O líder introvertido

Qual o perfil de um líder! Uma pessoa introvertida pode ser um líder? O objetivo é entender que apesar da pressão social para que as pessoas sejam extrovertidas, nem sempre esta característica propicia vantagens que os tornem capazes de serem líderes de sucesso

O incentivo para este artigo foi a leitura do excelente livro de Susan Cain, O poder dos quietos. Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar. Este livro é entremeado de inspiração. Uma leitura simples que possibilita entender as pessoas introvertidas. Uma importante fonte de conhecimento para o aprimoramento nos modelos tradicionais de liderança. Sendo uma motivação muito importante em meus trabalhos de consultoria e treinamentos de Liderança aplicada ao Coaching; ajudando a responder: Qual o perfil de um líder! Uma pessoa introvertida pode ser um líder? O objetivo é entender que apesar da pressão social para que as pessoas sejam extrovertidas, nem sempre esta característica propicia vantagens que os tornem capazes de serem líderes de sucesso.

Susan Cain em sua pesquisa apresentada no livro, mostra que mais de um terço da população mundial são introvertidos, um número extremamente significante para ser equivocadamente desconsiderado. Basta observar grupo de amigos, família e ambientes de trabalho. Muito do preconceito que as pessoas com esta característica sofrem ocorrem justamente pelas as pessoas que não entendem o que é ser introvertido.

Ainda no século XIX, Carl Jung, foi o primeiro a popularizar esse termo de introvertido e extrovertido. Ele acreditava que não existia uma pessoa somente introvertida ou somente extrovertida, que seria um louco se houvesse. Carl Jung criou e aprimorou o conceito de reflexivo e ativo para Introvertido e Extrovertido. Primeiro os tipos gerais de atitude, que se distinguem pela direção de seu interesse, pelo movimento de sua libido; os outros, tipos funcionais. Os tipos gerais de atitude diferencia-se por seu comportamento em relação ao objeto. Entende-se para esses termos que o Introvertido dá enfoque ao objeto e, a Introversão, refere seu enfoque ao sujeito.

Jung ainda dizia que existem duas tendências básicas de personalidade: do tipo introvertido ou extrovertido. Podemos perceber que temos, naturalmente, dois mundos: o interior e o exterior e inconscientemente elegemos qual preferir e desenvolver mais.

No artigo escrito por Tatiana Bonumá (2014), na revista Crescer, ela faz um resumo interessante, aonde esclarece o tipo introvertido como uma pessoa introspectiva, que precisa voltar-se para seu mundo interior e explorá-lo, pois os seus referenciais lá se encontram, sua introspecção vem de uma característica psicológica, aonde a pessoa é mais contida emocionalmente; quando ainda criança, procura brincar sozinha, inventando o seu mundo de criatividade e alegria. Isso não seria problema algum se não fosse pela sociedade em geral, que, por terem um comportamento diferente da maioria, que são os extrovertidos, acreditam que existe algo errado com a pessoa, como ocorre muitas vezes dentro da própria casa, pela atitude dos pais, que começam a acreditar que a criança tem alguma coisa errada, algum problema que atrapalhe suas habilidades sociais, muitas vezes, erroneamente, rotulando-a.

Não se pode denominar uma pessoa introvertida, com uma pessoa que possui o perfil comportamental da timidez, procrastinadora, incapaz ou improdutiva. Aliás, ser introvertido é muito diferente de ser tímido. Pessoas tímidas tem um desconforto, bloqueio, ao se relacionar com outras pessoas e de interagir com o mundo. Existe uma barreira inconsciente é criada que aflora o medo e a vergonha. Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. Podendo comprometer sua capacidade de realização pessoal, tornando procrastinador na vida, empobrecendo-a. (Lembrando que, conforme descrito no site Wikipédia – Timidez, muitas vezes, a também pode funcionar como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas através de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação).

Acredita-se que esta pressão social na caracterização das pessoas serem extrovertidas começou logo no início do século XX, aonde deixamos de valorizar as pessoas pelo que ela é (SER), chamado de período cultural do caráter e passamos a admirar as pessoas pelas suas representações e conquistas, denominado como cultura da personalidade (TER).

