O que orienta nossas escolhas

Costumamos tomar decisões baseados em valores que atribuímos aos elementos envolvidos. Uma forma aparentemente simplista de decidir: se isto é bom, devo aceitar ou acreditar; se isto é ruim, devo descartar ou combater. Ao fazermos escolhas, fazemos julgamentos e atribuímos valor

O dia amanheceu gelado e o vento que soprava do sul fazia com que a sensação térmica fosse de mais frio do que o termômetro marcava. No pátio da universidade, as pessoas disputavam espaço sob o sol, numa tentativa de se aproveitar do que de melhor ele poderia oferecer: calor para um dia muito frio. Um mês antes, esse mesmo sol deixava a todos angustiados a ponto de não desejarem sua companhia. O calor era o pior que ele poderia nos oferecer. Olhei para o céu azul e agradeci não haver sequer uma nuvem: o sol nos aqueceria naquele dia frio. Meses antes, olhava para o céu e lamentava não ver uma nuvem: o sol nos aqueceria naqueles dias infernais.

Falar do sol e de como ele pode nos confortar ou nos angustiar é só um pretexto para abordar a forma como nos compartamos diante das decisões – pequenas ou grandes – que somo obrigados a tomar. Afinal, viver é tomar decisões o tempo todo, muitas delas sem que sequer tenhamos conta de que haja um processo dessa natureza envolvido. Costumamos tomar decisões baseados em valores que atribuímos aos elementos envolvidos. Uma forma aparentemente simplista de decidir: se isto é bom, devo aceitar ou acreditar; se isto é ruim, devo descartar ou combater. Ao fazermos escolhas, fazemos julgamentos e atribuímos valor.

O que proponho com a pequena crônica sobre o sol é que passemos a olhar de outro modo os fenômenos que nos interpelam e que podem estar relacionados tanto à nossa vida pessoal quanto à nossa vida profissional. Fazer escolhas sempre implicará abrir mão de algo, sempre implicará consequências – para o bem ou para o mal. É assim quando decidimos viajar no final de semana e abrir mão de ter mais saldo na conta bancária ao voltar para casa; quando decidimos frustrar nosso filho para que ele ganhe algum aprendizado com isso. É assim quando decidimos encarar as coisas como boas a depender do papel que elas desempenham no momento de nossas decisões.

Alguém pode me perguntar: mas se tudo pode ser bom ou mau, a depender do contexto e do olhar, então, não há ética? Eu diria, diante de uma pergunta como essa, que a ética é um processo que orienta nossas escolhas. Então, algo será visto como bom ou mau de acordo com escolhas feitas previamente, relacionadas a valores compartilhados. Isso significa que ao situar algo em um contexto, as escolhas que fizer serão baseadas em alguns princípios já consolidados como verdadeiros. Considero importante pensar de forma menos individualista e imediatista quando atribuímos valor a algo, a alguém ou a uma situação. Alguém que sente calor não pode, simplesmente, acabar com o sol.

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