O jovem e as estrelas do mar

meu sentimento de tristeza e incompreensão é superior ao de revolta e desejo de mudança porque sei que nada vai mudar se nós, o povo brasileiro, não mudarmos

Mais uma etapa da operação Lava Jato deflagrada expondo mais pessoas ao cenário policial e nos mostrando com toda a clarividência, que estamos mergulhados em um poço de corrupção e desmandos chegando ao ponto do procurador federal Athayde de Ribeiro Costa externar o seguinte sentimento em entrevista coletiva: “A corrupção no Brasil é endêmica e está em processo de metástase”. Triste, lamentável e preocupante.

Esta afirmação compromete todo o sentimento que nós brasileiros ainda lutamos em manter vivo de que as coisas podem melhorar. Podem e irão, mas ainda vai piorar muito e ainda sentiremos muita vergonha de ver um país exposto ao mundo inteiro como o pais onde a corrupção é a chave mestra para abrir portas e conseguir o que se quer de maneira fácil. Não há competência, méritos, sinceridade, honestidade, somente mentiras, mentiras e mentiras.

Me pergunto, como é possível tanta corrupção sem que ninguém tenha percebido o que estava acontecendo? Como é possível que tantas “celebridades” tenham se corrompido (corruptos e corruptores) sem que nenhum mecanismo de controle tenha detectado qualquer sinal? A resposta, por mais que procure por outra é sempre a mesma. Os mecanismos de controle existem, mas são ativados por pessoas que por muitas vezes por medo, covardia, incompetência, conivência, por entender que não tem nada com isso, fingem não ver o óbvio e dormem tranquilas até que as falcatruas sejam descobertas.

No contraponto dos meus questionamentos pessoais vejo que a declaração do procurador federal Athayde de Ribeiro Costa de que “a corrupção no Brasil é endêmica e está em processo de metástase” tem total fundamento. Quantos de nós já não tentaram levar vantagem em algum momento da nossa vida? Quantos não tentaram pagar para levar algum tipo de vantagem ou se livrar de pequenas infrações? Quantos de nós já não vimos ações de corruptores e corruptos e nos calamos? Quantos de nós pode, sinceramente, jogar pedra no telhado alheio sem receio algum?

Vivemos em um país maravilhoso sem guerras, tufão, furacão, tsunami, ações terroristas, com um povo alegre e receptivo, com agua e terras produtivas em abundancia, mas com uma incompetência absurda para administrar tudo isso. E como somos incompetentes para administrar, pagamos para conseguir.

Portanto, o meu sentimento de tristeza e incompreensão é superior ao de revolta e desejo de mudança porque sei que nada vai mudar se nós, o povo brasileiro, não mudarmos. O sentimento de estar sendo feito de palhaço sendo enganado a todo instante é suprimido quando olho para o lado e vejo pessoas comuns fazendo a mesma coisa em proporções menores. É como ouvir “...ele rouba, mas faz alguma coisa pelo povo...

Enfim, na política, na economia, nas empresas, tudo se resume a pessoas. São elas que podem a qualquer tempo mudar o rumo das coisas sejam elas pessoais ou profissionais. Pessoas fazem a diferença sempre e talvez um dia possamos nos orgulhar do que fizemos para mudarmos o fim deste filme de terror.

“... certo dia, caminhando pela praia, ele viu um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto do vulto, ele reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia para, uma por uma, jogá-las novamente de volta ao oceano.

-Por que está fazendo isso? perguntou o escritor.

-Você não vê? explicou o jovem

- A maré está baixa e o sol está brilhando e elas vão secar e morrer se ficarem aqui na areia.

O escritor espantou-se: -Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma.

O jovem pegou mais uma estrela na praia, jogou de volta ao oceano e olhou para o escritor: -Para essa, eu fiz a diferença.

Naquela noite o escritor não conseguiu dormir, nem sequer conseguiu escrever. Pela manhã, voltou à praia, uniu-se ao jovem e, juntos começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.” (Autor desconhecido)

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