O TURISMO COMO FERRAMENTA PARA O DESENVOLVIMENTO

E se o Brasil investisse em uma atividade que, além de garantir excelente retorno financeiro, contribuísse para a redução das desigualdades sociais com a geração imediata de trabalho e renda, para a promoção da educação, para a valorização de sua diversidade étnica e preservação de seu extenso patrimônio cultural e natural? Fantástico, certo? ....

E se o Brasil investisse em uma atividade que, além de garantir excelente retorno financeiro, contribuísse para a redução das desigualdades sociais com a geração imediata de trabalho e renda, para a promoção da educação, para a valorização de sua diversidade étnica e preservação de seu extenso patrimônio cultural e natural? Fantástico, certo? Então, é um mistério o fato de que tal atividade, e é claro que estamos falando de turismo (que, segundo o IBGE, impacta positivamente 52 setores da economia), jamais ter sido tratada como prioridade em um país cujo potencial turístico causa inveja aos maiores destinos do mundo. Como não queremos ser injustos, avisamos, de antemão, que conhecemos, sim, o Plano Nacional do Turismo do governo Lula e suas ambiciosas metas, a serem alcançadas até 2007. Também estamos cientes que a balança vem pendendo para o nosso lado quando se mensura a movimentação de turistas e a quantia, em moeda forte, deixada em nosso território. O que não sabemos é se as políticas de incentivo ao setor, que segundo a Organização Mundial do Turismo será o maior gerador de riquezas do novo século, terão prosseguimento, ou o Brasil permanecerá na modesta posição de 29o destino do planeta, acolhendo 1% do fluxo mundial de turistas.
A preocupação procede, já que é hábito nacional gastar tempo e dinheiro na formulação de boas políticas que, sem mais nem porquê, são abruptamente interrompidas. E um plano de governo, por mais bem alinhavado que seja, não vai sanar em pouco tempo os problemas com que o turismo se depara no Brasil: dificuldade em achar serviços baratos de bom nível; depredação ambiental; segurança pública ineficiente; baixa escolaridade da população, que desconhece o valor das áreas de interesse histórico, cultural, ecológico etc. O Plano Nacional do Turismo diagnostica, ainda, falta de qualificação profissional dos recursos humanos; baixo controle de qualidade na prestação de serviços; oferta de crédito inadequada; deficiência crônica na gestão e operacionalização da infra-estrutura básica (saneamento, água, energia, transportes); pouca qualidade e diversidade de produtos turísticos ofertados nos mercados nacional e internacional. Para o salto qualitativo do turismo no Brasil, é preciso que as estratégias imaginadas para alcançar as metas fixadas no plano tenham continuidade. Não podemos nos contentar com surtos de crescimento e cruzar os braços.
Como educador, eu poderia me limitar a lembrar a óbvia relação entre turismo, educação e cultura: em contato com outros povos, aprendemos formas novas de experimentar a vida e exercitamos o respeito à biodiversidade natural e cultural. E não me refiro apenas aos que vão e exploram outras terras, mas aos que ficam e interagem com os turistas, com quem trocam histórias e saberes. O turismo contribui para o enriquecimento intelectual e para o desenvolvimento econômico e social de um país. Mas, isso, todos sabem. Precisamos agora é buscar meios de incrementar atividades turísticas: despertando nos brasileiros a vontade de conhecer seu país, atraindo estrangeiros, educando as pessoas para que conheçam o potencial turístico de suas localidades e ganhem com isso.
É absurdo, mas apenas 6% dos brasileiros economicamente ativos trabalham em turismo (nos Estados Unidos, Europa, Caribe e Oceania, a média fica entre 12% e 14% da população). A meta do Plano Nacional de Turismo é criar 1,2 milhão de novos postos no setor até 2007. Um modo de chegar a esse resultado seria criar ao menos três pacotes turísticos de qualidade em todos os estados. Segundo o Plano, os produtos atuais não contemplam a pluralidade cultural e a diversidade regional brasileira, existindo um potencial a ser revelado e trabalhado no interior do país, e urgente necessidade de encontrar alternativas de desenvolvimento local e regional. Neste processo, conta-se com o empenho de governos estaduais e municipais, da iniciativa privada e da comunidade.

Enquanto isso, o mercado experimenta certa euforia. No primeiro trimestre de 2005 o turismo doméstico decolou, embora tenha crescido também a procura por viagens internacionais. Nos quatro primeiros meses, desembarques em vôos internacionais e domésticos aumentaram quase 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Quanto a desembarques internacionais nos primeiros três meses de 2005, em particular, chegaram a 1.845.897 maior volume registrado em um primeiro trimestre na história da nossa aviação. Em comparação a 2004, o crescimento foi de 23,05%.
Dados da Embratur mostram, ainda, que 4.724.623 estrangeiros nos visitaram em 2004, contra 4.090.590 em 2003 (mais 15,49%) a meta é que nove milhões pisem no Brasil até 2007. A entrada de moeda forte cresceu 15,56%. Números tão positivos só podem estar relacionados às ações do governo e seus parceiros e a uma boa estratégia de marketing. No entanto, é hora de pensar na qualidade do que oferecemos a toda essa gente que aporta por aqui. Ou, da próxima, vão aportar em outro lugar. Que saibamos aproveitar os bons ventos, encaminhar os lucros para a melhoria dos serviços e a capacitação de recursos humanos em tantas regiões onde a beleza natural e a riqueza cultural são empanadas pela pobreza da população, e pela sua ignorância acerca do valor de um patrimônio que lhes pertence e pode lhes render muitos frutos nas quatro estações do ano.


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    Magno Maranhão

    Magno Maranhão

    Educador e Consultor da área da Educação, Magno de Aguiar Maranhão é Licenciado em Letras, Mestre em Lingüística e Especialista em Administração Universitária.
    Ocupa, hoje, os cargos de Superintendente da Fundação Técnico Educacional Souza Marques e Presidente da Associação de Ensino Superior do Rio de Janeiro, além de ter atuado como conselheiro no Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro e, ocupado diversos cargos em Universidades, Centros Universitários, Faculdades e Colégios no País. É autor do livro Educação Brasileira - resgate, universalização e revolução

    Site: www.magnomaranhao.pro.br

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