O negócio "mesh" com você

Artigo sobre o negócio "mesh", que ensina a compartilhar e obter mais informações para aumentar seus resultados

Nos últimos meses o que ouvimos com maior frequência foram diálogos, matérias, seminários, palestras e informações com a palavra “crise”. Eu me perguntei: o que de tão enigmático existe por detrás desta palavra? Você já havia se questionado a respeito da origem de “crise”? Ao menos, eu não. Foi então que ao preparar minha última palestra atentei para a questão do significado deste pequeno conjunto de cinco letras, que instigou-me a buscar literalmente a fonte originária da “crise”. O resultado obtido está na palavra grega Krisis, usada pelos médicos de tempos antigos quando só restava ao doente, depois de medicado, dois desfechos possíveis: a cura ou a morte.
Ao contrário do que grandes massas pensam a respeito do significado de “crise”, palavra normalmente utilizada como referência a um momento ruim, intransponível, escuro ou até mesmo sem solução, “crise” significa separação, decisão e também definição. Esse conceito descortina um novo modelo de relacionamento humano chamado “mesh”, onde compartilhar permitirá maiores lucros, negócios mais verdes, benefícios sociais e mais informações para guiar as escolhas dos consumidores.
A “mesh” é uma grande oportunidade para criação de novos negócios e a renovação dos velhos, assim denominada pela americana Lisa Gansky, autora do livro “mesh – Porque o futuro dos negócios é compartilhar”. Em sua obra, Lisa nos convida a aumentar a percepção a cerca das necessidades do cliente. Um dos questionamentos sugeridos pela autora é “O que será que eu possuo, ou meus amigos possuem, que nós valorizamos, em que a relação entre o valor e o custo relativo é desequilibrada?”.

Sair da fórmula criar, vender e cobrar dinheiro pelo produto/serviço é um constante exercício que deve ser feito por organizações que almejam evolução de seus números, assim como pensar novas formas de visualização e distribuição do que se pretende ofertar ao consumidor. O que você, representante de uma empresa, pensa a respeito de fidelizar o cliente? O estímulo à recompra é um produto de consumo de vida curta ou a proposta com base na necessidade do cliente que serão determinantes para guiar a escolha por sua empresa? São estas questões que fazem do negócio “mesh” o futuro diante do atual cenário, onde clientes repensam o que consideram valioso em suas vidas ao passo que se frustram com negócios que aumentam rapidamente o custo e reduzem a quantidade/qualidade oferecida.
Compartilhar através de plataformas, web, redes sociais, explorar tecnologias móveis baseadas em localização e aproveitar o momento para a entrega de produtos e serviços (que ofereçam mais valor e menos custo para o ambiente e seus habitantes), são características de empresas “mesh”. A empresa Zipcar é citada na obra de Lisa como um exemplo de organização de sucesso dentro deste modelo de negócio. Com o compartilhamento de automóveis, esta estabeleceu-se nos Estados Unidos, Canadá e Europa em menos de nove anos. Em 2009, a empresa gerou acima de $130 milhões em receitas e cresceu mais de 30% em apenas um ano, demonstrando as taxas mais rápidas de crescimento da década.

A principal característica do negócio “mesh” é o acesso do consumidor ao produto no lugar de ter a propriedade do bem. A Zipcar, mencionada por Lisa, é sucesso porque simplesmente permite o acesso a carros. A empresa não vende, conserta ou os fabrica: ela compartilha. Na iniciativa de compartilhar, a organização possibilita o acesso ao automóvel, insentando o cliente de despesas como financiamento, seguro, combustível e manutenção, estas que seriam desproporcionais frente à utilização do veículo no período de um ano, por exemplo.

O futuro dos negócios se dá no real entendimento das necessidades do cliente. O compartilhar por sair da fórmula criar, vender e cobrar, permite o acesso e não a propriedade do bem da forma tradicional que conhecemos. A organização passa a obter mais informações a respeito das necessidades do consumidor, devido ao número de interações com este e o cliente ganha a longo prazo, com ofertas de negócio que traduzem sua necessidade, produtos de qualidade, acesso ao bem no momento que deseja e menos desembolso de dinheiro.
Em todo este contexto de “mesh”, no entanto, não há a visão de findar por completo a posse de bens, o que ocorre é a proposta de uso mais racional utilizando o método de compartilhamento visando diminuir os custos e criar sustentabilidade. Uma pessoa, por exemplo, que utiliza o carro próprio apenas duas vezes ao mês, ao final de cinco anos arcou com custos altíssimos da posse de um veículo, desde o valor de aquisição, passando por impostos e seguro, além da manutenção, podendo, ao invés disso, utilizar um automóvel compartilhado. Para a mesma situação, o usuário teria a “posse” de um carro apenas pelo período que de fato esteve com ele: duas vezes a cada 30 dias (ou seja, menos de 7% do tempo). Com esta informação, seu gasto com o carro compartilhado será proporcional à utilização e girará em torno de 7%, e não a 100% como é na forma de propriedade.
Tendo o conhecimento sobre o perfil de utilização do usuário, a empresa que oferece o compartilhamento pode traçar melhor o perfil deste cliente e oferecer produtos e serviços de acordo com a real necessidade deste, e não necessitará empurrar a posse de produtos de qualquer natureza para o comprador de forma aleatória, uma vez que o pagamento será através do percentual de utilização, e não por aquisição de um bem próprio. A organização que irá despontar será aquela que obtiver a informação do que de fato tem valor para o cliente.
E agora eu te pergunto: sua equipe sabe quais são os valores da sua empresa? E você sabe o que seu cliente valoriza? O que você está esperando para mexer com os números do seu negócio?
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