Ocupação produtiva, o Sebrae e os "S"

O Sebrae vem oferecendo contribuição ao processo de incentivo aos empreendimentos de pequeno e micro porte, gerando emprego onde vive o cidadão e empreendedor, e não apenas nos grandes centros ou nos polos já conhecidos. Pode, contudo, avançar mais na geração de novos empreendedores e novos empreendimentos

A ocupação produtiva é, inegavelmente, uma das mais marcantes características das sociedades pós-industriais. Esse é um crucial e importante desafio a ser enfrentado pelo mundo moderno. Um livro famoso em todo o Mundo é justamente intitulado O Horror Econômico, da francesa Viviane Forrester.

Ela e outros contemporâneos levantam, em resumo, a assustadora tese de que... a era do emprego já passou, há mais de duas décadas, e o Mundo simplesmente não se apercebeu disto! O desdobramento dessa tese traz um corolário cruel, mas não de todo despropositado, — é que os pouquíssimos empregos que ainda surgirem caberá apenas a uma diminuta elite, restando à maioria dos seres humanos vegetarem sem qualquer ocupação produtiva.

Poder desfrutar da visão de um País onde prosperem os pequenos empreendimentos é, sem dúvida, bem melhor que ter como muitas nações, o subjugo do peso de poucas e gigantescas corporações multinacionais.

Aos que realmente têm a intenção de lutar por um desenvolvimento mais justo e democrático, com a consequente solução para os problemas do desemprego, devem unir-se em torno da defesa das micro e pequenas empresas, empreendimentos que podem mais equilibradamente promover a distribuição da renda e disponibilizar emprego condigno aos grandes contingentes de trabalhadores. Além de promover a prosperidade do Estado, da Região ou do Território, ao tempo em que minimiza as desigualdades sociais e regionais.

Em artigo sob o título "Paradigma do crescimento responsável" o economista Ignacy Sachs, professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales e diretor do Centre de Recherche sur le Brésil Contemporain, Paris, afirma "É importante refletir sobre as políticas públicas necessárias e incentivar o novo paradigma de crescimento responsável ambientalmente e socialmente, em particular, com a criação de pequenas empresas especializadas”.

Para tanto devem, sem perda de tempo, serem acionadas políticas de identificação de nichos e oportunidades de negócios potenciais, geradores de ocupações produtivas, e que sejam apoiados em instrumentos de capacitação e assessoramento organizacional, além de linhas de financiamento compatíveis com o tamanho, a cultura e a resposta social oferecida pelos pequenos empreendedores. O SEBRAE tem um raio de ação privilegiada nesse campo. E, não vem aplicando em sua plenitude!

O SEBRAE vem oferecendo contribuição ao processo de incentivo aos empreendimentos de pequeno e micro porte, gerando emprego onde vive o cidadão e empreendedor, e não apenas nos grandes centros ou nos polos já conhecidos. Pode, contudo, avançar mais na geração de novos empreendedores e novos empreendimentos.

Assim ele exerceria a indispensável função de ativar as vocações empresariais pré-existentes, de utilizar os programas de aproveitamento das tecnologias apropriadas, de executar projetos e programas voltados para a criação e manutenção do emprego e da renda, de mobilizar a sociedade em defesa de seus interesses e, finalmente, de educar os próprios empreendedores e trabalhadores.

As Prefeituras Municipais são importantes parceiras naturais nesse processo. Contudo, para oferecerem com maior eficácia e efetividade às suas contribuições precisam contar com modelos e métodos de modernidade e organização da sua Gestão e Capacitação Equipes. E, para tanto, os Prefeitos podem e devem, sem a menor dúvida, contar com o apoio do Sistema “S”. Este sim, conta com disponibilidade de recursos e investimentos que as Prefeituras não dispõem para implantarem seus Projetos Organizacionais e de Desenvolvimento de Recursos Humanos!

Diante das sucessivas transformações do macro ambiência – política, econômica, social, tecnológica e de gestão – e da urgente necessidade de que todos se adequem à era do conhecimento, é de todo necessário e salutar que as instituições, principalmente as de fomento, comecem a conceber, disponibilizar e implantar ideias concretas, compatíveis com as vocações e potencialidades de cada Região e/ou microrregião e mais coerente com as realidades localizadas.

A proposta básica é a de se voltar mais predominantemente para incentivar o setor produtivo de pequenas comunidades interioranas, com um processo ao mesmo tempo indutivo e educativo, no sentido de fazer com que as lideranças locais, com o apoio de instituições parceiras, entre elas as Instituições pertinentes do Estado, Associações de Classe, SEBRAE/PB e outras, se mobilizem e sejam despertadas para algumas riquezas que estão muito próximas.

O estímulo e o incentivo à implantação de micros e pequenos empreendimentos no interior e a utilização do potencial dos existentes contribuirá, não só para a geração de oportunidades de ocupação produtiva nos locais onde as pessoas vivem, como oferecerá melhor distribuição pessoal e espacial da renda, além de trazer uma série de vantagens em relação aos tradicionais modelos de desenvolvimento.

Não há mais tempo a perder! É preciso rever o Mapa Mental dos que respondem e são responsáveis pelas aplicações práticas dessas propostas e adotar o necessário e importante dinamismo ao processo.

Publicado originalmente no blog Missão Empreender

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento