O lado sombrio do mundo corporativo: o carreirismo

Se não houver uma postura mais vigilante e enérgica das organizações no sentido de coibir o carreirismo e os carreiristas, surgirão feudos capazes de provocarem falta de integração e coordenação de processos de trabalho, burocratização de procedimentos e opacidades nas relações fornecedor-cliente interno, o que resultarão na perda de efetividade do negócio.

No mundo corporativo, são poucos os temas que despertam tanto o interesse dos colaboradores quanto a gestão de carreira, independentemente de se tratar da nossa ou de outrem.

Por carreira, entende-se uma jornada a ser percorrida pelo profissional ao longo de sua vida dentro de uma organização, seja esta pública ou privada. Para tanto, a conjunção de três fatores é indispensável à sustentabilidade dessa jornada: um conjunto de competências profissionais aderente aos objetivos estratégicos da organização, um plano de cargos e salários bem estruturado e, é claro, um profissional ético, motivado e comprometido com a organização.

E qual é a importância da gestão de carreira? Para o profissional, é a oportunidade que ele tem de se tornar, ao mesmo tempo, uma pessoa melhor e um colaborador mais efetivo, permitindo, assim, que os seus anseios pessoais sejam alcançados por meio de seu desempenho no ambiente de trabalho e vice-versa.

Para as empresas, a gestão de carreira serve como mecanismo para atrair e reter talentos capazes de convergir os seus objetivos com os objetivos organizacionais, de maneira que esta converta a sua visão em realidade e cumpra a sua missão institucional.

E o que acontece quando não há uma gestão de carreira eficiente, eficaz e efetiva dentro das organizações?

A consequência imediata é o surgimento de sistemas de valores paralelos que convergem para a formação de um “lado sombrio” dentro das instituições: o carreirismo, esse primo muito distante da ética nos negócios e do profissionalismo, amigo das intrigas e embrião da politiquinha.

Com o tempo, o carreirismo vai drenando o potencial das empresas, na medida em que estimula a formação de organizações informais e grupos paralelos com propósitos divergentes da organização em que operam. Isso se deve à forte necessidade social dos adeptos do carreirismo, que buscam no “status” e no ganho de poder o preenchimento de seu vazio existencial.

Por fim, e se não houver uma postura mais vigilante e enérgica das organizações no sentido de coibir o carreirismo e os carreiristas, surgirão feudos capazes de provocarem falta de integração e coordenação de processos de trabalho, burocratização de procedimentos e opacidades nas relações fornecedor-cliente interno, o que resultarão na perda de efetividade do negócio.

E como combater o carreirismo dentro das organizações?

Para mitigar os efeitos perniciosos dessa prática, a adoção do conjunto de medidas a seguir se faz necessário:

  1. A existência de uma identidade institucional bem definida, difundida e trabalhada entre os stakeholders do negócio;
  2. A existência de uma cultura organizacional forte e alicerçada em valores como ética, espírito de equipe e busca da melhoria contínua;
  3. A existência de um sistema de meritocracia que esteja apoiado por um plano de cargos e salários bem estruturado;
  4. A existência de um sistema de avaliação de desempenho 360° que envolva todas as partes que se relacionam com o colaborador (ele mesmo, o seu gestor, seus pares, seus subordinados, seus clientes e os fornecedores de seu trabalho) e que tenha critérios de aferição objetivos e paritários; e
  5. A constituição de um sistema de controles internos eficiente, eficaz e efetivo, dotado de instâncias de Auditoria Interna, Corregedoria e Ouvidoria independentes e vinculadas ao Conselho de Administração (ou seu equivalente) nas organizações.

É óbvio que nem todas as medidas acima são viáveis do ponto de vista técnico-econômico para quaisquer instituições. Porém, as quatro primeiras propostas são possíveis de serem ajustadas e implementadas a todos os tipos e portes de organizações, bastando, para isso, boa vontade e determinação.

E qual é o risco de não repudiarmos e combatermos o carreirismo? Basta olharmos para as causas essenciais de alguns dos principais escândalos que tomaram conta do noticiário brasileiro nos últimos 25 anos, tais como: o rombo no INSS nos anos 1990, o Caso Banestado, a Máfia dos Combustíveis, os Sanguessugas e o Petrolão.

E aí? Precisa dizer mais alguma coisa?

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

J.J.B.C.

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