Susan descreve em sua obra que a partir do século XX surgiu a busca frenética de posses, uma estrutura econômica viva e intensa, aonde prevalece a arte do convencimento, extrapolando os limites relacionais, que se tornou uma exigência de sobrevivência. Best Sellers de alto ajuda tornaram-se populares e todos em direção ao quebrar paradigmas relacionais entre as pessoas, como uma resposta aos problemas. Exemplo foi o livro escrito em 1936 por Dale Carnegie, “Como fazer amigos e Influenciar Pessoas”, que logo se tornou uma febre entre os executivos e vendedores. Em sua capa está descrito a receita para resolver os maiores problemas: o de relacionar-se bem com as pessoas e influencia-las na vida cotidiana, nos negócios, no trabalho e nos contatos sociais.

Este padrão é valido até os dias de hoje, fica evidente quando se observa o dia a dia. Basta analisar os modelos adotados nas escolas, na maioria das empresas e até mesmo em inúmeros treinamentos de desenvolvimento profissional e de liderança. Um conjunto de regras que exigem das crianças e adultos que devem sempre trabalhar em grupo, equipes, etc. Na maioria das vezes, estas ações acabam resultante em perder grandes talentos, inibindo as habilidades, justamente por não adequar a pessoa introvertida nas zonas de maiores estimulações, mais adequada para ao perfil. A maior parte do modelo atual na sociedade cria ambientes favoráveis ao perfil de pessoas extrovertidas, teorizando a necessidade de estimulação. Acreditam que a criatividade e produtividade tem que vir exclusivamente de grupos de pessoas, mesas com 4, 5 ou mais pessoas juntas, sem divisão, sem paredes. Mesmo para ambientes críticos que necessitam de muita concentração.

Não se pode suprir as características fundamentais das pessoas apresentando regras únicas que sirvam a todos, é preciso fazer uma análise sistêmica. Tornou-se comum dizer que a pessoa ser introvertido não é bem o jeito certo de ser, com uma cobrança equivocada, como se tivesse realmente de ser extrovertido para gerar resultados e participar do meio social. Talvez esta cobrança possa gerar mais do que o isolamento mas também uma tristeza interna imensa, limitando a capacidade intelectual de produzir resultados extraordinários, por falta de compreender e respeitar a característica individual de cada um ser. Isto e um equívoco imensurável social, já que pessoas introvertidas quase sempre são pessoas criativas, certeiras, focadas, com uma percepção apurada aos detalhes, concentradas, atentas, precisas, com uma capacidade de cognição inter-relacional muito mais exata do que as extrovertidas, menos passiveis de correr riscos imprevistos, o que faz uma grande diferença nos dias de hoje.

Ser introvertido é apenas questão de ser reservado principalmente com meio social. Mas isto não é uma constância, e sim de momentos. Os extrovertidos necessitam de muita estimulação, enquanto os introvertidos sentem muito mais vivos, ativos e capazes quando, em parte do seu tempo, estão em ambientes mais silenciosos, reservados e tranquilos. Isto não é sempre, mas grande parte do tempo está paz traz sua centralidade introspectiva de si mesmo com o mundo.

A perspicácia da liderança esta intricada justamente na inteligência emocional. Suas habilidades cognitivas emocionais são o alicerce para perceber o todo e não as partes. Uma das virtudes que contemplam a capacidade emocional é justamente a forma de observar e perceber o outro e o meio inserido, saber observar e compreender os detalhes. Susan Cain, apresenta em seu livro diversas pesquisas relacionadas aos líderes introvertidos. Inúmeros exemplos de executivos admiráveis como Mark Zuckerberg; Sheryl Sandberg; Larry Page, fundador do Google; Marissa Mayer, CEO do Yahoo; Gandhi; Steve Wozniak que inventou o primeiro computador da Apple; Charles Schwab, da Charles Schwab Corporation; Bill Gates; Brenda Barnes, presidente executiva da Sara Lee; James Copeland, ex-diretor executivo da Deloitte; Touche Tohmatsu, Lou Gerstner, o lendário executivo da IBM; Charles Darwin;Theodor Geidsel (Dr. Seuss); entre outros.

Em seu livro, está a concepção de liderança no qual o guru da administração Peter Drucker diz que “Entre os mais eficientes líderes que encontrei e com quem trabalhei em meio século, .... Alguns trancavam-se em seus escritórios e outros eram ultras sociáveis. Alguns eram rápidos e impulsivos, outros estudavam a situação e levavam um tempão para tomar uma decisão... O único traço de personalidade que encontrei em comum em todos eles era algo que não tinham ou pouco tinham: ‘carisma’, e a necessidade desse termo ou o do que ele significa”. Foi sustentando a fala de Drucker que o professor de administração da Universidade Brigham Young, Bradley Agle, estudou os presidentes executivos de 128 grandes companhias e descobriu que aqueles considerados carismáticos pelos principais executivos tinham maiores salários, mas não uma melhor performance corporativa.

