O valor financeiro da confiança - parte 2

A organização que faz com que seus membros confiem uns nos outros, e que conquista a confiança do público, cria uma vantagem competitiva poderosa.

Na semana passada comentamos que somos uma sociedade em busca de confiança. E quanto mais sua falta sentimos no governo, nos negócios, em nossas relações pessoais -, mais preciosa ela se torna. A organização que faz com que seus membros confiem uns nos outros, e que conquista a confiança do público, cria uma vantagem competitiva poderosa.

Francis Fukuyama no seu livro Trust: The Social Virtues and the Creation of Prosperity (Confiança: As Virtudes Sociais e a Criação de Prosperidade), examinou as diferenças na prosperidade econômica de diversas culturas e concluiu: O bem-estar de uma nação, bem como sua habilidade em competir, estão condicionados por uma única e abrangente característica cultural: o nível de confiança inerente à sociedade. Assim, ele acredita que o capital social representado pela confiança será tão importante quanto capital físico.

Robert Putnam, autor de The Prosperous Community: Social Capital and Public Life (A Comunidade Próspera: Capital Social e Vida Pública) cita a confiança que facilita a coordenação e a cooperação. Ele também relaciona as possibilidades de sucesso com a abundância ou falta de capital social.

Quando as pessoas sentem-se livres para contribuir, uma rede maior de inteligência acaba sendo criada, permitindo a criatividade e a inovação. Num ambiente baseado no medo, somente revelamos o que consideramos seguro geralmente uma pequena parte de nós. As frustrações do dia acabam transformando-se em interações de Nós contra eles. É uma energia imensa desperdiçada em suspeitas, problemas mal-resolvidos, promessas quebradas, acordos pouco claros, não cumprimento de prazos e a propensão generalizada em achar bodes expiatórios, fofocas, ressentimentos e frustração.

O Nós contra eles ocorre internamente todos os dias: Marketing contra Vendas, Vendas contra Financeiro, Financeiro contra Compras, e assim por diante. Mas por que isso acontece? Primeiro, porque existem acordos pouco claros, expectativas quebradas e promessas (reais ou não) que não foram cumpridas. A segunda é que as pessoas realmente se importam com seu trabalho se não, nem estariam discutindo ou tentando achar culpados. O fato da mentalidade do Nós contra Eles existir internamente significa que pelo menos as pessoas estão comprometidas o problema é que essa energia não está sendo canalizada corretamente.

O compromisso é um envolvimento, uma intenção incondicional. Não significa que você garanta o resultado prometido, mas sim que você assume o compromisso com toda a intenção de garanti-lo. E, se por acaso descobrir que não vai conseguir, avisar imediatamente.

Para aumentar o grau de confiança dentro de qualquer instituição, é preciso que primeiro suas lideranças, e depois todo o conjunto de pessoas envolvidas, transforme-se em terminadores ou completadores. Temos no Brasil a síndrome de iniciar nossos planos impetuosamente e depois abandonar por falta de persistência, planejamento e/ou dedicação.

Ser um terminador significa comunicar-se de maneira completa, chegando sempre a um acordo específico sobre o que será feito, por quem, com uma data específica de término. Eu farei o relatório não é completo porque não tem uma data de entrega. Farei o possível não é completo porque não existe um acordo específico sobre o que será feito. É fácil de ver como uma sucessão de coisas incompletas cria um ambiente de incertezas, hesitação, dúvidas, desperdício de tempo e energia, ressentimentos e falta de confiança. Para estimular a confiança, a liderança da empresa deve estimular que a comunicação interna, independente da sua forma (verbal ou escrita), seja 100% completa sempre. É a única forma de impedir que pequenos mal entendidos acabem transformando-se em grandes problemas.



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    Raúl Candeloro

    Raúl Candeloro

    Raúl Candeloro é palestrante e editor das revistas VendaMais® e Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais, Correndo Pro Abraço, A Hora da Virada e muitos outros. Formado em Administração de Empresas e mestre e empreendedorismo pelo Babson College, é responsável pelo portal www.vendamais.com.br e diretor do Instituto VendaMais. E-mail: raul@vendamais.com.br

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