Café com ADM
#

O prazer no trabalho é derivado do sofrimento?

Diversos especialistas se debruçam sobre a questão do sofrimento, na tentativa de encontrar um meio de eliminá-lo das organizações.

A dicotomia sofrimento-prazer é tema central na obra de Dejours (1993). Diversos especialistas se debruçam sobre a questão do sofrimento, na tentativa de encontrar um meio de eliminá-lo das organizações. Para Dejours, esse objetivo é vão, e até mesmo impossível de ser alcançado.


Apesar de investir um grande esforço para lutar contra o sofrimento, os trabalhadores não buscam situações de trabalho sem sofrimento. Aliás, eles as detestam. Os trabalhadores buscam desafios, jogando e re-jogando com o sofrimento, na esperança de que esse desemboque nas descobertas e nas criações socialmente, e mesmo humanamente, úteis.


É nesse ponto, então, que o sofrimento adquire um sentido. A criatividade traz, em contrapartida ao sofrimento, reconhecimento e identidade. O sujeito se experimenta e se transforma através de suas descobertas e invenções.


Observando o percurso da origem do prazer, podemos perceber que esse é um produto derivado do sofrimento, conforme propõe Dejours. O autor vai mais além: eliminar o sofrimento do trabalho não seria apenas impossível, como significaria também um erro.

A questão central para os administradores seria, portanto, conseguir elaborar condições nas quais os trabalhadores pudessem gerir eles mesmos seu sofrimento, em proveito de sua saúde e, conseqüentemente, em proveito da produtividade.


Referências:

DEJOURS, C. Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações. In: CHANLAT, J. F. (Org.). O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. 2 ed., São Paulo: Atlas, 1993, v. I.


ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.