Dentre outros exemplos citados no livro, está também a descrição do estudo do prestigioso teórico da administração Jim Collins, que diz que muitas das companhias de melhor performance do fim do século XX foram administradas pelo que ele chama de “Líderes de nível 5”. Esses excepcionais presidentes executivos são conhecidos não pelo brilho ou pelo carisma, mas pela extrema humildade combinada com uma intensa vontade profissional. Em seu influente livro Empresas feitas para vencer, ele conta a história de Darwin Smith, que igual as onze empresas de destaque que pesquisou a fundo, perceberam que as companhias de alta performance tinham algo muito em comum, que era a natureza de seus presidentes executivos: todas elas eram lideradas por homens modestos como Darwin Smith, citado como exemplo indiscutível. Aqueles que trabalhavam com esses líderes tendiam a descrevê-los com as seguintes palavras: quieto, humilde, modesto, reservado, tímido, gentil, de modos suaves, reticentes. A lição, segundo Collins, é clara. Não precisamos de personalidades gigantes para transformar nossas empresas. Precisamos de líderes que constroem não o próprio ego, mas a instituição que administram.

Então, o que os líderes introvertidos fazem diferente? Está possível resposta também pode vir de um outro trabalho citado no livro, com o estudo do professor de administração Adam Grant, da Universidade de Wharton, no qual passou um tempo considerável consultando os quinhentos maiores executivos da revista Fortune e líderes militares — do Google ao Exército e à Marinha dos Estados Unidos, onde ele se convenceu de que as pesquisas existentes mostravam uma correlação entre extroversão e liderança, não contavam a história toda. Em sua pesquisa ele chegou à conclusão de que: Primeiro, quando examinou detalhadamente os estudos existentes sobre personalidade e liderança, descobriu que a correlação entre extroversão e liderança era pouca. Em segundo lugar, muitas vezes esses estudos eram baseados na percepção dos pesquisadores sobre o que constituía um bom líder, em oposição a resultados reais. E a opinião pessoal muitas vezes reflete apenas um preconceito cultural. Porém, o que mais intrigava Grant era que as pesquisas existentes não diferenciavam os vários tipos de situação que um líder pode enfrentar. Pode ser que certas organizações e contextos sejam mais adequados a estilos de liderança introvertidos, pensou ele, e outros a abordagens extrovertidas, mas os estudos não faziam essa distinção. Grant tinha uma teoria sobre que tipos de circunstância pediriam uma liderança introvertida. Sua hipótese era de que líderes extrovertidos melhoram a performance de grupo quando os funcionários são passivos, mas que líderes introvertidos são mais eficientes com funcionários proativos. Para testar essa ideia, ele e dois colegas, Francesca Gino, especialista em Priming e autora do excelente livro A Risca, da Harvard Business School, e o pesquisador David Hofman, da Kenan-Flager Business School, na Universidade da Carolina do Norte, fizeram seus próprios estudos. Grant diz que faz sentido que introvertidos só sejam bons em liderar aqueles que tomam a iniciativa. Devido a sua inclinação a ouvir os outros e à falta de interesse em dominar situações sociais, introvertidos tendem a ouvir mais e a implementar sugestões. Tendo se beneficiado do talento de seus seguidores, eles então inclinam-se a motivá-los a serem ainda mais proativos. Em outras palavras, líderes introvertidos criam círculos viciosos de pró atividade. Nos estudos, os membros das equipes relataram ter percebido os líderes introvertidos como mais abertos e receptivos a suas ideias, o que os motivava a trabalhar. Por outro lado, os extrovertidos podem estar tão interessados em deixar sua marca que correm o risco de perder as boas ideias dos outros pelo caminho e permitir que os trabalhadores recaiam na passividade. “Muitas vezes, os líderes acabam falando demais”, afirma Francesca Gino, “e não ouvem nenhuma das ideias que seus subordinados tentam dar”. Mas com sua habilidade natural para inspirar, líderes extrovertidos são melhores em alcançar resultados com trabalhadores passivos.

