O que podemos aprender com a crise brasileira de 2015?

Diante de um cenário de crise, é possível retirarmos lições que poderão contribuir para a mudança estrutural da política econômica e comercial do país e das empresas brasileiras

Estamos nos aproximando do fim de mais um ano, daqui a um mês o ano de 2015 se encerra. Um ano que ficará marcado na historia do Brasil, pois, foi um divisor de águas devido à crise econômica e principalmente pela crise política que acomete o país.

A crise oriunda de decisões erradas, gastos desenfreados, maquiagem dos problemas, falta de planejamento a longo prazo e os escândalos de corrupção agravaram muito os problemas econômicos que o Brasil vem atravessando.

A alta dos juros, a elevada inflação e o aumento de impostos foi à conseqüência de uma política econômica conduzida sem planejamento estratégico e com medidas de curto prazo.

O clima de incerteza no cenário político aumentou o pessimismo na economia brasileira e esse sentimento afastou os investimentos e a retomada do crescimento foi adiada.

A falta de um planejamento a longo prazo é um grande obstáculo que nosso país enfrenta. Nossos governantes não fazem tal planejamento e não possuem inteligência estratégica, tomam medidas de curto prazo, e adiam a solução do problema.

Esse déficit não é somente da área pública, as empresas privadas, principalmente as pequenas e médias empresas, não trabalham com um planejamento estratégico a longo prazo e a conseqüência dessa debilidade é a falta de manejo em lidar com cenários não promissores.

Grande parte do segmento de pequenas e médias empresas não possui um planejamento estratégico bem elaborado e a falta dessa medida em tempos de crise resulta em uma falta de direcionamento e as empresas ficam sem direção.

Mesmo com um cenário de crise é possível encontrarmos oportunidades, desenvolver novos negócios e enxergar possibilidades em um cenário não favorável, mas a falta de inovação de muitas empresas brasileiras faz com que não seja possível enxergar estes caminhos.

Claro que com um cenário econômico e político conturbado as empresas se assustam, pois, o acesso aos investimentos fica mais restrito. Mas, é preciso aprender a tirar lições que a crise proporciona.

Uma delas é que a maioria das empresas brasileiras não sabe lidar em cenários de crise e não sabem aproveitar as oportunidades que uma crise pode trazer. Parece estranho, mas crises trazem oportunidades e é preciso saber enxergá-las.

As organizações empresariais do Brasil precisam aprender a vislumbrar vários cenários, mas para isso é fundamental realizar um planejamento de curto, médio e longo prazo e também possuir a inteligência estratégica, que é primordial para o desenvolvimento e crescimento sustentável de qualquer empresa.

Outra questão que podemos destacar é que lamentavelmente grande parte das empresas do país possui uma estratégica comercial de atenção voltada somente para o mercado interno. As empresas não se abrem para as oportunidades que o mercado externo proporciona.

Nossas empresas são muito pouco globalizadas, falta conectividade com o mercado externo e são muito dependentes do mercado interno, principalmente as pequenas e medias empresas. Um claro exemplo é, a pouca quantidade de empresas genuinamente brasileiras presente no mercado internacional.

Através do desenvolvimento de uma política comercial externa bem elaborada, as empresas poderiam internacionalizar suas operações, uma vez que esta estratégia oferece às organizações competitividade que gera crescimento e desenvolvimento organizacional.

Empresas internacionalizadas conseguem atravessar períodos de crise eficientemente, pois, possuem planejamento e sabem enxergar oportunidades em cenários bons e ruins. Ou seja, sair para o mercado externo proporcionará ganho de competitividade e globalização dos negócios, transformando diversas empresas brasileiras em marcas reconhecidas mundialmente.

Em suma, o que podemos retirar de lição da crise brasileira do ano de 2015 é a importância da realização de um planejamento estratégico a longo prazo. Tal medida possibilita ao país e às empresas desenvolver e crescer através da construção de cenários sólidos, proporcionando à população brasileira um maior crescimento econômico e desenvolvimento social com bases sustentáveis. Afinal, somos um país que construiu ao longo dos anos uma estrutura econômica mais forte e não podemos deixar a crise abater sobre essa estrutura.

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