O princípio Anna Karenina e o principio Godzilla da gestão de projetos

Você já tentou alguma vez, construir um castelo de cartas do baralho? Se uma carta mal colocada, e o castelo inteiro vai para abaixo. O castelo de cartas serve para nos ilustrar o princípio Anna Karenina da gestão de projetos.

Você já tentou alguma vez, construir um castelo de cartas do baralho?

Quem já tentou sabe da importância de colocar cada carta com cuidado e precisão. Um movimento em falso, uma carta mal colocada, e o castelo inteiro vai para abaixo. O castelo de cartas serve para nos ilustrar o princípio Anna Karenina da gestão de projetos, o qual diz:

“Um empreendimento que falha num aspecto está condenado a falhar totalmente. Um projeto de sucesso será aquele que consegue evitar todas (e não algumas) as falhas”.

Este princípio é amplamente usado em artigos sobre gestão. O fundador de Paypal e investidor do Facebook, Peter Thiel, abre seu livro “Zero To One”, citando o princípio Anna Karenina. O professor Bob Behn da Harvard Kennedy School, escreveu um reporte sobre gestão pública, titulado “O princípio Anna Karenina”. Este princípio surge de um conceito emprestado da obra “Anna Karenina” de Leon Tolstói, o qual descreve que famílias serão felizes se conseguirem resolver todos seus problemas. Se falharem em resolver algum deles, estarão condenados a infelicidade, pois um problema não resolvido termina prejudicando, direta ou indiretamente, outros aspectos e gerando novos problemas.

Muito antes deste princípio, Aristóteles já tinha feito uma reflexão sobre as falhas. Na “Ética a Nicômaco”, ele nos diz que "falhar é fácil, acertar o alvo é difícil".Para falhar, as possibilidades são infinitas, mas para acertar, as possibilidades são limitadas. Para comprovar isso, só precisamos tentar acertar uma bolinha de papel numa cesta de lixo, e veremos como é mais fácil errar do que acertar.

As reflexões de Aristóteles e o princípio Anna Karenina servem para nos lembrar que, se queremos atingir sucesso num projeto, temos que evitar todas as falhas possíveis. Como num castelo de cartas, tudo tem que ser bem feito. Qual seria o resultado de uma cirurgia no coração, se alguma coisa não for bem-feita? Ou numa missão espacial? Na construção de um prédio? Numa operação militar?

Deixando os tempos do filosofo grego e voltando aos tempos atuais, o professor Bob Sutton da Universidade de Stanford, um guru da excelência em gestão, menciona que nas organizações “o ruim” tem mais força do que “o bom”. Esta consideração reforça o principio Anna Karenina: algo que está errado impacta mais do que esta funcionando bem, por isso que se uma parte falha, o todo fica comprometido.

Nos seus projetos já houveram probleminhas que parecem insignificantes? ou que aparentemente, não tem impacto direto no projeto? O prof. Bob Sutton reforça a importância de combater os problemas, pois geralmente, nada vai bem quando tem alguma coisa errada. Neste sentido, temos um recurso muito util: o princípio Godzilla da gestão de projetos, o qual nos recomenda:

“Se encontramos um monstro bebê, temos que elimina-lo enquanto há tempo.

Se há um problema pequeno, ele não pode ser ignorado, pois ele pode ser um monstrinho bebê. Se não for eliminado a tempo, ele pode crescer e destruir o projeto. Como Godzilla fez com Tokio. Quantas vezes aquele probleminha que foi subestimado no começo, virou um grande obstaculo no meio do projeto?

Para procurar os melhores resultados, precisa-se evitar as falhas, em todas as frentes e em todas as etapas. Primeiro, porque para falhar temos chances maiores do que para acertar, e segundo, porque a falhas têm consequências maiores nos resultados, do que as coisas bem-feitas. As falhas pesam mais que o bem feito. Como num castelo de cartas.

Será que na gestão dos projetos, estamos procurando fazer tudo o melhor possivel? ou subestimamos algumas atividades? Menosprezamos os incidentes? Será que estamos planejando para evitar falhas? ou esperamos elas acontecerem?

Esta reflexão faz parte da abordagem proposta pelo autor: aumentar as chances de sucesso nos projetos evitando o maior numero de as falhas possíveis, pois tão importante quanto planejar para caminhar para atingir um objetivo, é prepararmos para evitar tudo que nos possa desviar dessa rota.

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