O longo caminho da informação ao conhecimento

Da informação ao conhecimento, há um longo caminho. Cheio de percalços, que afetam iniciativas privadas e públicas, bem como a sociedade como um todo. Empreender como?

A humanidade é tomada constantemente por sobressaltos em relação a economia, desenvolvimento social, convivência política e conflitos de todas as formas. Alternam-se crises e momentos de calmaria. Esses eventos querem sejam locais, querem sejam globais, afetam a todos. Vai do individual ao coletivo, do privado ao governamental, da família ao trabalho. E é nesses momentos que a procura por alternativas se faz necessária. E elas podem surgir de diversas formas e formatos. A proposição de ações que contribuem para o desenvolvimento do ser humano precisa ser estimulada, difundida e compartilhada. E de forma que possam ser compreendidas por um público ávido e necessitado de possíveis caminhos que o levam a ver uma luz no final do túnel. Essa luz tem um nome: conhecimento. E o caminho até ele é longo. E perene, na maioria das vezes. A transmissão de informação, assim como o conhecimento, vai se perdendo ao longo do caminho. Quanto mais agentes envolvidos nessa transferência, maior é a perda dos elementos informativos. Há saídas?

Candeloro (2008), Machado (2009) e Morais (2010) apontaram que é fundamental, quer no campo pessoal quanto no empresarial, a correta transmissão de mensagens. Para tanto sugerem o uso do método 5W2H para sanar, ou minimizar, esse efeito. A ferramenta, composta pelo What (o que será feito); Who (quem fará); When (quando será feito); Where (onde será feito); Why (por que será feito); How (como será feito) e How Much (quanto custará) são elementos que auxiliam no controle da emissão das mensagens, tanto no verbal quanto na escrita. É um bom começo.

Apesar de parecer que as ferramentas servem exclusivamente aos gestores das empresas, as mesmas podem – e devem – ser utilizadas pelo profissional, quer autônomo, microempreendedor ou simplesmente o funcionário de uma companhia. São suportes valiosos, assim como a matrizes de priorização, que ajudam a analisar e identificar, de forma eficaz e rápida, a realidade sobre determinado tema. A função da matriz de priorização GUT, (Candeloro (2009) é observar as situações em sua ‘Gravidade’; ‘Urgência’ e ‘Tendência’ dentro de uma escala que vai de 1: ‘Sem Gravidade’; ‘Sem Urgência’ e ‘Sem Tendência de Piorar’, à pontuação 5: ‘Extremamente Grave’; ‘Extremamente Urgente’ e ‘Se Não For Resolvido, Piora Imediatamente’. Outra matriz, também apontada pelo autor, é o B.A.S.I.C.O., que serve para priorizar soluções a serem tomadas. É dividida em ‘Benefícios’; ‘Abrangência’; ‘Satisfação Interna’; ‘Investimentos’; ‘Cliente’ e ‘Operação’. Também utiliza escala que vai de 1 a 5 e serve para elaborar plano de resolução de problemas.

Analfabetismo funcional

Outro fator que interfere nessa transferência de informação é a dificuldade do receptor da mensagem em compreender o conteúdo da mesma. Para Melo (2015), o analfabetismo funcional – saber ler, mas não captar integralmente o teor do que lê – deve ser encarado como um câncer a ser combatido, pois é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples. Tais pessoas, mesmo capacitadas a decodificar minimamente as letras, geralmente frases, sentenças, textos curtos e os números, não desenvolvem habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas. Estudos recentes (Saldaña, 2015) apontam que adultos com mais de 25 anos não sabem fazer operações matemáticas simples: 75% não sabem médias simples; 63% não conseguem responder a perguntas sobre porcentuais e 75% não entendem frações.

A situação fica mais crítica quando identificamos que pesquisa divulgada pela ONG Ação Educativa (Toledo 2012), em colaboração com o Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, onde se constatou que 27% dos brasileiros são analfabetos funcionais. O estudo tomou por base 130 milhões de brasileiros com idade acima de 15 anos. A ONG e o Instituto iniciaram o levantamento em 2001 e criaram o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). Desde então, reduziu-se analfabetismo funcional, de 39% para 27%. Mas isso não é motivo para festa. A situação ainda é crítica. O Inaf considera três níveis de alfabetização: a rudimentar, a básica e a plena.

A rudimentar permite ler um anúncio e operar com pequenas quantias; a básica possibilita ler textos mais longos e vencer operações como as que envolvem proporções; já a plena, que contempla níveis mais altos de análise de textos e de operações matemáticas. Também é muito desanimadora a constatação de que, mesmo entre os portadores de diploma universitário, existe deficiência na alfabetização. 38% não alcançam o nível de alfabetização plena. E a perspectiva não é nada animadora. De acordo com Bretas (2015), dentre as 5,5 mil cidades brasileiras, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) identificou que em 30 desses municípios mais de 40% da população não sabe ler ou escrever um simples bilhete. Portanto, o caminho ainda é longo entre a informação e o conhecimento. Mesmo com o desenvolvimento da tecnologia e da aprendizagem online, ainda persiste quem prefere varar a noite em redes sociais do que disponibilizar meia hora para um curso qualquer. No final do túnel, sinais de fumaça. Seriam sinais de novos tempos? Aguardemos a força dos ventos.

Referências

BRETAS, Valéria (2015).As 30 cidades onde quase metade da população é analfabeta. Disponível em http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/as-30-cidades-onde-quase-metade-da-populacao-e-analfabeta/lista. Acesso em 09 set. 2015.

CANDELORO, Raul (2008). Não tenha dúvidas; método 5w2h. Disponível em http://www.administradores.com.br/artigos/nao_tenha_duvidas_metodos_5w2h/26583/. Acesso em 17 set. 2009.

CANDELORO, Raul (2009). Matriz de priorização. Disponível em http://www.tutomania.com.br/artigo/matriz-de-priorização. Acesso em 17 set. 2009.

MACHADO, Roberto (2009). Como fazer plano de ação 5W2H e modelo de exemplo em planilha. Disponível em http://www.doceshop.com.br/blog/index.php/como-fazer-plano-de-acão-5w2h-e-modelo-de-exemplo-em-planilha/. Acesso em 17 set. 2009.

MELO, Luiz Guilherme (2015). As causas do analfabetismo funcional. Disponível emhttp://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/as-causas-do-analfabetismo-funcional/. Acesso em 16 ago. 2015.

MORAIS, Felipe (2010). Cinco Ws e dois Hs que sustentam o planejamento. Disponível emhttp://webinsider.uol.com.br/2010/11/11/cinco-ws-e-os-dois-hs-que-sustentam-o-planejamento. Acesso em 20 nov. 2010.

SALDAÑHA, Paulo (2015). Adultos não sabem matemática básica. Disponível emhttp://exame.abril.com.br/brasil/noticias/adultos-nao-sabem-matematica-basica. Acesso em 01 nov. 2015.

TOLEDO, Roberto Pompeu de (2012). Analfabetismo funcional: 232 bombas atômicas. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tag/analfabetismo-funcional/. Acesso em 03 jan. 2015.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento