Olá! Tudo bem?

Quando perguntamos isso uns aos outros, queremos realmente ouvir a resposta?

Vive-se um tempo em que o olhar crítico à vida do outro se tornou um espetáculo. A velha pergunta, conhecida de todos, é ouvida por todos os lados onde os conhecidos, que não se viam há algum tempo e aqueles que estão se vendo pela primeira vez: “Oi! Como vai? Tudo bem?” Mas, o que de fato pensa quem faz essa pergunta? Estaria realmente disposta a saber do problema, da dor daquela outra pessoa e resolver? Teria ela ouvidos para ouvir o que se passa de fato com ela?

Tornamos-nos andarilhos com sacos invisíveis nas costas, alguns maiores que outros. Conseguimos enxergar até mesmo o que o outro carrega, mas o que levamos, mesmo sentindo o peso, desconsideramos ao achar que o do outro é mais digno de consideração. Na verdade, a miséria, a dor, a desgraça, a penúria do outro sempre se nos apresenta como uma atração. Entretanto tudo muda quando encontramos alguém que nos ouça de verdade.

Já percebeu como a deselegância faz parte de nós? Isso não é uma questão de educação, mas de cultura. Perguntamos como as pessoas estão, mas não queremos saber. Com toda a nossa inquietude o que precisamos, realmente, é que ela responda que está tudo bem e nos devolva a pergunta com um sonoro: “e você?” para que possamos expor tudo aquilo que nos perturba. Naquela hora quase que gritamos, em uma realidade paralela, para que tire de nossas costas aquele matulão pesado que carregamos. Mas tudo muda quando começamos a falar.

Aquela pessoa que antes respondera que tudo estaria bem, agora, movida pelas lembranças da dor que exprimimos, nos interrompe para contar o que ela tem passado. E a partir daí se começa uma disputa para ver quem tem a dor maior. Se um fala da esposa o outro responde: “nem te conto da minha”; se fala do marido, a outra diz: “você precisa ver aquele que tenho lá em casa, um barriga de chopp!”. Se começa a falar de uma úlcera que se tem a outra pessoa pergunta: “a tua sangra? Porque a minha, nem se fala...” E segue-se nessa luta todo mundo bem e todo mundo mal; cada um perguntando e querendo saber da vida do outro, fazendo uma crítica, caluniando às vezes aqui, difamando outras ali, mas o que todos precisam mesmo é encontrar alguém que os escute de verdade, sem crítica, sem julgamentos, um ouvido de alguém que não esteja sedento pra despejar suas histórias de dor também.

E aí... tudo bem com você?

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento