são bem mais diversificadas, onde buscamos clientes de todos os tipos, gostos, crenças, times e opções sexuais. Será que um torcedor fanático do Flamengo vai entrar satisfeito em uma loja onde está estampada na porta a bandeira do Vasco? Sem contar nos vendedores que insistem em exibir a camiseta do time coração. Com a concorrência acirrada, e o mesmo produto sendo vendido do lado, qual será a escolha do cliente, que ao olhar para loja já se sente totalmente afrontado e discriminado?

2. Quando optamos pelo Marketing do Egocentrismo: Quem já não ouviu a frase: A propaganda é a alma do negócio? Sim, por isso que deve ser objetiva, cuidadosa e jamais provocar qualquer tipo de exclusão. Infelizmente somos tendenciosos a praticar esse marketing egocêntrico, quando de maneira descuidada fazemos uma propaganda pensando apenas no cliente ou de maneira contrária quando não pensamos no cliente. Toda publicidade, seja ela pessoal ou profissional, deve ser consistente com o nosso objetivo principal. Isso significa que não devemos patrocinar ou fazer marketing de determinado time de futebol só porque somos fã, a não ser que essa junção esteja aliada ao nosso objetivo principal.

Profissionais de sucesso não são motivados por paixões e isso implica compreendermos que o marketing está intimamente ligado a convencer o consumidor a optar pelos nossos produtos e serviços, em vez de optar pelo concorrente. Quem disse que para provarmos que estamos certos, precisamos começar provando que o outro está errado?

" Os indígenas em seu nudismo selvagem conseguem manter o respeito e o trabalho mútuo entre eles, enquanto nós, vestidos da sabedoria do homem moderno, nos atropelamos nos interesses que nos afastam da coletividade.” (Jader Amadi)

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