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O PERFIL DA MISÉRIA NO BRASIL

O Brasil, mesmo sendo um país, potencialmente rico, continua convivendo com índices sociais vergonhosos, que nos colocam no mesmo patamar de Serra Leoa, um país do oeste da África, ao sul de Guiné e a nordeste da Libéria e que tem o mais baixo índice de desenvolvimento humano IDH do mundo. Temos 53 milhões de pobres, o equivalente a 31,7% da população, isto é, temos milhões de famílias com renda domiciliar per capita inferior a meio salário mínimo por mês. Tudo isso é o resultado de uma política econômica que, ao longo dos anos, estimulou e ainda estimula a concentração de renda e gera cada vez mais exclusão social, em nome de uma austeridade que está muito mais preocupada com os números do superávit primário do que com os seres humanos que vivem na periferia das grandes cidades. A solução do problema está na mudança das prioridades governamentais, com ênfase em um novo modelo de desenvolvimento econômico, que priorize uma melhor distribuição de renda e a geração de emprego e renda. Os Programas Compensatórios, praticados pelos Governos Estaduais e pelo Governo Federal, são medidas paliativas e emergenciais que nunca resolverão o problema, servem apenas para mascarar os números por algum tempo, mas acabam agravando o quadro de exclusão social. Os números das pesquisas sociais assustam a todos nós, porque o Brasil não é um país pobre, mas tremendamente injusto! O documento Radar Social 2005, divulgado pelo IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em um dos seus gráficos ilustra muito bem isso: 1% dos brasileiros mais ricos, o equivalente a 1,7 milhão de pessoas, apropria-se de 13% da renda nacional e 50% dos brasileiros mais pobres ficam com 13%. Outro aspecto desse tremendo desequilíbrio é que no Brasil a pobreza tem cor. Entre a população negra, 44,1% vivem em domicílios com renda per capita inferior a meio salário mínimo. Entre brancos, esse percentual é de 20,5%. Segundo ainda o documento, a probabilidade de um negro estar no estrato mais pobre da população é cerca de duas vezes maior que a de um branco. Como justificar que temos no Brasil 21,9 milhões de indigentes, que representam 12,9% da população, com renda per capita menor que um quarto do salário mínimo, cerca de R$ 75,00? O Governo Federal precisa rever as suas prioridades e pensar seriamente em formular políticas públicas que não apenas amenizem a fome e a miséria, mas que representem solução para o grave problema social que ameaça este país há várias décadas. Em lugar de fome zero, por que não desemprego zero? Quando existe o instituto da reeleição, como no Brasil, a partir do terceiro ano de mandato, isto é, 2005, no nosso caso, o Governo já começa a governar visando à reeleição e não a solução dos graves problemas sociais! A campanha eleitoral já está em pleno desenvolvimento e tudo o que se vota ou não se vota já vai alterar o quadro político para 2006. Não podemos conviver mais com 14,6 milhões de analfabetos 11% da população brasileira - sendo que 9,6 milhões moram na zona urbana! Ocupamos o 55º lugar em 118 países. Uma vergonha! O Presidente Lula, em seus discursos de campanha assumiu o compromisso com a população brasileira de dobrar o valor real do salário mínimo até o final do seu primeiro mandato. Isso significa que no próximo ano o salário mínimo terá que ser estipulado em, no mínimo, R$ 400,00, o que parece muito pouco provável. São problemas crônicos que todo mundo sabe que precisam ser resolvidos, que todos os candidatos tem a solução em seus programas de governo, mas que continuam aí a nos desafiar e a nos envergonhar diante do mundo. A Região Nordeste continua a ser o grande desafio para os governos estaduais e para o Governo Federal e dali parte o maior número de informações para a composição do perfil da miséria. Em pleno Século XXI, ainda morrem ali 37,7 crianças em cada mil, o que significa um percentual 50% maior que a média nacional, enquanto isso continuam os discursos, os Grupos de Trabalho, as Comissões e os Projetos que nunca decolam e que não trazem qualquer solução para a redução desses índices, integrando o nordeste definitivamente ao Brasil e tirando-o dos relatórios escabrosos da ONU e de outros organismos nacionais, regionais e internacionais. Esse é o perfil da miséria no Brasil e não sabemos até quando o povo suportará tanta humilhação e tanto sofrimento. . . .
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