O velho sonho medíocre da classe média: o ensino superior

É triste que uma vida, curta como a nossa, seja reduzida a um simples diploma do ensino superior

Certa vez em um processo seletivo que participei o recrutador perguntou aos candidatos qual teria sido o dia mais feliz de suas vidas. A maioria deles respondeu sem pestanejar que a formatura fora o acontecimento mais importante até então.

Eu, formado, fiquei me esforçando para elencar qual teria sido o meu dia. Depois do meu casamento, fiquei entre minha carteira de habilitação e um presente de natal: meu segundo vídeo game. A formatura, nem de longe, foi cogitada ao ranking.

Fiquei chocado comigo mesmo ao perceber o quanto minha resposta se diferenciava da dos demais. Fiz uma reflexão para ver se eu não estava menosprezando algo tão importante como o canudo e a beca. Minha conclusão, no entanto, foi que reduzir uma vida, curta como a nossa, a uma experiência acadêmica, é uma atitude melancólica.

A supervalorização do canudo é típica da classe média brasileira, que acredita que ao virarem doutores irão ascender de classe e obter o respeito que merecem. “Você precisa formar para ser alguém na vida”, diziam meus pais. Também fui vítima desse pensamento, como integrante de uma classe C. Porém, percebi a tempo o quão medíocre é reduzir uma vida a uma experiência tão insignificante como fazer um juramento na colação de grau.

A verdadeira classe A não está nem aí para o ensino superior, pois não dependem dele para obter reconhecimento ou lugar na pirâmide social.

Eu fui um cara de sorte, pois a academia é meu lugar. Porém, muitos, sem a mesma sorte que a minha, se sentem frustrados ao perceberem que a faculdade não era bem aquilo que pensavam.

A vida é muito mais do que um diploma. É triste, medíocre e mórbido dizer que o dia mais feliz da sua vida foi o dia da formatura. Eu prefiro o meu presente de natal.

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