Café com ADM
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O melhor feedback que já recebi

Como algumas palavras simples criaram confiança suficiente para arriscar e desenvolver potencial de liderar

"Há um estágio na vida onde as pessoas consideram permissível ser egoísta e se gabar em público sobre suas próprias conquistas. Que grande eufemismo para auto-bajulação a língua inglesa desenvolveu! Autobiografia, eles escolhem por chamá-la, onde os erros de outros são frequentemente expostos para destacar as conquistas do autor. Eu duvido que um dia eu sente para falar de meu passado. Eu não possuo nem as conquistas das quais eu poderia me gabar nem a habilidade para tal. Se eu viver embriagado a cada dia de minha vida, eu ainda assim não teria coragem para tentar. Eu às vezes acredito que através da minha história a Criação queria dar ao mundo o exemplo de um homem medíocre no próprio significado da palavra".

Este trecho foi retirado do livro “Conversas comigo mesmo” de um dos líderes mais inspiradores da história, Nelson Mandela, já aos 53 anos de idade. Essa frase ficou na minha memória viva como um símbolo que representa algo que aprendi alguns anos antes com o que considero o melhor feedback da minha vida e que esclareceu a dúvida que mais tinha medo: era possível desenvolver meu potencial de liderança?

O contexto era de um jovem parcialmente insatisfeito com sua faculdade, em dúvida quanto a seu futuro, e que encontrou num trabalho voluntário a possibilidade de ascensão rápida a cargos de liderança e gestão de equipes. Após uma série de condutas pouco compatíveis com liderança de alta performance, recebeu uma nova chance de ocupar um dos cargos de diretoria.

Estava prestes a embarcar para os Estados Unidos para uma experiência de intercâmbio. E uma das principais características deste jovem era uma deferência muito grande à autoridade e hierarquia. Especialmente pela dificuldade em encontrar seu próprio propósito, valorizava a clareza e visão de pessoas.

Para entender o contexto da existência do propósito, desde o início dos estudos da filosofia, Aristóteles foi um dos primeiros a abordar a existência de um propósito. O que foi chamado de “Lei Natural”. Cada elemento do universo é bom ou ruim, segundo a teoria do grego, de acordo com atingir ou não seu propósito. Exemplo, uma faca é boa se serve a seu propósito de cortar. Uma faca, porém, não pode ser comparada a um ser humano, pelo fato de que não é dotada de racionalidade e escolhas. Portanto, uma faca não pode ser culpada por uma assassinato pelo fato que serviu ao seu propósito, e quem foi a força que deturpou este propósito foi o homem. Portanto, o que faria um homem bom ou não de acordo com as leis naturais?

Vídeo: Ao longo de vinte anos, Napoleon Hill estudou a vida de mais de 16 mil pessoas. Durante esse tempo, organizou e analisou cuidadosamente um grande número de dados sobre elas. E uma das constatações mais contundentes foi a de que 95% das que obtiveram desempenho satisfatório na carreira não tinham claro o que queriam da vida. Porém 5% que alcançaram sucesso notável não apenas possuíam um propósito definido, mas também tinham uma plano para executá-lo.

A verdade é que não há resposta a esta pergunta, mas por convenção aceitamos a existência do trabalho como um papel social do homem. E, portanto, se todos tem uma função social exercida pelo trabalho, o líder é o guardião final de um objetivo, uma meta em conjunto que faz cada um expressar seu melhor propósito na equipe. Isto foi melhor explorado na última semana, caso queira ler o artigo.

O ponto é que este jovem que escreve sempre foi inibido quanto ao próprio propósito. Costumava vangloriar as conquistas dos outros, e diminuir a importância da sua própria atuação nos resultados. Foi quando ouvi de uma pessoa à noite aquilo que não esperava mas que mudou meu rumo em liderar equipes.

Já era noite, quando fui interpelado: “Você sabe por que você nunca construirá uma mudança tão grande nem se desenvolverá quanto aqueles que você admira?”. Não, não sabia, e tinha muito medo da resposta. “Porque você os coloca num pedestal. Você cria uma admiração que os coloca acima de você, quase que os elevando a um patamar impossível de ser alcançado por um ser humano comum. E essa é a verdade: enquanto você não vir os líderes e pessoas que admira como seres humanos, que erram, tem dúvidas do seu propósito, fraquejam e tem medo, você não conseguirá liderar.”

Foi um grande choque. Não era necessário deixar de admirar para entender que aquelas pessoas também se desenvolveram. Não era necessário deixar de reconhecer grandes talentos e aptidões naturais para perceber que também houve muita determinação e treinamento para torná-los especiais. Não era necessário perder a humildade para perceber que você também pode se tornar um deles.

A partir dali, deferência e admiração são um convite a me aproximar das pessoas, saber mais, e não um certificado de superioridade que as torna distante de mim. Talvez o seu propósito não esteja claro, você tenha dificuldades em encontrar a confiança e ache que as pessoas ao seu redor são inalcançáveis. Mas não se esqueça disso: enquanto você negar a existência do seu potencial ou diminuí-lo, mais difícil será você construir seu legado em qualquer função social.

Foi o mesmo Aristóteles do início do texto que declarou: “As pessoas são o que repetidamente fazem; excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito”. E de uma maneira fundamental, nem a pessoa mais talentosa na sua área será a melhor se não criar hábitos e agir de acordo com seu propósito.

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