"O outro eu", a autoestima e "O melhor vem ao final"

No nosso Marketing Diário, o último argumento para vender os nosso produtos/ideias deve ser sempre o melhor, aquele que traga maiores perspectivas

"O outro" para designar a terceira pessoa (humana) no singular, "ele", é uma frase incompleta, a completa é "O outro eu". É nele, no próximo, que cada um se reconhece, se reflete e desta troca tem-se a base de semelhanças e diferenças interpessoais.

Impressiono-me quando me oferecem: "Compra um paninho aí, são 5 por R$ 10!" Retruco "Não estou precisando, senhora, obrigado!". E ela insiste: "Mas compra pra me ajudar" Eu repito: "Não estou precisando, senhora, obrigado! Quando precisar posso comprar". Que tão baixa autoestima é essa? "Compra um paninho... pra me ajudar"? Muitos ignoram e compram por caridade que acaba sendo caridade fratricida porque mata no outro a oportunidade de ele dar o melhor de si e superar-se.

A motivação e a autoestima não existem fora deste caminho: esforçar-se, dar o melhor de si, colocar-se à aprova, superar reprovações, autoafirmar-se! Caminho este, árduo a priori mas feliz a posteriori.

Não compre o próximo "paninho para ajudar o outro". Se para você a troca valer a pena, o outro já se sentirá recompensado. Simples assim, sem solenidades e protocolos! Estimule-o a doar-se no que ele faz agora para elevar-se a outro patamar amanhã. Não o vicie na certeza de que, ao final, o "Compra pra me ajudar?" virá em seu socorro. Isto é muito triste, você não acha? Coloquemo-nos no lugar do outro: será que nos meus passos iniciais contentar-me-ia com o "Não preciso, mas vou comprar pra te ajudar"? Pode apostar que não! E você? E o outro não pode vir a ser tão competente quanto eu e você? Ou isto nos afeta? Não retroalimentemos esse marketing infame que semeia desgraça no varejinho para colher no atacadão!

A "medida certa" não é quantitativa (a esmola) e sim qualitativa: (a) o melhor está por vir ou (b) por último vem o melhor. Se hoje tivéssemos a certeza de termos atingido o ápice de nossa vida, que estímulo teríamos para o possível amanhã? Então pensemos que é implícita a possibilidade não só de se viver o amanhã mas de ele vir a ser melhor que todos os dias vividos até hoje. Fantástico! Não?

No milagre de Jesus em Caná da Galileia (Jo 2), o Mestre-Sala chega para o noivo e pergunta:

"Você deixa para servir o melhor vinho por último?" Portanto, no nosso marketing o último argumento tem que ser o mais fulminante. Aquele no qual apostaremos "todas as últimas fichas" para "matar a pau". Mas com um último argumento "- Compra pra me ajudar!" em que o outro dá-se a si mesmo "em holocausto", nós vamos aceita-lo como "cliente do nosso pesar e sentimento de culpa"? Eu não aceito! E você?

Qual é o problema em alguém vender "paninhos" hoje, se esse for o seu lugar ao sol? Contudo, importa que ele, eu, você, nós saibamos que existe sempre a franca possibilidade de crescer! Então, afinal, queremos alimentar a esperança de o outro ser maior amanhã ou preferimos matá-lo como “bode expiatório”, nos requintes da caridade fratricida?

Vamos quebrar esse pacto social tácito, maldito e perverso, que retroalimenta o assistencialismo clientelista desse cristianismo e sua caridade provindos de Judas Iscariotes, jamais de Cristo!

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