Faz todo o sentido a afirmação de Frascesca Gino quando compreende que, grupos seguem opiniões, das pessoas dominantes e carismáticas presentes; pesquisas recentes mostra que 85% das pessoas se permitem e seguem, não são seguidas, mesmos não havendo qualquer correlação, mesmo que e verdade que nem sempre o melhor orador tem as melhores ideias. Este número é extremamente significante ao compreender a afirmação de Gino que quando se tem lideres extrovertidos em um grupo, ocorre por muitas vezes o monopólio das conversas, opiniões e sugestões, que acabam por ofuscar os outros, o que diminui a capacidade de criação de novas ideias e perspectivas, estancando outras possibilidades além da visão e experiência algumas pessoas.

Susan faz uma colocação interessante quando diz que não é surpresa quando se observa as ideias da psicologia contemporânea. Parece que não se consegue estar em um grupo de pessoas sem instintivamente as espelhar, imitando suas opiniões. Coisas aparentemente únicas de cada um, como que se atraída; começa-se a imitar crenças das pessoas que estão a volta volta, sem ao menos perceber o que se está fazendo. A neurociência hoje compreende este fato, e aqui vale observar que muitas vezes os pensamentos, as emoções e sentimentos são modificados e influenciados em sentir aquilo que o meio sente, privando as pessoas de encandecer do que realmente é.

Como a maioria das pessoas tem a característica de seguir e de ser liderado, é importante refletir que os lideres tem um papel fundamental na concepção do clima organizacional e resultados, seja da sua equipe, projetos e empresas. A neurociência hoje explica que os 7 sentidos são a porta de entrada para o nosso cérebro, sendo eles: tato, visão, audição, olfato, paladar, movimento e o equilíbrio. Com estes sentidos somado com as experiências vividas é que o cérebro realiza a análise das informações antes de sua cognição; seus relatórios são precisos e condensados, formatando a emoção, sentimento e o pensamento. A emoção é uma experiência afetiva que aparece de maneira brusca e que é desencadeada por um objeto ou situação excitante, que provoca muitas reações motoras e glandulares, além de alterar o estado afetivo. O consciente e inconsciente está contextualizada no mundo e como tal, vive cercados de objetos, situações e de outras pessoas com quem há interação. O sentimento é a consciência das emoções que são interpretações pela mente em uma somatória das experiências com o contexto do ambiente no qual está inserido, no qual é estimulado através de processos internos, entre outros os neurônios espelho.

Para compreender este processo é preciso entender que os neurônios espelho são encontrados nas áreas do córtex pré-motor e parietal inferior - associadas a movimento e percepção, bem como no lobo parietal posterior, no sulco temporal superior e na ínsula, regiões que correspondem a nossa capacidade de compreender o sentimento de outra pessoa, resultante na inteligência emocional. O cérebro associa as ações e reações das pessoas, realiza uma análise do contexto e do ambiente inserido, para anteceder seu planejamento, adequando o comportamento. Ao que tudo indica, a percepção dos sentidos, inicia uma espécie de simulação ou duplicação interna dos atos de outros e imitando mentalmente tudo o que observa. Entender as intenções de outros é fundamental para o comportamento social, e os neurônios-espelho de humanos pareceram conferir essa capacidade em um experimento projetado para testar seu reconhecimento de intenções. Na comunicação, esta descoberta trouxe um outro rumo aos estudos comportamentais e a compreensão da capacidade que se tem de influenciar ser influenciado pelo meio que estão inseridos. Isto é extremamente relevante quando percebe que esta capacidade pode influenciar um ambiente de trabalho mais harmônico ou agressivo, discussões calorosas que podem levar ao desastre. Manifestações públicas que chegam ao caos. O ser humano age de acordo com o meio e esta é a maneira que cérebro humano realiza comparações neurais com o que está sendo observado para que inconscientemente, encontre o equilíbrio no comportamento com o meio e desta forma ser aceito. Foi através do neurônio espelho que se está cada vez mais certo que o ser humano vive praticamente no “automático” e que se tem muito pouca capacidade de assumir o controle das atitudes e ações sociais.

