O que importa é o que está dentro
O que importa é o que está dentro

O que importa é o que está dentro

Não viva no mundo das embalagens e rótulos. Eles só servem para produtos, não para gente.

Por volta do ano de 1993, foi quando consegui começar a ajudar meu pai, homem trabalhador que dedicou a vida a sua profissão de serralheiro. Perdendo sua esposa, minha mãe, com 41 anos de idade, vítima de um câncer de mama, não voltou a se casar, e com cinco filhos para criar, não teve saída a não ser dividi-los com os parentes.

Então eu tive a honra de ir morar com minha avó. E por lá fiquei nove anos, até que fui morar com papai. Vida simples, trabalhando desde muito cedo, ajudando como podia. Morávamos numa meia-água de madeira, que devia ter entre 30 e 40 m2. Não tínhamos banheiro, mas sim, uma casinha ao fundo, chamada patente. Tomávamos banho no tanque de roupa, de mangueira, ou no riozinho que ficava próximo de casa, onde também, lembro que levava algumas roupas muito sujas para lavar batendo nas pedras do rio.

Também recordo que inventamos um chuveiro com meu irmão, Cezar, fazendo vários furinhos numa lata de tinta. Então a penduramos do lado de dentro da patente, e enquanto um ficava embaixo da lata tomando banho, o outro despejava água morna por cima da lata.

A situação era precária materialmente, mas bastante divertida. Não me recordo de achar difícil na época, pois levávamos a maior parte das dificuldades na brincadeira, inventando moda, como dizia minha irmã mais velha. Carne, macarrão, eram chamados de mistura, e apesar das adversidades, havia momentos muito engraçados, como o fato de disputarmos o pescoço de um dorso de frango (miúdo como chamávamos), em muitas pessoas.

Para tornar as coisas menos complexas financeiramente, eu vendia sorvetes alguns dias da semana, e verduras transportadas num carrinho de mão, em outros.

Eu adorava vender sorvetes, pois uma vez ao mês, em média, assim que vendia uns três dolés (picolé), fazia as contas e sabia que podia comer um. Eu amava um picolé da Kibon, que tinha uns granulados por cima, mas ele era mais caro do que os de fruta (de gelo era como eu chamava), então, realmente era só uma vez ao mês para comer aquele com os granulados.

Mas tudo isso foi bem antes de 1993. Nesse ano, consegui passar num teste para menor aprendiz e fui trabalhar na Caixa Econômica. Um ano antes, estava trabalhando como gari.

Digamos que tripliquei meus rendimentos nesse novo trabalho. Além de ter um salário melhor, ganhava ticket refeição. Então, no primeiro mês em que os ganhei, lembro de ter comprado no supermercado Triunfante, muitos sorvetes da Kibon com granulados, doces, e creme dental Kolynos, com embalagem amarelinha, que era maravilhoso, mas até antes desse novo emprego, era bem difícil ter um só para mim.

Mas a parte mais importante, é que pude comprar uma bela cesta básica para meu pai nesse primeiro mês, com parte do ticket refeição. Nesse ano, 1993, eu não morava mais com meu pai. Havia retornado a morar com minha avó um pouco antes.

Ao chegar em sua casa, com a cesta embalada para presente, ele ficou surpreso, e tratou de ir abrindo aquela linda embalagem, sem se preocupar muito com ela.

Assim que viu o que era, disse algo extraordinário, que hoje faz muito sentido para tudo na minha vida: "Polaco, a embalagem era bonita, mas o que importa é o que tem aqui dentro.”

Ele estava certo: a embalagem é importante, mas, o que mais tem valor, é o que está dentro.

Na sua vida também é assim. Assim como eu, você pode ter passado por situações bem difíceis. Porém, embora isso seja relevante, o que mais importa é o que está dentro de você, é a sua visão a respeito disso tudo, são as suas atitudes em relação ao cenário que enfrentou, ou está enfrentando.

Muitas vezes você vai se sentir a pessoa mais pobre do mundo, em todos os aspectos. Quem sabe estejam dizendo que você não tem valor, que faz tudo errado. De repente, podem até debochar da sua situação, seja no trabalho, em casa, na família.

É assim nas empresas, é assim nas relações que temos, é assim no mundo dos negócios.

Isso importa, porém, o que mais interessa, é que você não se ache sem valor. O que esse bando de ignorante pensa sobre você, vale bem pouquinho, e é só uma embalagem na qual estão querendo envolver você. O que realmente vale, é o que está dentro da sua mente, do seu coração. É o valor que você se dá, pois esse, vai superar qualquer desvalor que quiserem atribuir a você.

Assim como meu pai enxergava o valor do que estava dentro da cesta, e não apenas a embalagem bonita por fora, faça você também. Enxergue todo seu potencial, não importa o que já aconteceu, está acontecendo, ou ainda vai acontecer na sua história. Não importa quase nada o que estão falando sobre você, seu passado, seu presente ou seu futuro.

Eu adoro escrever livros, artigos, textos, mas, só faço isso, para que você aprenda algumas coisas, com exemplos que eu possa dar, e não por que li ou ouvi, mas, porque vivi. Faço isso não para que você também escreva páginas em livros, mas sim, para que seja capaz de escrever e reescrever as páginas da sua vida.

Pode ser que alguém muito especial não esteja valorizando você. Inclusive, não acreditam nos seus projetos, nas suas escolhas. Quem sabe querem que você mude a embalagem, que se vista diferente, que trabalhe em algo diferente, enfim, que não seja você mesmo. Não dê atenção a isso. Essas pessoas estão preocupadas com a embalagem, enquanto você, está preocupado com sua essência, com seu valor interior, e é isso que, no tempo certo, todos verão, desde que você não mude só para agradar aos outros.

Se for para mudar, que seja por sua decisão, que seja para melhor, mas do seu jeito, à sua maneira, e não por imposição externa. Afinal, mudar apenas porque os outros querem, é um atalho para a infelicidade na vida, na carreira, nos negócios.

Portanto, pare de flutuar no mundo das embalagens, onde as pessoas são superficiais, e querem fazer de você um rótulo, uma figura, às vezes, cópia delas mesmas. Mesmo que zombem do seu jeito, não mude porque alguém quer isso. Mude somente quando decidir que isso é o melhor a ser feito, pois é só assim que nos damos valor, e valorizamos o que mais importa, que é aquilo que está dentro de nós, a nossa essência.

Forte abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre.

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    Professor Sérgio

    Professor SérgioAdministrador Premium

    Empresário, autor do bestseller MENTE DE VENCEDOR e Palestrante. Formando em Ciências Contábeis, e Pós-Graduado em Gestão Empresarial e Pessoas.

    Com uma história inspiradora, de infância humilde, como gari, dentre tantas outras atividades, se tornou empresário, escritor e palestrante de sucesso, e tem ajudados milhares de pessoas e empresas a revolucionarem suas vidas e seus negócios.

    O Prof. Paulo Sérgio tem realizado palestras por todo o território nacional e também internacional, levando uma mensagens inspiradora, através de sua história de sucesso, com muito conteúdo, bom humor, emoção e performance, capazes de estimular as pessoas à uma grande reflexão para promoverem às mudanças comportamentais necessárias para alavancarem seus resultados pessoais e profissionais.

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