O que aprendemos sobre atendimento ao cliente com o caso da Escola de Princesas
O que aprendemos sobre atendimento ao cliente com o caso da Escola de Princesas

O que aprendemos sobre atendimento ao cliente com o caso da Escola de Princesas

Empreendimentos que mexem com assuntos delicados - religião, sexualidade, gênero - devem prestar atenção que em algum momento irão precisar responder alguém que não concorde com suas ideologias

Com uma rápida olhada no perfil do Facebook da designer Bela Bordeaux, é possível perceber que ela é socialmente engajada. Feminista declarada, Bela se descreve como alguém que apóia iniciativas que acha legais, mas que tenta "problematizar iniciativas que não acho tão legais assim". Foi o caso com uma iniciativa privada que oferece cursos somente para meninas.

A Escola de Princesas, fundada em Uberlândia (MG) pelos empresários Nathalia de Mesquita e Clebet Belato, é um projeto com "o objetivo de oferecer serviços de excelência que propiciem experiências de natureza intelectual, comportamental e vivencial do dia a dia de uma realeza, para meninas entre 4 e 15 anos, que sonham em se tornar princesas". Ontem (6), a escola recebeu uma mensagem de Bela questionando se seu "filho" poderia fazer parte do corpo discente. A resposta da empresa não a satisfez. A designer resolveu publicar sua indignação em sua página pessoal do Facebook, que prontamente se espalhou para além da rede de amigos de Bela.

Reprodução de diálogo entre Bela Bordeaux e a Escola de Princesas. Fonte: Medium.

O assunto repercutiu e chegou até a página da Escola de Princesas. De um lado, internautas demonstrando apoio ao questionamento das normas de gênero feito por Bela; do outro, o público que defende o pensamento binário (masculino x feminino) do empreendimento. Cada uma das frontes munidas com suas armas e argumentos, que aparentemente nunca chegarão a um acordo.

Entretanto, o que realmente fica de lição para nós, administradores, é a forma como Bela, em papel de potencial cliente, foi tratada por quem quer que tenha respondido suas mensagens. O atendimento ríspido e despreparado da empresa, além de supostamente estar apagando os comentários feitos em apoio à designer na página, mostra despreparo para lidar com o público que não concorda e e questiona as ideologias por trás da empresa.

Ao pensar em colocar uma iniciativa como a Escola de Princesas no mercado, algo que mexe com um assunto tão questionado na atualidade, o empresário deveria pensar sobre e estar aberto a perguntas como a de Bela, mesmo que não concorde com o pensamento do cliente. O "Ele espera!" no final da troca de mensagens expõe a fragilidade do treinamento de profissionais que deveriam entender pelo menos o mínimo sobre gênero e o movimento de desconstrução do modelo binário na sociedade.

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