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O senso de justiça e sua relação na motivação organizacional

É importante criar um ambiente de trabalho onde as pessoas sejam justamente valorizadas por aquilo que entregam e se dedicam, ter uma gestão ética, meritocrata, transparente, participativa, justa, baseada em valores e visão coletiva, é ter um gestão sustentável, como citou Ken Blanchard em seu livro intitulado O Administrador Ético: 'Em uma empresa que realmente administra de acordo com valores, só há um chefe: os valores da empresa.”

Nos mais diversos seguimentos profissionais desde as instituições de saúde, educação, varejo, organizações sem fins lucrativos aos órgãos governamentais, é que entre tantas questões e verdades, problemáticas e desafios, a motivação ainda é pauta relevante, embora o assunto já tenha sido tratado inúmeras vezes, sendo objeto de estudo dos que se dedicam a compreender o panorama organizacional, a motivação sempre ganha um novo destaque e constantemente volta a ser a pauta das discussões corporativas.

Já sabemos que a motivação é intrínseca, refere-se à busca de algo visto como importante, desejável, são necessidades particulares que habitam no interior humano, e pouco se pode fazer para provocá-la, como relata Bergamini 2013: ‘Nem todos fazem as mesmas coisas, pelos mesmas razões’, a motivação por ser individual em cada profissional, torna-se difícil de compreendê-la.

Já que ‘ninguém motiva ninguém’ revertemos à pergunta da forma seguinte: O que como organização é possível fazer para cooperar na construção de um ambiente de trabalho que contribua para que cada profissional desperte a sua motivação? Como construir um clima propício para que ela se desenvolva? Talvez, nunca chegaremos a uma resposta única e final, pois o estudo é vasto, profundo e muito complexo. Mas o senso de justiça é, entre outros fatores, um componente essencial, que pode ao ser percebido pelas pessoas criar um ambiente favorável para que os profissionais do seu modo doem o melhor de si, em busca dos resultados que as corporações precisam. Afinal, nunca se viu alguém disposto, motivado, comprometido, em um clima onde percebe a ausência de justiça. Portanto é válido traçar um embate sobre a correlação entre a motivação e o senso de justiça no mundo corporativo.

Toda organização é composta por pessoas, com necessidades, valores, personalidade, caráter, cultura, objetivos e crenças diversas, são as pessoas que formam qualquer organização e é inerente ao ser humano, uns com mais frequência, outros com menor frequência, não estarem aptos a exercer a prática da justiça. O ser humano é visto com frequência atuando em benefício próprio, em detrimento até ao que cabe ao outro ou beneficiando também somente daqueles que fazem de algum modo, parte do seu ciclo relacional e esquece-se de pensar coletivamente, além dos seus interesses individuais.

Ouvimos com muita frequência alguns jargões como: Ambiente de trabalho não é nossa casa; Aqui ninguém tem responsabilidade com suas expectativas; Esta insatisfeito pode pedir demissão; Ninguém obriga você a continuar aqui; Tudo é um negócio; Você foi devidamente pago por tudo aquilo que entregou. Estes são alguns pensamento ainda comum no ambiente de trabalho, embora retrogrado, já faz tempo que a forma de se relacionar com as pessoas mudou, o fato é que as pessoas depositam suas expectativas, esperam ser reconhecidos pelos trabalhos desenvolvidos, acreditam que a justiça será praticado, a oportunidade se o esforço foi demandado será garantido, e a frustação acontece justamente quando esses processos não são efetivados justamente. Quanto maior a entrega uma pessoa fizer à uma organização, maior é a perspectiva de que este profissional será de algum modo recompensado, surge então uma grande problemática, normalmente isso ocorre com os profissionais mais dedicados, esforçados, que conseguem entregar mais resultados e são comprometidos.

Quantos casos já aconteceram com profissionais excelentes que em uma situação mal liderada entraram no processo de desmotivação, frustação, falta de comprometimento, pela ausência do senso de justiça?