Outro fator relevante a ser considerado é a teoria criado por Shizad Chamine, que descreve em seu livro Inteligência Positiva, os 10 maiores sabotadores que as pessoas desenvolvem durante a vida. Grande parte destes sabotadores são mais comuns em pessoas extrovertidas, principalmente quando frente a posição de liderança. Já que estão interligados principalmente ao excesso de exposição e da necessidade de falar demais e assumir a atenção. Logo na capa de seu primeiro livro, Inteligência Positiva, Shirzad Chamine avisa que só 20% das equipes e dos indivíduos conseguem alcançar seu verdadeiro potencial. De acordo com Chamine, todo indivíduo possui sabotadores, que são verdadeiros inimigos internos que criam padrões de comportamento como resposta a situações corriqueiras da vida. Ao compreende-lo percebe-se que ele está mais evidente em comportamentos extrovertidos. Em um resumo apresentado pela Revista Eletrônica Bem Estar (GNT), descreve uma previa destes inimigos na rotina. Os principais deles apresentados no livro, são:

  • O crítico: Confundido como a voz da razão, é considerado o principal sabotador pelo potencial destrutivo que carrega. Este inimigo da mente faz com que o indivíduo encontre defeitos excessivos em si mesmo, nos outros e nas situações, gerando ansiedade, estresse e culpa.
  • O insistente: Leva a necessidade de perfeição e de ordem às últimas consequências, gerando, mais uma vez, ansiedade e nervosismo. Tenta convencer a mente de que a perfeição só depende dela e que é sempre possível ser atingida. Como isso não costuma ser verdade, o efeito provocado é o de frustração constante, consigo mesmo e com os outros.
  • O prestativo: Obriga o indivíduo a correr atrás de aceitação e de elogios dos outros. Ao tentar agradar sempre, porém, ele perde de vista as próprias necessidades e se ressente. Este inimigo faz parecer que ganhar afeição é sempre uma coisa boa, mesmo que a qualquer preço. No fim das contas, a frustração acaba sendo sempre a mesma: não dá para agradar a todo mundo ao mesmo tempo.
  • O hiper-realizador: Este é o perfil sabotador que diz ao indivíduo que ele só é digno de validação e respeito se tiver desempenho excelente e realizações constantes. Costuma ser o grande alimentador do vício em trabalho, como se necessidades emocionais e relacionamentos fossem menos importantes.
  • A vítima: Para ganhar atenção e afeto, este inimigo da mente incentiva reações temperamentais e emotivas em qualquer situação adversa. Oposto ao hiper-realizador, valoriza os sentimentos ao extremo e cria uma sensação de martírio que faz minar as energias mental e emocional.
  • O hiper-racional: Colocar a racionalidade acima de tudo, até dos relacionamentos, é a função deste sabotador da mente. Ele alimenta uma impaciência às emoções alheias e faz com que elas sejam vistas como indignas de consideração. O maior problema em ser hiper-racional é a limitação da flexibilidade nas relações íntimas e profissionais, causando um desequilíbrio que nem sempre pode ser consertado só com o tempo.
  • O hipervigilante: Ansiedade intensa em relação aos perigos que o cercam é o sentimento que este sabotador desperta em quem o deixa falar alto. O estado de alerta constante gera uma grande carga de estresse que cansa não só o próprio indivíduo, mas também quem está perto.
  • O inquieto: Está constantemente em busca de emoções maiores e, por conta disso, atrapalha o sentimento de paz e de alegria que poderia ser sentido no presente, caso o indivíduo prestasse mais atenção nele. Perder o foco e a apreciação pelo que está acontecendo agora é a grande ameaça para quem se deixa levar por ele.
  • O controlador: Estar no comando, dirigir ações e controlar situações é a maior necessidade deste perfil sabotador. Ele pode até conseguir resultados em curto prazo de uma equipe de pessoas, mas no futuro gera um ressentimento nos outros que atrapalha as relações e impede que o grupo exerça sua capacidade plena.
  • O esquivo: Concentrar-se só nos aspectos positivos e prazerosos de uma situação faz com que este sabotador incentive a mente a adiar soluções e evitar conflitos, por mais que eles sejam necessários. O problema é que, comumente, o resultado de um comportamento baseado nisso é a explosão de conflitos sufocados que foram deixados de lado.

Compreendendo que todos possuem sabotadores e que eles podem se tornar um inimigo quando não se tem o controle emocional sobre o ambiente e local inserido, observa-se que acabam se tornando grande vilões a si mesmo e as pessoas que fazem parte do contexto, projeto, empresa ou mesmo socialmente, principalmente quando se tem aptidões extrovertidas de dominar conversas, reuniões ou em situações diversas sociais.

