O Socialismo e sua contribuição à sociedade moderna

O Socialismo foi da utopia à realidade com a Revolução Russa de 1917, porém entrou em colapso justamente por negar mecanismos fundamentais à sobrevivência e desenvolvimento do Estado

O Socialismo é o conjunto de doutrinas políticas que contestou a ordem do Capitalismo: de injustiça, desigualdade e irracionalidade pela exploração exacerbada dos recursos materiais e humanos, portanto representou uma nova forma de organização da sociedade, mais justa, eficiente, equitativa e abundante, pelo menos na teoria.

Teve origem com a Revolução Industrial, marcada pelos avanços tecnológicos, pela desqualificação do trabalho, pela urbanização acompanhada de infraestrutura precária das cidades, e até pelo trabalho infantil.

De acordo com Karl Marx, o Capitalismo possui um caráter anárquico da produção, pois após um ciclo de expansão, a economia entra numa crise de superprodução, iniciando um novo período de crescimento, determinando um número cada vez menor de capitalistas mais ricos, contrapostos a parcelas cada vez maiores da população, mais pobres.

O grande exemplo prático do Socialismo ocorreu com a Revolução Russa de 1917 até o desmantelamento da União Soviética em 1989. Marcado principalmente pela substituição do mercado como mecanismo regulador pelo planejamento centralizado, e pela supressão do aparelho estatal e sua substituição inicialmente pela democracia estruturada em torno das comunas russas: os sovietes, posteriormente para o aparelho partidário num modelo totalitário, e por fim no Estado fortemente ditatorial.

Ganhou força também, pois o período entre as duas guerras mundiais, marcou o fortalecimento das opções antidemocráticas, a esquerda e à direita, comunistas de um lado e fascistas do outro. Pelo sucesso econômico inicial do modelo, enquanto a partir de 1929 os países de livre mercado estagnavam, o planejamento centralizado parecia haver provado sua superioridade sobre a irracionalidade da livre iniciativa. E ainda, pelo evidente sucesso social, entendido como a inclusão de toda a população a padrões de vida considerados dignos, com acesso à saúde e a educação universal, e uma sociedade igualitária, em termos de distribuição de renda, começou a ser construída.

Apesar do aparente sucesso do socialismo real, atingindo a hegemonia mundial em contraponto ao Capitalismo dos EUA na guerra fria, foi justamente a falta de mercado e a ausência da democracia que determinaram o fim do Socialismo, pois a economia e a sociedade se tornaram complexas demais para a capacidade de resolução de um único plano, onde ineficiências pontuais começaram a somar-se e a potencializar seus efeitos, gerando estagnação da economia por duas décadas.

Assim, em seu último suspiro, uma auto reforma aconteceu através da Glasnost (transparência econômica e política) e da Perestroika (reestruturação), porém a transparência na economia e a aceitação tímida de mecanismos de mercado não resultaram em aumento imediato da produção, mas num momento de desorganização produtiva, determinando o seu fracasso e o colapso do regime.

Dessa forma, o Socialismo encontrou o seu declínio nos próprios princípios, de negação ao Capitalismo, pois querendo ou não o mercado e a democracia são componentes fundamentais à sobrevivência e ao desenvolvimento do Estado e da sociedade moderna, porém deixou um legado de acesso universal a serviços públicos essenciais garantidos pelo Estado.

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