O poder se alimenta dele mesmo

O discurso, a aplicação da inteligência emocional às avessas, confirma que o deslumbramento, mesmo temporário, atua como química perigosa no cérebro de titulares de poder. Entre os efeitos colaterais que o poder causa nas pessoas os mais observados são: inteligência reprimida, raciocínio bloqueado e lucidez eclipsada

A gravidade dos últimos acontecimentos no contexto da rinha entre políticos de diversos matizes cada dia me convence mais dos danos que o deslumbramento do poder causa nas pessoas. Nas que o exercem e naquelas que são vitimas da inconseqüência de seus atos e decisões.

Desconfio que os agentes do estrago, mesmo diante de evidências incontestáveis não têm consciência disso. Observa-se a ausência de compromisso dos governantes. Na divagação defensiva de parlamentares. Na arrogância de auxiliares. Na postura imperial de chefias miúdas.

O discurso, a aplicação da inteligência emocional às avessas, confirma que o deslumbramento, mesmo temporário, atua como química perigosa no cérebro de titulares de poder. Entre os efeitos colaterais que o poder causa nas pessoas os mais observados são: inteligência reprimida, raciocínio bloqueado e lucidez eclipsada.

O desmoronamento de confiança e credibilidade é quase sempre proporcional ao tamanho cartorial do poder. Assim, a postura arrogante de um governador faz um estrago maior que um Prefeito.

O efeito é sempre universal. Atinge pessoas sobre as quais recaem as inconseqüências das decisões. Um chefe miúdo, por exemplo, consegue destruir, na velocidade da sua incompetência, uma organização, mesmo que se tenha levado anos para construí-la.

Nada se faz para evitar o pior. O poder se alimenta dele mesmo. O apoio solidário do time mutuamente compromissado assegura sua manutenção qualquer que seja o tamanho do estrago.

Sobre as recentes denúncias envolvendo parlamentares e figurões do governo federal surgem aqueles que bradam a inexistência de crise. Os principais assessores e aliados que estão no poder dizem que tudo não passa de uma armação. Que a crise é "construída". Reprime-se a inteligência, causada como efeito da droga contida nos sacos de poder. Não se faz avaliações consistentes.

Dirigentes de instituições mais miúdas, apoiados politicamente por outros dependentes químicos do poder dizem que interesses contrariados prejudicam a eficiência de suas gestões. Não há evasiva mais insensata para acobertar incompetências e se esconder em sua inépcia. É a lucidez eclipsada em sua plenitude.

Apontar inimigos e confrontá-los com discursos e a troca de palavras desconexas tem sido o caminho fácil e confortável perseguido por muitos dirigentes. Assim escamoteiam a incapacidade para gerenciar questões que estão acima da sua competência.

Diante de situações críticas, certos dirigentes ao invés de apontar soluções se acobertam com argumentos de que a oposição e seus adversários são seus principais impedimentos. Oposição existe e existirá sempre em todos os níveis. Na presidência ou na Instituição mais miúda.

Não saber lidar, democrática e competentemente com ela já é clara demonstração de incapacidade instruída. Voltarei ao assunto!

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