O que Atenas ensina

<i>As lições das Olimpíadas</i><br /> <br /> Muitas coisas aconteceram durante os Jogos de Atenas que podemos replicar para o mundo corporativo.

As lições das Olimpíadas

Muitas coisas aconteceram durante os Jogos de Atenas que podemos replicar para o mundo corporativo. Abaixo cito algumas destas lições:


- O problema das altas expectativas: Guga caiu na estréia, Honorato não se classificou, o time americano de basquete perdeu duas partidas, Daiane não subiu ao pódio, Phelps também falhou, entre outras decepções que presenciamos nos Jogos até agora. A pressão da alta expectativa é cruel. O controle emocional é fundamental para o atleta minimizar a pressão por resultados, mas também é para as organizações. Lembra-se do velho lema? Difícil não é chegar no topo, mas manter-se lá!. Sabe por quê? Porque a motivação é diferente. O compromisso está com quem detém a responsabilidade de não falhar. A seleção feminina de futebol vai para o confronto final com a favorita equipe americana. Para o Brasil, a tarefa já foi cumprida, o que vier é lucro, mas para as americanas, vencer é a obrigação, e este peso, em muitos casos, é insuportável. Se você é dono de um negócio, não se iluda, ganhar e se sobressair é ganhar destaque e evidência. Todos ficarão de olho em você. Basta um passo em falso para virem as críticas. Poucos vêem a Daiane que conquistou uma posição inédita na Ginástica Olímpica, 5. lugar, a maioria só se lembra que ela desperdiçou uma chance imperdível de medalha.

- O que importa é o reconhecimento do cliente. Veja a seguinte situação: Você tem dois vendedores, um é jovem, talentoso, de alto potencial, bate recordes de vendas seguidamente. O outro é experiente, já viveu o auge nas vendas e seu desempenho é mediano hoje. Se você tiver que escolher entre os dois, certamente manterá o primeiro, certo? E seu eu disser que a grande maioria de seus clientes sequer se lembra do nome do jovem, mas abandonaria a sua empresa se você despedir o segundo? Foi o que aconteceu com o ginasta russo Alexei Nemov que protagonizou uma das situações mais embaraçosas para a arbitragem nos últimos tempos. Depois de uma apresentação impecável na barra fixa, com alto grau de dificuldade, ficou apenas com a 5ª posição na classificação geral. Logo que os juízes deram a nota, o público começou a vaiar, insistentemente, por mais de 10 minutos, deixando estupefatos os juízes, que, apesar da revolta da torcida, não mudaram a nota. Nemov não ganhou a medalha, mas ficou no coração da torcida. Isso não faz você pensar até que ponto seus critérios de avaliação de desempenho fazem sentido?

- O que é eficácia? Os jogos me mostraram o exemplo definitivo da diferença entre eficiência e eficácia. Eu sempre digo que eficiência é fazer certo as coisas e eficácia é fazer as coisas certas. O americano Matthey Emmons, de 23 anos tinha tudo para conquistar a medalha de ouro no tiro de carabina de 3 posições. Já havia se tornado o primeiro americano a conseguir vagas nas finais em três categorias do tiro e já tinha levado um ouro. Liderou a prova final e chegou ao último tiro com três pontos de vantagem sobre o segundo colocado, outro ouro garantido. Ele se preparou, tomou posição e atirou. Só que o alvo permaneceu intacto, ileso. Sem entender nada, os juízes foram averiguar o que houve e descobriram: O americano mirou o alvo do vizinho! O terceiro melhor tiro das finais, só que no alvo errado! Perdeu a medalha, e a honra! Saiba exatamente qual é o seu alvo, sua meta, seu objetivo, para não correr o risco de desperdiçar seus melhores esforços.

- Estratégia em primeiro lugar. Para conquistar uma medalha você precisa ganhar todas, certo? Errado. A seleção feminina de basquete que o diga. Perdeu para a Austrália para não enfrentar, antecipadamente, a favorita equipe americana. Infelizmente acabou não tendo o gostinho de enfrentar as americanas na final, mas a estratégia foi a mais correta.

- Competitividade é isso. Final dos 100 metros rasos. Shaw Crowford, favorito ao ouro, cruza a linha de chegada com exatos 9s89, um centésimo acima de sua melhor marca, 9s88. Seu tempo lhe daria uma medalha de prata em Sidney e Atlanta. Em Atenas ficou sem nada. 9s85, 9s86 e 9s87 foram os resultados dos três ocupantes do pódio. Hoje em dia, não basta ser muito bom, tem que ser o melhor. Em muitos segmentos de mercado, pequenos detalhes fazem toda a diferença para se manter à frente da concorrência. Só que superar a concorrência com centésimos de segundo e saber que a posição não pode ser mantida por muito tempo causa insegurança, ansiedade, stress. Qual o preço que temos que pagar para nos mantermos competitivos? O que efetivamente vale a pena?

- A informação ainda é chave para o sucesso. Quando fazemos estas analogias entre o mundo corporativo e os esportes, os exemplos mais comuns passam pela determinação, garra, motivação, perseverança e outros atributos do mesmo gênero. Poucos, no entanto, se lembram que uma administração eficaz das informações ajuda técnicos e jogadores a tomar decisões importantes. A seleção masculina de vôlei é um destes exemplos. O caminho até o ouro foi marcado por um espírito de equipe sem igual, grande mérito do incansável Bernardinho. Mas suas orientações táticas ao time não foram inspiradas ou intuídas. O papel de seus auxiliares na coleta de informações, em tempo real, durante cada partida, sobre o desempenho individual de cada jogador e os índices de erros nos fundamentos pela equipe adversária, através de tecnologia desenvolvida especificamente para este fim, davam sustentação às distribuições de jogadas pelo levantador Ricardinho. Nosso esquema de jogo era imbatível por ser montado em função das circunstâncias da partida, tipo tailor made.

- Por fim, o episódio do padre irlandês que tirou uma provável medalha de ouro do peito de nosso fundista Vanderlei Cordeiro de Lima. Por mais que você faça planejamento, treine, se prepare, preveja todas as circunstâncias, jamais se livra de todos os riscos. Num lamentável fato inusitado em toda a história da maratona olímpica, o imprevisto aconteceu. Uma ação devastadora, dadas as circunstâncias, que causou um prejuízo irrecuperável ao corredor. Todos estamos sujeitos a contingências tão graves quanto esta nos nossos negócios. A questão principal é o que você faz com o que acontece a você. Levantar-se, sacudir a poeira, avaliar os danos e seguir em frente sempre tem sido a postura de empreendedores de sucesso. Desanimar, jamais. Desistir, nunca. No atual cenário econômico que vivemos, conquistar uma medalha de bronze já é um resultado fantástico!!!!


ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.