O mimimi do RH

Não dê ouvidos ao que os grandes consultores de RH dizem. Faça o correto e relaxe no dia da entrevista

Há uma overdose de revistas, jornais e vídeos no YouTube que ensinam como o candidato deve proceder em uma entrevista de emprego. Muitos especialistas em RH de grandes corporações de recrutamento e seleção dão inúmeras dicas e pregam o que eles procuram em um candidato. Tolice, esses grandes especialistas não são tão relevantes assim.

Segundo dados do SEBRAE, as micro e pequenas empresas totalizam 99% do investimento empresarial privado no Brasil e são responsáveis por 52% dos empregos gerados (com carteira assinada).

Essa pregação de regras sobre como se comportar no dia da entrevista gerou uma sensação de que a empresa avaliará o candidato que souber fazer entrevista, e não o candidato com as competências necessárias. Seria como se a empresa recebesse um currículo e ficasse pensando assim: – Este candidato não utilizou a margem correta para fazer o currículo como a Você S/A ensinou, vamos eliminá-lo.

Em sala de aula, alunos me procuram desesperados perguntando como fazer um bom currículo, como se essa folha de papel fizesse parte de uma prova para poder trabalhar. Pensam que o candidato que não seguir as normas estabelecidas (por quem?) devesse ser excomungado do mercado de trabalho.

Eu fico me perguntando se as papelarias, açougues e supermercados do meu bairro selecionam candidatos da mesma forma como os renomados profissionais de RH do Brasil (que dão entrevistas todos os dias nos ensinando como nos comportar). Nessas empresas, em que o dono acaba fazendo de tudo, não têm regras para se contratar. Ou você acha que o dono da papelaria fica avaliando se o seu currículo é do jeito que o Max Gehringer falou ou se você cruzou os braços, as pernas ou piscou mais de uma vez por segundo? Pois é, são nessas empresas que a maioria das pessoas vão fazer entrevistas e trabalhar. E não nas multinacionais.

É muito comum ouvir casos em que candidatos despretensiosos, que vão relaxados à empresa, se assustam ao serem contratados. “E eu nem fiz a barba!” A maioria dos contratantes não estão nem aí para essas regras, eles querem uma pessoa que resolva seus problemas e saber fazer um currículo não é a solução do empresário.

Além disso, todo esse mandamento sagrado das contratações acaba gerando a sensação de que os empregadores querem os mesmos candidatos para todas as vagas. Certa vez um supervisor mencionou em um curso que ministrei: “não contrato mulher bonita para meu setor”. Quem poderia imaginar que esse supervisor teria esse critério de seleção?

Meu caro, se eu, como empresário, quiser contratar uma pessoa que tenha o dedo anelar maior do que o dedo médio em 3mm, não interessa o quanto meus candidatos saibam fazer currículo. Não interessa o quão bem vestido eles comparecerão à entrevista. Se o maldito dedo anelar de um candidato não for maior do que o dedo médio, ele não será contratado. A empresa é minha e eu contrato quem eu quiser (claro que aqui também entra a função social do investimento privado, mas no mundo real as coisas são diferentes).

“Ah, mas isso é preconceito!” Ok, mas antes de mudar o mundo você precisa arrumar um emprego.

Claro que há princípios para a elaboração de um bom currículo e para uma entrevista de emprego. Querendo ou não, alguns comportamentos são esperados. Você precisa ter um bom currículo e ser seguro na entrevista. O que não se pode é achar que todo mundo lê a Você S/A o dia inteiro. Relaxe.

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