O paradoxo do mercado de trabalho

Questionamentos sobre as exigências na hora da contratação e o que se oferece, principalmente em serviços e atendimentos. O que se pede de qualificação e o que se entrega de ao consumidor é o paradigma abordado deste artigo

Na era da informação onde a imagem de uma empresa se fortalece através das mídias sociais, onde também através dessas mesmas mídias, as informações de insatisfação quanto a produtos e serviços circulam à velocidade luz e por outros variados meios de comunicação instantânea, as empresas têm que montar estratégias que busquem minimizar os impactos causados por uma imagem ruim. Com isso, buscam como estratégia, além de certificações ISO e NR, profissionais, os mais qualificados que estiverem à procura de uma colocação, para ocuparem os cargos técnicos e gerenciais.

Com a economia de mercado em baixa, as exigências tornam-se ainda maiores para ocupação de cargos que possibilitem o cumprimento da missão da empresa.

Mas vamos levantar algumas questões importantes. Esses colaboradores disponíveis no mercado têm consciência do seu verdadeiro papel dentro da empresa? E como profissionais, sabem qual o seu papel na sociedade?

Pois, na minha humilde opinião, é aí que encontra-se justamente o paradigma entre o que a empresa exige de mão de obra qualificada, e o que ela entrega de nível de serviço ao mercado.

Será que o planejamento de carreira desenvolvido pelo departamento de Recursos Humanos será capaz de preencher essa lacuna entre o desconhecimento do candidato sobre seu real papel dentro da organização e a melhora nos níveis de comprometimento que possibilite reais aumentos na qualidade de atendimento?

Carreiras que poderiam ser brilhantes não sucumbem a um modelo muito formalizado?

Sabemos que: “Os programas de gestão de pessoas devem objetivar as ações de movimentação delas segundo suas competências, associando as ações de desenvolvimento de suas potencialidades e sua valorização segundo osresultados apresentados.

Mas as pessoas sabem quais são suas reais competências quando acabam a formação acadêmica?

Pelos relatos aí a fora, sabemos que nem sempre.

As pessoas têm necessidade de trabalhar para alcançarem seus objetivos pessoais e mais uma pergunta se faz necessária: uma pessoa que sonha ser médica e nasceu em uma família da classe baixa, deve abandonar seu sonho, já que terá que trabalhar para pagar seus estudos? E em sonhando ser médica essa pessoa não poderá, por exemplo, ser uma excelente vendedora? A empresa que busca candidatos para essa vaga, deverá somente aceitar aqueles que se dizem apaixonados por vendas?

Numa entrevista de emprego, quase que na totalidade, as pessoas têm que mentir. Eu mesma fiz essa experiência, quando se questiona muito o seu próprio papel dentro da empresa e o papel da empresa em retorno além do salário e benefícios, você é descartado.

Mais uma vez, uma pessoa que pretende seguir uma carreira como médica, tem o elemento principal para um bom atendimento como vendedora, a vontade de ajudar o próximo. Então tudo dependerá da motivação e do ambiente no qual aquele colaborador está inserido. Mesmo o profissional ideal para determinado cargo, poderá obter propostas em outras organizações concorrentes, através de salário mais atraente ou outros benefícios que coloquem em risco a perda de um potencial humano que contribui mais que satisfatoriamente para a organização. Com isto, para mim fica claro que uma pessoa pode não ser a mais competente, mas pode ESTAR competente e pode gerar RESULTADOS satisfatórios se for respeitado em sua individualidade e disponibilidade de trabalhar para a empresa.

Não há que se esperar que o mesmo cargo seja ocupado pela mesma pessoa por 40 anos, a menos que este cargo seja de presidente da empresa, eu torço para que não. E mesmo assim, a história mostra nomes como Abílio Diniz, por exemplo, assumindo novos desafios em outro lugar, porque é esta a natureza humana, uma constante insatisfação que gera o impulso para o crescimento, tanto pessoal quanto profissional.

Para mim, a avaliação de desempenho é necessária sim, mas alguns modelos devem ser revistos e reavaliados. Há uma certa crítica aos que levam em consideração a subjetividade, quando há vínculo emocional, mas retirar este vínculo não permite que a área de recursos humanos passe a ser um pouco desumano?

Publicado originalmente em https://www.linkedin.com/pulse/o-paradoxo-do-mercado-de-trabalho-margarete-carmona

ExibirMinimizar
aci baixe o app