O que uma crise grega tem a nos ensinar?

"Façamos da interrupção um caminho novo. Da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro!" (Fernando Sabino)

Nestes tempos de turbulência político-econômica aqui e no exterior (Venezuela, Oriente Médio, Europa, dentre outros), algumas lições precisam ser tiradas das situações indesejáveis para superar a turbulência e voar em céu de brigadeiro. E uma dessas lições deve ser tirada do caso grego.

Considerada o berço da civilização moderna e do conceito de democracia, a Grécia possui uma área territorial um pouco inferior à do Estado do Ceará (131.957 km²), um PIB superior ao do Estado do Rio de Janeiro (cerca de US$ 240 bilhões) e um IDH de nação desenvolvida (0,853 em 2013).

Em 1981, esse país do sudeste europeu aderiu à atual União Europeia (UE), vindo a integrar a Zona do Euro em 2001. Nesta época, a Grécia era considerada uma das nações da Zona do Euro com maior potencial de crescimento, devido a fatores como: mão de obra mais barata em relação aos principais países da UE (Alemanha, Inglaterra, França e Itália), um setor de serviços em ascensão, sobretudo no turismo, e a atração de investimentos estrangeiros diretos que o país vinha recebendo em decorrência das Olimpíadas que ela sediaria em 2004 e da sua adesão à Zona do Euro.

Porém, no período imediatamente posterior aos Jogos Olímpicos de 2004, a Grécia passou a gastar muito mais do que podia, contraindo pesados empréstimos e deixando sua economia refém desse endividamento crescente. Durante esse período, os gastos públicos cresceram vertiginosamente e a máquina pública ficou inchada e cara.

Enquanto o erário grego era esvaziado pelos gastos crescentes, a receita era afetada pela evasão de impostos, o que deixou o país vulnerável à crise de crédito que se iniciou nos Estados Unidos em 2007.

Atualmente, a dívida grega chegou à casa de 320 bilhões de euros (algo em torno de US$ 355 bilhões), o que equivale a 147% do PIB nacional, superando em muito o limite de 60% do PIB estabelecido pelo acordo continental assinado pelo país para fazer parte do euro. Em vista disso, os bancos gregos estão quebrando, a população está sem dinheiro e o governo se vê num beco sem saída para tirar o país da instabilidade político-econômica à qual chegou nas últimas semanas.

À luz do exposto, e tendo em vista que o endividamento das famílias, das firmas e do governo brasileiro têm crescido muito nos últimos anos, principalmente pelo aumento da taxa básica dos juros, do inchaço da máquina pública e da cultura de consumismo que foi estimulada entre nós na última década, o momento é de refletir sobre o caso grego e buscar soluções que revertam a tendência econômica pela qual o nosso país vem passando, a fim de que essa "tragédia helênica" não se replique em nosso país.

Para tanto, algumas medidas cuturais e estruturais são necessárias. Inicialmente, devemos mudar a nossa cultura consumista por uma postura mais consumerista. A partir daí, medidas de cunho estrutural devem ser planejadas e implementadas: melhoria da infraestrutura, inovação e desenvolvimento tecnológico, reforma tributária, reforma do sistema público de ensino e concretização da reforma do aparelho do estado. Fazendo isso, tudo terminará em final feliz. Caso contrário, a tragédia grega não tardará muito para desembarcar em solo brasileiro.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

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