O papel do Marketing na dinâmica cultural

A cultura está em constante evolução, pois trabalha segundo os interesses da sociedade. O profissional de marketing deve evoluir junto com a cultura, ficando atento para novas tecnologias, mudanças na população, diminuição de recursos, guerras, mudanças de valores e costumes adotados de outras culturas. Os professores de mercadologia da FGV-EAESP (DIAS, 2003) citam as principais mudanças culturais recentes referentes ao mercado de negócios, são elas: foco no core business (atividade fim da empresa), mercados globalizados, administração focada no cliente, consciência da responsabilidade social da empresa e governança corporativa. Schiffman & Kanuk (1997) cita a evolução dos papéis abertos às mulheres como uma das mais importantes transformações culturais desse final de século. Sobre isso, a escritora chinesa Chin-Nig Chu no livro A Arte da Guerra para Mulheres (2003), desabafa: "Por mais que os homens pensem no quanto sabem a respeito das mulheres, só uma mulher sabe como é difícil ser mulher. Além da complexidade de nossa composição física e emocional, como trabalhadoras somos também provedoras que exercem múltiplos papéis na família: esposa, mãe, cozinheira, faxineira, gerenciadora de crise, contadora, professora, lavadeira, jardineira, motorista, enfermeira, psiquiatra, médica, lavadora de louças e coletora de lixo. Nós, mulheres, para competir nesse mundo dominado por homens, sempre tivemos que ser duplamente boas em nossas tarefas e ver homens, com a mesma competência que nós, receberem salários três vezes mais altos". Tom Peters em seu livro O Círculo da Inovação (1998), mostra estatísticas interessantes sobre essa evolução das mulheres. Segundo o autor, 65% das decisões de compra de carros nos EUA, são tomadas por mulheres, mas somente 7% dos vendedores de carros são mulheres. De acordo com Peters, há 25 anos atrás, cerca de 400.000 mulheres americanas eram proprietárias de empresas. Hoje, está perto de 8 milhões. Essas empresas faturam US$ 2,3 trilhões em vendas anuais e empregam 18 milhões de pessoas. Mais da metade dos novos empregos criados nos Estados Unidos desde 1982 são atribuíveis a empresas de mulheres. Mais de 10 milhões de mulheres ganham mais que seus maridos. As mulheres controlam mais da metade do consumo comercial e de bens de consumo que contribui para o PNB americano. Isso significa que as mulheres americanas são, de fato, a maior economia nacional do mundo, maior que toda a economia japonesa. O estudo "Perfil das Mulheres Responsáveis pelos Domicílios no Brasil", baseado no Censo 2000, mostrou que 11,2 milhões de mulheres ou 12,9% das 86,2 milhões de brasileiras têm sob sua responsabilidade 24,9% dos domicílios do país. Em 1991, apenas 18,1% dos domicílios estavam nessa situação. Outra visão interessante a respeito da dinâmica cultural é mostrada por Kotler & Armstrong no livro Princípios de Marketing (2003). Para eles, os profissionais de marketing podem mudar as crenças e os valores de seu público alvo, mas devem focar nas crenças e valores secundários, sabe por quê? "As pessoas de determinada sociedade possuem muitas crenças e valores. Suas crenças e seus valores centrais são muito persistentes. As crenças e os valores secundários são mais abertos a mudanças. Acreditar no casamento é uma crença central; crer que as pessoas devem casar cedo é uma crença secundária. Os profissionais de marketing podem mudar valores secundários, mas dificilmente mudarão valores centrais. Por exemplo: em relação ao planejamento familiar, esses profissionais teriam mais êxito se argumentassem que as pessoas devem se casar mais tarde do que se dissessem que elas não devem se casar". Kotler & Armstrong entendem que "a empresa que realmente compreende como os consumidores respondem às diferentes características, preços e apelos publicitários do produto possuem uma grande vantagem em relação aos seus concorrentes". Outro fator que merece atenção dos profissionais de marketing é a atitude com relação a um produto, serviço ou marca. Em contato com o produto, serviço ou marca, o cliente faz uma avaliação, que pode ser positiva ou negativa. Para os professores do departamento de mercadologia da FGV-EAESP (DIAS, 2003), é difícil mudar as atitudes, sendo "um dos maiores desafios desenvolver estratégias de marketing, principalmente na comunicação, que construam uma marca forte que garanta uma atitude favorável".
ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.