O segredo da longevidade

O ano novo chegou! Tempo de reflexões sobre o que acertamos e erramos em 2004 e planejar 2005. Alguns empreendedores vão tentar crescer e prosperar mais este ano, enquanto outros, não poucos, tentarão sobreviver mais um ano.



O ano novo chegou! Tempo de reflexões sobre o que acertamos e erramos em 2004 e planejar 2005. Alguns empreendedores vão tentar crescer e prosperar mais este ano, enquanto outros, não poucos, tentarão sobreviver mais um ano. Para muitos pequenos empresários, cada ano a mais de vida que conseguem para suas empresas é uma grande vitória. Muitos devem se perguntar: Mas, qual é o segredo das empresas centenárias?

Assim como as pessoas, as organizações também têm um ciclo de vida. Todas elas nascem, crescem, amadurecem e morrem. Todas elas aprendem, se desenvolvem rapidamente, estabilizam o crescimento e definham, sem exceção. A diferença é que as empresas não têm uma expectativa de vida, podem durar 1 ano ou 700. Na verdade, se houver boas bases, é muito provável que elas sobrevivam mais do que os próprios empreendedores.

Este foi justamente o tema da palestra de Arie de Geus, ex-executivo da Shell na Expomanagement. A Shell realizou há alguns anos uma pesquisa com inúmeras empresas em todo o mundo, buscando pela empresa mais antiga em atividade. Descobriu várias com 400, 500 anos de idade, mas a vencedora foi uma fábrica de papel com incríveis 700 anos de existência e ainda hoje a segunda maior empresa de papel do mundo.

Segundo De Geus, a média de tempo de vida das empresas nascentes é de 20 anos, considerando apenas as empresas estabelecidas, pois o efeito dos pequenos empreendimentos que abrem e logo fecham aumentaria ainda mais a diferença, que já é uma constatação chocante. Pesquisando 27 das mais longevas, o que eles descobriram foi que elas possuem pouca coisa em comum, nada de cultura, nem geografia, idioma ou país, mas 4 características estavam presentes em todas.
1) São conservadoras em termos financeiros. Sem grandes arroubos de investimentos, pouca ou nenhuma dependência de bancos.
2) São sensíveis ao mundo à sua volta. Elas vêem e antecipam as mudanças que impactarão o seu negócio e têm melhor capacidade de adaptação e adequação às mudanças externas.
3) Possuem senso de origem e de identidade. Tanto líderes como pessoas se identificam entre si e com a cultura organizacional.
4) Promovem a descentralização e empowerment. Eles dão liberdade às pessoas para experimentar, assumir responsabilidades e tomar decisões.

Para De Geus, a economia é determinada por 3 elementos apenas: Capital, Recursos e Mão de Obra. Hoje capital não mais tem o mesmo efeito na economia, pois seu acesso está muito mais fácil; Recursos como equipamentos, espaço, matéria prima e tecnologia também não são mais relevantes, transformaram-se em commodities, restando então as pessoas. E este é justamente um tipo de ativo que não tem como constar nos balanços contábeis das empresas.

Ironicamente, é justamente este valioso ativo que acabamos comprometendo com medidas drásticas como o corte de custos em momentos de fragilidade financeira. São ações que, indubitavelmente, trazem resultados no curto prazo e são facilmente avaliados e valorizados. O problema é que medidas como estas acabam minando a capacidade de sobrevivência no longo prazo, comprometendo a expectativa de vida da empresa, pois reduz dois fatores primordiais para as pessoas: Confiança e Lealdade.

Enfim, diante de tudo isso, podemos concluir que o segredo da perenidade está no desenvolvimento de valores mais profundos do que os demonstrados nas planilhas contábeis e passa pelo aprendizado e desenvolvimento pessoal, relacionamento, honestidade e transparência, comprometimento com o indivíduo e com a comunidade, o reconhecimento da identidade e da visão, educação pela ação e não pelas palavras, e, acima de tudo, pelo jogo em equipe.

Da próxima vez que você olhar sua folha de pagamento, passe os olhos pelos nomes e tente descobrir quem se comporta como eu e quem se comporta como nós. Faça sua próxima avaliação com base neste critério e você terá muitas surpresas, garante Arie De Geus.


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    Marcos Hashimoto

    Marcos Hashimoto

    Professor de Empreendedorismo da Universidade de Indianapolis e co-fundador da Polifonia, escola de Protagonismo Criativo de São Paulo.

    Serviços de consultoria em Estratégia Empresarial, Liderança e Empreendedorismo Corporativo: http://www.marcoshashimoto.com

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