O Sol se vai levando as desilusões

De acordo com suas “expectativas” e se você procura o “êxtase”, “o transe”, tudo pode ser detalhe diante do grande objeto focal – o pôr do sol; que, dizem os físicos, pouco é, além de uma ilusão de ótica

Em uma praia na região Sul do Brasil o sol se põe. Praias são muitas e o sol, único. Aquele pôr do sol que encerra mais um dia não teria algo de tão especial se não uma ilusão. Uma ilusão que deixa céu e mar vermelhos ou alaranjados. Deixa o ambiente nem tão quente, nem tão frio, em temperatura agradável para que o desconforto térmico não tire a atenção do crepúsculo. Enquanto uns observam o sol se pôr, outros aproveitam a iluminação natural para fazer registros fotográficos de casais de noivos, de turistas, do mar... Tudo é detalhe diante do grande objeto focal: o pôr do sol.

Aquela imagem do sol se pondo, dizem os físicos, pouco é além de uma ilusão de ótica. Quando a imagem do sol ainda é realmente visível, ao mesmo tempo é agressivo aos olhos nus. Quando é visível e belo, já é uma imagem virtual produzida através do fenômeno físico da refração de uma pequena parte da luz que vem do sol. A refração é um fenômeno de desvio de uma parte da luz quando ela viaja em outro meio. Enquanto viaja no vácuo do espaço, vem em linha reta. Quando entra na atmosfera, sofre um desvio que produz efeitos visuais que conhecemos como o pôr do sol.

Tudo bem. Estou convencido de que é uma ilusão de ótica. Mas vá dizer isso para quem espera a tarde cair na praia de Cacupé, cidade de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. O sol não estava mais lá, mas todos viram-no se pondo atrás das montanhas do continente. Todos acreditaram que era ele ou não acreditaram que era apenas uma ilusão? Uma ilusão de ótica... Que importância tem isso? Diante de um cenário deslumbrante 34 como aquele, que importância tem se era o sol mesmo ou uma ilusão de ótica? Para dizer a verdade, nem era ele que se foi. Foi o solo que se moveu e escondeu aos poucos os observadores à sombra das montanhas. Também pouco importa essa verdade física, geográfica ou astronômica. O que os olhos viram foi o suficiente para acreditar que naquele horário o sol se pôs e levou com ele as desilusões que um dia cheio de luz e de ilusões.

Publicado originalmente no ebook CRONICAR IV: olhares, sentimentos e lugares

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