Para as empresas é importante estar alerta a isto, o quão estão sendo justa nas suas relações com as pessoas, em suas decisões estratégicas e para quem oportuniza novas possibilidades de crescimento.

O mundo corporativo é recheado de egos inflamados, interesses monetários, desejo de poder, status, atitudes preconceituosas, e é responsabilidade das empresas estarem atendas a esses movimentos humanos negativos e desestimulantes, é responsabilidade do líder, da alta gerencia e de todos aqueles que estão ligados às relações humanas zelar para que a justiça dentro das organizações seja praticada e as decisões não sejam baseadas em movimentos políticos, ganancia, inveja, apadrinhamento, e sim por meritocracia, desempenho, onde os profissionais sejam justamente valorizados e reconhecidos por aquilo que entregam e se dedicam, reter talentos é crucial para a sustentabilidade organizacional.

Nesta tão hercúlea missão de gerir o senso de justiça dentro das corporações, cabe às empresas preparar gestores e todos os seus profissionais, sensibilizando-os sobre a importância da ética nas relações de trabalho, seja através de campanhas de endomarketing educativas ou no cuidado na hora de selecionar profissionais com valores voltados ao sentimento de justiça, mas continuamente estarem atentas a essas manifestações e dedicar-se na análise dos fatores que iram basear as tomadas de decisões, sejam na hora das mudanças, da entrega de novas oportunidades, distribuição de salários e benefícios, e até mesmo nas demissões, é importante alinhar com a gestão de pessoas quais os critérios que serão estabelecidos para nortear a gestão da empresa e não deixa-los apenas no papel.

Uma organização que não pratica a justiça esta fadada ao fracasso, pois isto se correlaciona com a motivação das pessoas e consequentemente com a entrega dos resultados. O sentimento de justiça é fator fundamental na criação de um ambiente propício a motivação e dedicação das pessoas. A motivação é uma força impulsionadora, a ausência dessa força é sinônimo de profissionais descomprometidos, tristes, improdutivos, insatisfeitos, ou seja, que não entregam os resultados que são capazes de entregar. Como gestores esse cuidado deve ser constante e minucioso, já que um dos papéis de um líder é desenvolver pessoas e reter talentos.

Já os profissionais que por sua vez foram de algum modo prejudicado em alguma decisão onde o senso de justiça não prevaleceu, devem exercitar alguns pensamentos: Ponderar sua frustração, compreender que as relações humanas nem sempre seguem o caminho da justiça e manter seu controle emocional, seu profissionalismo, alto consciência da sua competência, não permitir que sua alto estima, seu crédito próprio seja desestruturado, aprender com a frustração, ajudando futuramente outros colegas a compreenderem situações similares, algumas vezes uma determinação frustração, pode nos levar a pensar em novas possibilidades de atuação e nos proporcionar um novo modelo mental, partindo do princípio que tudo pode nos gerar ganhos, mesmo aquelas situações difíceis, que são os aprendizados. A resiliência e o controle emocional nestes momentos são duas competências essenciais para todo e qualquer profissional, a resiliência trata-se da capacidade das pessoas em passar por situações difíceis, gerir pressões psicológicas e ter uma postura positiva diante dos problemas, a inteligência emocional por sua vez, bem tratada pelo psicólogo Daniel Goleman em seu famoso e profundo estudo sobre as emoções, refere-se ao individuo que consegue conhecer com facilidade suas próprias emoções, Goleman organizou cinco tipos de inteligência emocional que são: autoconhecimento, controle das emoções, auto-motivação, reconhecimento de emoções em outras pessoas e a habilidade de manter um relacionamento interpessoal. Estas duas competências se desenvolvidas individualmente e de forma grupal será uma grande aliada na superação de problemas relacionados ao senso de justiça.

Ter uma gestão ética, meritocrata, transparente, participativa, justa, baseada em valores e visão coletiva, é ter um gestão sustentável.

Então, como anda o senso de justiça na sua organização? Em que parâmetros são baseadas as decisões estratégicas quando se trata de pessoas? Vale a pena refletir!

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