O “negócio da china” mais brasileiro de todos

Há 22 anos, Shiba inaugurou a primeira loja delivery de comida chinesa e um mês depois o Gendai, o primeiro restaurante japonês em shoppings. Mas como será que estes negócios começaram?

“Cresci e morei no fundo da loja de material de construção do meu pai. Queria ser igual a ele e ter duas fontes de rendas: uma como dentista e outra de um negócio próprio”.

Foi assim, com esse impressionante dueto de simplicidade e foco que Robinson Shiba, fundador da Rede China in Box e CEO da TrendFoods, começou sua palestra em 3/11, no Espaço Inovação e Empreendedorismo - HSM Expo Management.

Há 22 anos, Shiba inaugurou a primeira loja delivery de comida chinesa e um mês depois o Gendai, o primeiro restaurante japonês em shoppings. Mas como será que estes negócios começaram?

Certo dia, Shiba teve a oportunidade de ir ao Estados Unidos para estudar e conheceu a tal comida chinesa em caixinhas - algo que nunca antes tinha visto no Brasil e que se transformaria em uma obsessão positiva para este empreendedor nato.

Ele permaneceu um ano naquele país e nessa caminhada aconteceu de tudo, desde ser roubado a lavar milhares de pratos para garantir os estudos. E, durante aquele ano, observou as caixinhas continuarem ‘firmes e fortes’ por lá.

Ao voltar para o Brasil, terminou a faculdade de odontologia e, seguindo o exemplo do pai, abriu três consultórios. Sempre inquieto, começou a visitar restaurantes chineses e observar muitos modelos de negócios. A maioria dos clientes era ocidental e os restaurantes se concentravam no bairro da Liberdade, em São Paulo. Nenhum deles tinha delivery, no máximo ofereciam embalagem de alumínio para viagem.

Em 92 Shiba vendeu de seus dois consultórios e convenceu seu pai a vender um apto por uma quantia ‘nada tentadora’. Montou a primeira loja China In Box em Moema por ser um bairro em que era possível vender as caixinhas de comida tanto no almoço como no jantar.

Porém, mesmo com muita pesquisa de mercado, o primeiro pedido custou a sair. As pessoas estranhavam um delivery de comida chinesa de um restaurante com nome em inglês. Para resolver o impasse, uma solução muito bem bolada - afinal, vendia caixinhas mas suas ideias estavam ‘fora da caixa’. Ele foi além do tradicional folheto com cardápio. Apostou que fotos desmistificariam seus produtos com nomes diferentes. Tanto foi o sucesso que sua grande e aparentemente simples inovação é seguida por muitos restaurantes até hoje.

Superados os primeiros desafios, o ‘negócio da China’ mais brasileiro de todos despertou interessados por abrir franquias. A empresa ainda não tinha estruturado essa ideia, mas soube aproveitar a oportunidade. Com o apoio de uma consultoria começaram a franquiar e tiveram um exemplar resultado: em 94 venderam 35 lojas e em 95 outro tanto. Hoje são 170 lojas ao todo.

Talvez alguns estejam se perguntando porque conto aqui esta história. É que é admirável como empreendedorismo e inovação são receita de sucesso quando bem ponderadas.

Shiba soube quebrar paradigmas e inovar desde o começo. Trouxe um negócio que não existia por aqui e ainda criou uma marca sem o tradicional dragão em seu logotipo. Ele soube encontrar soluções únicas a cada desafio. Quem você acha que inventou a mochila usada pelos motoboys de comida delivery? Um funcionário de Shiba, que cansado de quebrar tantos isopores e ver a comida esfriar, contou com as habilidades de sua mãe costureira.

Mas nem tudo são flores. Shiba diz ter cometido vários erros nesse percurso. Ele prefere “fazer e pecar” a não inovar.

Perguntei a Shiba no fim da palestra o que ele aconselharia a novos empreendedores. Para ele, é imprescindível ter paixão pelo negócio que se escolhe, ser próximo de colaboradores e parceiros, além de fazer uma boa pesquisa na área que quer existir e fazer a diferença!

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