O Minduim que vive em nós

Nem sempre uma animação é só mais um desenho de criança. O filme do Snoopy também traz reflexão para a vida adulta

Mês passado estreou no cinema o filme do Snoopy. O famoso e simpático cão beagle de Charles M. Schulz chegou às telonas com toda nostalgia a que tem direito, já que algumas gerações, onde me incluo, cresceu assistindo suas aventuras com Charlie Brown e sua trupe.

Meu enteado fez questão de assistir o 'Islupi' e por isso tinha mais essa razão pra ir ao cinema. Mais essa, pois estava pessoalmente curiosa para assistir um dos desenhos que marcou minha infância nesta nova versão. Em tempo; como assistia com meu irmão (hoje barbado e quarentão) mantemos até hoje uma estranha mania herdada do desenho que poucos entendem; chamamos um ao outro de 'meu' por influência da excêntrica dupla Marcie e Patty Pimentinha.

Assim como no desenho, Charlie Brown, vulgo 'Minduim', é destaque no filme ao lado de Snoopy .Sua auto avaliação sobre a ausência de habilidades na escola e na vida torna-se uma longa jornada de transformação quando ele se apaixona pela nova aluna da sala. Nada de errado não fosse a miopia como Brown enxerga seus fracassos e como avalia o sucesso dos colegas. Ele passa a investir em planos mirabolantes com a ajuda de Snoopy para mudar sua essência imaginando que assim seria atraente aos olhos da tal menina.

Além de ajudar o fiel amigo, Snoopy em paralelo, tenta mais uma vez escrever sua história heroica, combatendo um inimigo ameaçador com sua casa voadora. Aqui cabe uma observação: Snoopy é o cão e seu grau de autoestima é infinitamente mais elevado que o de Charlie, seu dono. Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.

Não é preciso dizer que as investidas de Charlie Brown são frustradas. Embora acredite ser um eterno fracassado, o menino de cabeça grande é surpreendido ao ouvir da garota que suas maiores qualidades são exatamente o que ele tentou sem sucesso, mudar. Já o Beagle, escreve sua fantástica aventura, idealiza o amor de sua vida na história, mas têm seu livro rasgado pela pseudo-adulta Lucy. Mesmo sem o livro em mãos, Snoopy segue feliz da vida com seu amigo Woodstock, a prova de que auto estima de menos não leva à lugar nenhum mas quando se tem confiança a jornada vale mais do que o destino.

Peanuts é uma bela animação de cores e formas, simples e sutil ao expressar sentimentos comuns à infância como amizade, diversão e medos, mas vai além trazendo à tona o bullying diário que fazemos todas as vezes em que tentamos agradar mais aos outros do que a nós mesmos e assim alimentamos o 'Minduim' que vive em nós. Por outro lado a experiência de Snoopy ressalta como é importante confiarmos em nossas convicções e porque não, sonhar grande?

Qualquer necessidade de mudança deve atender primeiro à nossa essência e bem sabe-se que agradar aos outros dá muito mais trabalho que conviver com nossas imperfeições.

Em uma era em que todo mundo é expert em alguma coisa e tem mais a ensinar do que aprender, só no resta refletir sobre nossas atitudes e manifestar, como diria nosso querido Charlie de vez em quando 'Queeee puxaaa'...

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