O plágio nos trabalhos acadêmicos dos cursos de graduação

Este artigo apresenta de forma sucinta a análise sobre a prática do plágio nos cursos de graduação e os impactos negativos tanto no processo de aprendizagem como no desenvolvimento pessoal e profissional dos alunos e futuros profissionais.

O problema do plágio alastra-se nos cursos de graduação com maior rapidez e intensidade à medida que as ferramentas tecnológicas tornam-se cada vez mais baratas e acessíveis a todas as classes sociais. Partindo do pressuposto que o plágio não está concentrado apenas nos cursos de graduação, em caráter empírico observa-se uma falsa naturalidade no seu uso por estudantes de todos os graus de formação.

Primeiramente destaca-se o conceito do plágio, ao qual remonta conforme Manso (1997) apud Krokoscz (2011,p.745) desde os períodos da Roma Antiga, mantendo-se de forma impressionantemente viva nos dias atuais. O plágio constitui conforme Silva (2008, p.357) “a prática de cópias de produções textuais de outrem, de forma parcial ou total, omitindo-se a fonte”. Deve-se ressaltar que o plágio não se limita a produções textuais: reproduções de produtos, imagens, figuras, embalagens, logotipos ou mesmo questões conceituais podem esbarrar nos aspectos do plágio, levando corporações a debater juridicamente os direitos autorais sobre diversos assuntos.

O plágio é mais intensamente observado de forma irônica no ambiente estudantil, onde justamente os conceitos de ética, moral e desenvolvimento do conhecimento devem ser discutidos e debatidos ao longo dos conceitos técnicos que cada curso se propõe a oferecer. E esta prática cresce de forma assustadora e torna-se comum, quase que vergonhosamente aceitável para pequenos trabalhos e produções que não exigem publicação.

Vale ressaltar que, em termos pedagógicos, o estudo e a leitura de textos de terceiros é natural e esperado para o processo de aprendizado, bem como o uso destes como embasamento dos conceitos básicos é estimulado e esperado pelos professores. As referências e citações contribuem para desenvolver o raciocínio crítico e analítico e possibilitam construir linhas de pensamento para o desenvolvimento de novos textos.

O problema é quando o estudante utiliza-se dos artifícios pedagógicos que em sua essência contribuem para o desenvolvimento intelectual e, dentro de um desvio de uso, apropriam-se indevidamente das ideias desenvolvidas por terceiros como se fossem suas. O plágio torna-se portanto uma forma rápida, simples e incompleta em sua natureza pedagógica para responder às exigências avaliativas dos estudos, pelo simples fato da apresentação de um trabalho pronto, sem nenhuma análise crítica do estudante, como se fosse desenvolvido pelo mesmo. Mais do que uma discussão ética e moral, o plágio afeta profundamente o processo pedagógico e o aprendizado, sendo o mais prejudicado o próprio indivíduo que o comete. Sem perceber a gravidade da situação, o estudante em cada situação de plágio torna-se menos competente na geração de ideias e mais dependente da construção do saber de terceiros.

Dentro do ambiente profissional, os resultados desta prática a longo prazo são profundas e severas. O profissional após anos praticando plágio torna-se superficial, pode ter dificuldade de concentração e diminuir sua capacidade para desenvolvimento de ideias próprias ou mesmo argumentos. Como os resultados profissionais são em sua maioria diretamente associados ao trabalho direto do indivíduo, o mesmo encontra-se sozinho, sem ninguém a quem recorrer para copiar conceitos ou soluções. É possível que este individuo concentre seus esforços em atividades operacionais rotineiras ou repetitivas, já que a zona de conforto naturalmente irá direcioná-lo para esta função que não exige a criatividade ou a geração de novas propostas.

O papel dos professores neste processo de controle do plágio é fundamental para minimizar os impactos negativos que esta prática causa aos alunos ao longo dos anos. Claro que, num primeiro momento, os alunos não entendem que os métodos restritivos e de controle do plágio são benéficos para os mesmos, uma vez que este controle exige dedicação maior, bem como a necessidade do estímulo ao raciocínio, além da possibilidade do erro. Mas seguramente o esforço do educador neste sentido irá contribuir para o desenvolvimento pedagógico e intelectual dos alunos, com resultados favoráveis no futuro profissional.

Referências Bibliográficas:

KROKOSCZ, Marcelo. Abordagem do plágio nas três melhores universidades de cada um dos cinco continentes e do Brasil. Revista Brasileira de Educação. V.16, no. 48, seti/dez 2011, págs. 745 a 768.

SILVA, Obdália Santana Ferraz. Entre o plágio e a autoria: qual o papel da universidade? Revista Brasileira de Educação. V.13, no. 38, mai/ago 2008, págs. 357 a 368.

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