O que quer a humanidade?

O querer tem sido conduzido, motivado e persuadido por meio dos apelos para direcionar os desejos na busca do prazer, sufocando a intuição. Falta consciência coletiva visando um futuro melhor

No passado, o alvo eram os objetivos enobrecedores da nossa espécie. Nos Estados Unidos, a ocupação foi feita por refugiados de perseguições religiosas que desejavam formar um mundo novo de paz e progresso, embora também houvesse os oportunistas que só pensavam em obter vantagens com qualquer atividade. Na América Latina, a ocupação foi, desde o começo, nitidamente interesseira na exploração das riquezas, o que manteve a região no atraso.

No entanto, no passado havia no mundo algum idealismo que foi cedendo lugar ao desejo de levar vantagem, ampliar a esfera de influência e aumentar o poder e prazer. Aí chegamos ao caos, que no Brasil começa nas prefeituras com seus prefeitos, vereadores, assessores e servidores apaniguados, cada um cuidando de si e de seus interesses. Em vez de zelarem pelas cidades, esses governantes permitem o alastramento da corrupção, o que gera problemas para o futuro. A questão é que o futuro já chegou e as consequências estão visíveis na crise fiscal, no aumento da miséria urbana, na violência e ignorância. Sem saneamento e com problemas no abastecimento da água, os seres humanos têm de demonstrar que merecem a água límpida - esse presente da natureza que sustenta a vida.

O que quer o Brasil e sua gente? O querer tem sido conduzido, motivado e persuadido por meio dos apelos para direcionar os desejos na busca do prazer, sufocando a intuição. Falta consciência coletiva visando um futuro melhor, fundamentado nas eternas e incorruptíveis leis da Criação; falta força de vontade para pôr em prática o querer nobre para libertação do atraso moral e espiritual. É preciso limpeza e renovação de tudo.

Papa Francisco falou aos fiéis presentes na Praça de São Pedro que o Natal passado poderia ser o último para a humanidade. Em um discurso severo, o Papa disse que o atual cenário caótico do mundo marca o começo do ‘final dos tempos’, e nessa mesma época, no próximo ano, segundo o site YourNewsWire, o mundo tenderá a estar de uma forma irreconhecível.

É sempre o dinheiro, essa grande invenção humana, ainda não acabada, pois embora essencial, não conseguiu estabelecer a forma equilibrada no sistema monetário, possibilitando manobras especulativas, acarretando altas e baixas danosas na atividade econômica. O problema não está na moeda, mas no ser humano que ficou estagnado em seu desenvolvimento. Na economia, não fazem falta neoliberais nem desenvolvimentistas. Precisamos de desenvolvimento humano.

Em 1931, foi lançado na Alemanha o livro Na Luz da Verdade, de Oskar Ernest Bernhardt, que adotou o pseudônimo de Abdruschin; uma obra inusitada para a época, que penetrou profundamente na análise da gênese da espécie humana e da religião. Entende-se que, naquele tempo, a obra teve muita resistência, mas hoje deveria ter despertado a atenção dos pesquisadores.

Um novo ano começou, mas o que as pessoas estão pensando? O que estão querendo? Como se forma o pensamento, os desejos, o querer? O que desejam os jovens? A qualidade dos pensamentos no século 21 deveria estar voltada para expectativas avançadas de paz, progresso e integração com a bela natureza, mas vemos espalhadas pelo planeta paisagens desoladoras. A situação planetária é de emergência e mostra que em todas as atividades é preciso tomar a natureza como base, respeitando os seus mecanismos de sustentação.

O que querem os brasileiros? As aspirações estão rasteiras. Tudo está muito abaixo do nível que se poderia esperar de nosso potencial. As pessoas se deixaram rebaixar, as novas gerações foram mantidas nesse patamar baixo. E agora? Quando se trata de sanitários públicos, dá vergonha, o mau uso é bem a medida do nível em que nos encontramos. Quem se preocupa com o auto aprimoramento? Quem o incentiva? Estamos longe daquilo que deveríamos ser.

As novas gerações estão sendo incentivadas a uma forma de viver vazia, sem propósitos e ideais enobrecedores, quando, ao contrário, deveriam ser despertadas para construir um futuro melhor. No entanto, a elas estão sendo oferecidos insatisfação, revolta e entorpecimento, em vez de serem orientadas para construir um mundo melhor em equilíbrio entre o dar e receber. Que possamos sempre manter puro o foco dos pensamentos e o movimento certo na busca do auto aprimoramento de acordo com as imutáveis e perfeitas leis da Criação.

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