O verdadeiro propósito em servir bem

O recado que fica a clientes/cidadãos, empresas e governos é o de que nenhuma sociedade existe sustentavelmente quando não há espírito de cooperação e presteza entre os seus integrantes

Já disse um velho sábio que o indivíduo que não vive para servir não serve para viver. Trata-se de palavras simples, porém profundas e que valem muito mais do que o papel timbrado de muitas instituições de ensino aqui e no mundo afora.

Cada vez mais, o processo de urbanização que se acentua em nosso país tem distanciado a população daquela vida simples e pacata das pequenas cidades, o que torna cada vez mais o servir ao próximo uma moeda de troca. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, é comum vermos profissionais das mais diversas categorias, do pedreiro ao médico, atendendo bem seus clientes não como um dever, e, sim, como um favor. Não por acaso, o bom atendimento tem se tornado, pelo menos na Cidade Maravilhosa, um diferencial e um valor a mais a ser pago pelo cliente, quando o correto deveria ser o inverso, isto é, o prestador do serviço oferecer gratuitamente um atendimento urbano, cortês e de qualidade.

Um caso que ilustra o disposto acima se refere à “imposição” legal de pagamento de gorjeta pelos serviços prestados pelos garçons. Não obstante o consumidor pagar o salário do profissional por meio do preço dos produtos consumidos, ainda tem que lidar com aqueles 10%. Com isso, recompensa-se não só o bom profissional, que se sente bem em servir bem, mas também aquele que encara o seu ofício como um fardo.

O poeta não disse que a vida seria fácil. Só disse que valeria a pena. Dessa forma, ao atenderem mal os que pagam os seus salários, profissionais e empresas demonstram que se esqueceram de princípios e conhecimentos adquiridos na família, na escola e na sociedade e que não merecem o cliente que os procura. E isso não se resume tão somente aos agentes privados. Na Administração Pública, o doutor ainda sobressai, em muitos casos, o servidor. E tal postura é cada vez mais intensa e recorrente à medida que o indivíduo se posiciona mais alto na estrutura hierárquica da máquina pública.

No estado do Rio de Janeiro, um dos maiores suplícios que o cidadão tem que enfrentar é o da mobilidade urbana, essa tal “revolução” pregada por alguns agentes públicos (como o Sr. Eduardo Paes) e motivo de gargalhadas de outros (que o diga o Secretário Estadual de Transportes, Sr. Júlio Lopes): enquanto os mais graduados burocratas do nosso estado se deslocam de helicóptero ou de veículo oficial com segurança e motorista particular da casa ao trabalho, a população sofre em conduções lotadas, insalubres, que não respeitam os princípios do serviço público adequado (Lei 8.987/1995, art. 6°, § 1°) e passam longe dos objetivos de desempenho de uma atividade que deveria funcionar como uma verdadeira linha de produção, no que tange a custo, qualidade, rapidez, confiabilidade e flexibilidade.

Ainda em relação à revolução na mobilidade urbana do Rio de Janeiro, a situação mais gritante tem sido a do serviço ferroviário local, executado pela concessionária Supervia: não raro, o passageiro lida com atrasos, avarias e composições lotadas e quentes. Enquanto isso, a alta cúpula da Administração Pública fluminense ignora o descaso da concessionária em relação à obrigatoriedade de prestar um serviço adequado e se resume a dizer que o serviço prestado está bom. Daí, fica a pergunta: qual é a credibilidade que se pode dar a tais palavras, quando quem representa o povo não utiliza transporte público regularmente? E tal falta de credibilidade não fica somente por aí, visto que outras empresas prestadoras de serviços públicos agem com descaso quanto aos seus clientes e são, igualmente, elogiadas e agraciadas por sua performance: CEDAE, Light, empresas de ônibus, dentre outras.

Enfim, o recado que fica a clientes/cidadãos, empresas e governos é o de que nenhuma sociedade existe sustentavelmente quando não há espírito de cooperação e presteza entre os seus integrantes. Afinal de contas, o que nos diferencia dos demais animais e nos torna superior a eles é a nossa capacidade de criarmos sinergias por meio do esforço e inteligência coletivos, a fim de garantirmos a sobrevivência e a continuidade de nossa espécie e das demais.

Pensem nisto, um forte abraço e fiquem com Deus!

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