O teatro dos vampiros

Uma música dos anos 90, cantada pela maior banda de rock brasileira, a Legião Urbana, traduz com tanta realidade o que começamos a viver na nossa atual economia

“Vamos sair, mas não temos mais dinheiro, os meus amigos todos estão procurando emprego. Voltamos a viver como há dez anos atrás ...” (Legião Urbana)

Meus amigos, em sua maioria engenheiros, formaram, começaram a ganhar muito dinheiro, tudo parecia bem. Mas acabou. E acabou de uma hora para outra. O que vejo no cenário econômico é o mesmo que meus pais viram na década de 90. Os engenheiros desempregados, muito deles, tornaram-se professores de ensino médio de matemática. Quem nunca teve um professor engenheiro no ensino médio?

A economia perde. Meus amigos perdem. O Brasil perde. Perde porque muitos desses engenheiros poderiam continuar e desenvolver o Brasil, a criar um novo Brasil, evoluir na ciência, tecnologia e virar referência. Um país que durante tanto tempo lutou para lubrificar as engrenagens e colocá-las no lugar, mas quando tudo estava a pleno vapor, toda engrenagem quebrou.

Nossa geração, denominada Y, a que procura ter tudo mesmo sendo nada, vive a era do ter, onde o que “é demais nunca é o bastante”, e está encarando sua primeira crise assustada. Ficamos mal acostumados, porque o Brasil vivia crises inacabáveis e pela primeira vez, vimos o caminhar de forma correta. Ficamos mal acostumados porque um país rico como o nosso gerou riqueza e emprego para a população.

Sempre rotulamos aprender com os erros e nunca mais cometê-los. Estamos sentindo o medo que nossos pais tiveram da inflação e do desemprego. O debate não é partidário e o impeachment seria errar igual. Mas nossa geração que preza tanto pela riqueza a qualquer custo deveria começar a pensar em valores. E não são valores pecuniários. São valores como honestidade e lealdade, partindo de nós mesmos, para quem sabe, daqui alguns anos, o reflexo de quem administra o nosso país seja o mesmo da população que o habita.

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