Bar-On, diz em seu livro que um princípio fundamental da Inteligência emocional é sua capacidade introspectiva de reconhece-la, o que difere no introvertido é sua capacidade de perceber seu estado, o que eleva sua habilidade para atingir processos adaptativos, ampliando seu potencial em superar desafios. Entender como maximizar as contribuições destas características, torna-se uma ferramenta importante para todos os líderes. Sendo importante que as escolas e companhias cultivem bons ouvintes assim como bons falantes para papéis de liderança. Grant diz que a imprensa popular está cheia de sugestões de que líderes introvertidos devem praticar suas habilidades de falar em público e sorrir mais. Mas a pesquisa de Grant mostra que, pelo menos em uma coisa importante — encorajar funcionários a tomar iniciativas —, líderes introvertidos se dariam bem continuando a fazer o que fazem naturalmente. Os líderes extrovertidos, por outro lado, “podem desejar adotar um estilo mais reservado e quieto”, escreve Grant. Eles talvez precisem aprender a sentar para que os outros possam levantar.

Como Susan diz em sua obra, que fique claro que em nenhum momento está sendo criticado ou desprestigiado a importância das habilidades sociais, e muito menos sobre a abolição dos trabalhos em grupo. Mas sim, entender que com os problemas que são enfrentados hoje em áreas que exigem exatidão, como a ciência e economia, entre outras, são tão amplos e complexos que é preciso realmente de exércitos e pessoas se unindo para resolve-los, trabalhando juntos; entretanto, quanto mais liberdade se dá ao introvertido para que sejam eles mesmos, maior a probabilidade de eles surgirem com ideias originais e soluções criativas, muitas vezes inovadoras para esses problemas. Além disto é preciso quebrar este paradigma inserido na sociedade que só existe um perfil para ser líder e que as pessoas devem por regra ser extrovertidos. De alguma forma, precisa-se incentivar esta perspectiva ambivertida, principalmente se considerar a criatividade e a produtividade. Em um estudo recente, psicólogos observaram a vida de um conjunto de pessoas criativas, concluíram que são pessoas muito boas em trocar e desenvolver ideias, mas que também tem traços fortes de introversão. E isso porque a solidão é muitas vezes um ingrediente crucial para a reflexão, consequentemente a criatividade.

Por isto é muito importante as vezes parar e respirar um pouco para perceber quais são realmente as próprias ideias, perspectivas, emoções e ficar livres de distorções das dinâmicas sociais e de grupos. Saber trazer algo para si, desenvolver sua própria introspecção e então ai sim, criar um ambiente adequado para montar um verdadeiro brainstorming com sua equipe e grupo. Criar ambientes verdadeiramente para trocas de ideias e não mais para discussões em que prevalecem somente alguns.

Para isto, fica aqui a sugestão de Susan Cain:

Pare com a loucura de trabalho somente em grupo. Que fique claro isto, os escritórios deviam encorajar as interações casuais, conversas de café, do tipo que as pessoas se reúnem, e do nada trocam ideias. Isto e ótimo. Ótimo para introvertido e extrovertido. Mas precisa de muito mais privacidade, liberdade, e autonomia no trabalho. Na escola a mesma coisa! É obvio que é essencial ensinar as crianças a trabalharem juntas, porem também tem que ensinar a trabalhar sozinhas. Isto é particularmente muito importante para crianças extrovertidas. Elas precisam trabalhar sozinhas. Porque em parte é daí que vem os pensamentos mais profundos.

Vá para a natureza. Seja um “buda” e tenha suas próprias revelações. Isto não é dizer para que todos irem para o mato e construir suas cabanas e se isolarem e nunca mais falar um com os outros. Mas sim que cada um deveria se desligar e ouvir o próprio interior, com muito mais frequência. Deixar o automático que a vida impulsiona.

De uma boa olhada no que tem dentro da própria história, das experiências já vividas e no motivo delas existirem. Sejam introvertidos ou extrovertidos, todos tem inúmeras experiências e conhecimentos a ser oferecido. E que essas coisas sempre que possam, agraciem com energia e alegria as pessoas. Mas introvertidos, sejam vocês mesmos, provavelmente com o impulso de guardar cuidadosamente o que há dentro de si, que ocasionalmente, só ocasionalmente, abram sua mente para as outras pessoas verem, porque o mundo precisa de vocês e das coisas que carregam.

FONTE DE PESQUISA E BIBLIOGRAFIA

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