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O legado de Margareth Thatcher

Margaret Thatcher, a Baronesa Thatcher, também conhecida como a “Dama de Ferro” que faleceu no dia 08 de abril, teve a cerimônia do seu funeral realizado esta semana entre aplausos e vaias. Thatcher foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Reino Unido, e também a mais longeva premiê no cargo, liderando o país por mais de onze anos (de maio de 1979 a novembro 1990).

O início de seu mandato foi marcado por grandes mudanças. Na época, além da crise política no Irã que provocou um aumento do preço do petróleo em mais de 1.000%, o Reino Unido estava passando pelo “Inverno do Descontentamento”, a situação não poderia ser pior, a economia já crescia metade que a dos outros países europeus, alta inflação, alto desemprego, greves constantes promovidas pelos sindicatos. Não havia pessoas atendendo em lojas, postos de gasolina, os lixeiros aderiram à greve e o lixo começou a se acumular pelas ruas. Nos hospitais só atendiam emergências. Os coveiros também entraram em greve e corpos não eram enterrados.

Thatcher assumiu o poder com forte convicção de que suas ideias iriam tirar o país da escuridão, mesmo que não fosse o consenso. Seu pai a tinha ensinado a não seguir as manada se achasse que a manada estava errada. Influenciada pelas ideias liberais estudadas no Institute of Economic Affairs (IEA) e baseadas em economistas de livre mercado como Ralph Harris, Arthur Seldon, Friederich Hayek e Milton Friedman. Logo após se reeleger com grande popularidade conquistada pela vitória contra a Argentina nas Ilhas Malvinas, iniciou guerra contra os sindicatos e os monopólios industriais, além de criar medidas de austeridade para diminuir o tamanho do Estado.

A economia que até então funcionava com alta interferência governamental se ajustou a eficiência do mercado. Essa transição causou um período momentâneo de ajuste em que houve recessão e desemprego maior ainda, em que empregos artificialmente sustentados foram eliminados e foram criados novos produtivos. Terminando assim com o alto custo arcado por todos. Empresas estatais de diversos setores foram privatizadas e forneceram um impulso a economia, tirando o peso do governo e se ajustando ao mercado de forma eficiente produzindo mais por menos e assim beneficiando os consumidores. A exemplo da British Steel, empresa siderúrgica estatal, que em 1987 registrava um prejuízo de 500 milhões de libras e ao final da década de 80, após ser privatizada, se tornara a mais produtiva e lucrativa companhia do setor na Europa.

Tais medidas levaram a uma redução da carga tributária de 37,5% para um patamar de 25% sobre o PIB, a inflação foi controlada. Em 1990 Thatcher deixou o governo, porém, suas reformas tão contestadas anteriormente, foram consolidadas e mantidas pelo governo seguinte. Nos últimos anos, contudo, as ideias liberais compartilhadas pelo presidente americano da época, Ronald Regan (que afirmava que: “O governo não é a solução para os nossos problemas. O governo é o problema.”), foram substituídas pelas velhas ideologias de um aumento da interferência do Estado. Falta agora saber se será preciso um novo “Inverno do Descontentamento” para reverter a situação.

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